25º Portugal de Lés-a-Lés - 2023 chega a Sagres depois de 1085 km desde Bragança
Mais de 10 horas de condução para chegar ao fim do mundo e ao fim da aventura
andardemoto.pt @ 11-6-2023 16:39:40
Depois da chuva intensa dos três primeiros dias, a muito longa terceira e última etapa do 25.º Portugal de Lés-a-Lés, proporcionou aos participantes 425 quilómetros que prazer que acabarem por se revelaram ‘mais curtos’ que os 240 km da véspera.
A saída de Ourém, igualmente madrugadora seguiu através do pouco explorado Ribatejo, onde foi ‘investido’ mais tempo para descobrir segredos. Num dia em que as temperaturas andaram entre os 20 e os quase 30 graus, com algumas nuvens no céu a proteger os aventureiros da inclemência do sol, havia que gerir esforços. Por isso, as verdejantes estradas para sair de Ourém foram perfeitas para evitar os centros urbanos.
Condições meteorológicas agradáveis contribuíram para atravessar a lezíria ribatejana, sem ver nenhum dos famosos fenómenos no Entroncamento. No entanto, logo de seguida e um pouco mais adiante, na centenária Quinta da Cardiga, o Oásis da BMW esperava pelos motociclistas no imponente imóvel cuja história está registada desde o tempo de D. Afonso Henriques, começando pelo castelo construído em 1169.
Depois de uma pequena pausa para esticar as pernas e tomar um café seguia-se a entrada triunfal na Golegã, pela imponente Porta de Fernão Lourenço. Na vila onde o cavalo é rei, foi tempo para apreciar a Igreja Matriz, com o seu magnifico portal manuelino e contemporânea do Infante de Sagres, e a irreverente casa-estúdio do fotógrafo oitocentista Carlos Relvas.
Acompanhada de algum pó, que fazia esquecer as chuvadas dos dias anteriores, a caravana teria o seu momento cultural na Azinhaga, a terra natal de José Saramago. O enquadramento foi proporcionado pelos tradicionais campinos da região ribatejana sendo que, só por acaso, vieram de Guimarães, fazer jus ao nome de Conquistadores para arrebatar o coração dos maratonistas com quadros divertidos e extremamente bem conseguidos.
Virando mais uma das 60 páginas do ‘road-book’, rumava-se a Santarém, via Pombalinho, terra de cheias sempre que o Tejo extravasa as margens, mas que nunca tinha vivido tamanha enchente... de motos. Já na ‘capital’ do Ribatejo, toda a monumentalidade foi apreciada em andamento, pois o dia era longo.
Como tal, a visita à Igreja de Santa Maria da Graça, um dos mais belos exemplos da arquitetura religiosa do gótico flamejante ou a descoberta do quartel de onde saiu a Revolução dos Cravos, teriam que ficar para outra ocasião.
Mas se a alma pode esperar pelas descobertas dos tesouros da nossa História, já o corpo, mundano, pede alimento com mais frequência. Por isso foi fácil aceitar o convite para a pré-estreia do enorme espaço da Bluemotor, facto que sublinha o envolvimento crescente das marcas, cada vez mais interessadas em marcar presença neste evento mototuristico que mais motociclistas movimenta em Portugal.
Saindo da área urbana escalabitana através de inusitados caminhos rurais até ao Cartaxo, a travessia do Tejo foi feita através da surpreendente Ponte Rainha D. Amélia, construída em 1904 a pensar nas necessidades ferroviárias, tendo sido foi adaptada, no início do milénio, à circulação rodoviária após a construção da nova ponte para o comboio.
Com 840 metros de travessia sobre grade, estreita e com semáforos porque apenas passa um automóvel de cada vez, criou natural constrangimento com a passagem das mais de 2000 motos, dando tempo a condutores e passageiros para se prepararem para a mudança de cenário.
Pela frente estava o extenso Alentejo e as suas retas intermináveis, sobretudo para os que conduzem motos de menor cilindrada.
Sem chuva e sem pó, embalada pela modorra alentejana, a caravana foi surpreendida já no concelho de Évora por uma inusitada manifestação. Os insetos decidiram pronunciar-se contra o extermínio causado pelas motos e motociclistas, cortando a estrada em Valverde.
Reclamavam contra os atentados de que são alvo devido à velocidade, esborrachando-se nas viseiras dos capacetes e carenagens das motos. Uma ideia genial dos sempre criativos elementos dos Motards do Ocidente, que teve o condão de animar todas as conversas no Oásis da Indian, à sombra e com vista sobre o lindo castelo de Alvito, actualmente transformado em Pousada, e que se prolongou ainda na barragem da ribeira de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo.
Na represa do afluente do Sado, de enorme importância para a irrigação, permitindo a cultura do arroz, tomate e melão, a Honda tratou da sobremesa, com deliciosas bolas de Berlim e fruta para acompanhar o café, depois das sandes de carne servidas em Alvito. Um luxo!
Depois de Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo e Aljustrel, fletindo para sudoeste, por estradas desconhecidas, panorâmicas e bem asfaltadas, começava a 3.ª fase da etapa, entre medronheiros, sobreiros e azinheiras. Mas antes de virar para Monchique e daí, por Marmelete, descer rumo à costa, encontrava-se o Oásis BP, montado em amplo espaço nas margens do rio Mira, em Santa-Clara-a-Velha, onde os elementos do MC Porto estavam prontos a ‘picar’.
A coincidência com as festas da vila impediu a travessia do pequeno pontão, obrigando a uma volta maior, com saída por uma íngreme, mas curta curta subida em terra batida que assustou os menos experientes com receios que se revelaram infundados.
Continuando por estradas de serra recheadas de deliciosas curvinhas até à Fóia, onde a temperatura fez jus aos 902 metros do ponto mais alto do Algarve, houve tempo para uma fotografia junto à estátua de Remco Evenepoeel, o atual campeão do Mundo de ciclismo.
Era também uma boa oportunidade para apreciar a ampla vista sobre o horizonte, abarcando o Atlântico, ganhando alento para a ponta final e despertando para as maravilhas que estavam para vir. E, aconselhados pelos animados elementos do MC Albufeira naquele que era o último controlo em estrada, lá foram os motociclistas até Aljezur, Vila do Bispo e Sagres, onde a terra (e a aventura) acaba e o mar (e a espera) começa.
Uma belíssima descida em direção a praias fabulosas, com falésias e paisagens de cortar a respiração e uma tranquilidade que não se encontra nas superlotadas praias voltadas a sul. Alguns participantes tiveram ainda tempo para visitar as belas praias da Bordeira e do Amado, a meca do surf, e o Pontal da Carrapateira. Além de outras, praticamente desertas como Cordoama ou Castelejo.
Terminava assim a 25.ª edição da maior maratona mototurística da Europa, que deu a conhecer deliciosos momentos de portugalidade ao longo de algumas das mais belas estradas nacionais, municipais e regionais, deixou os 2500 motociclistas extremamente satisfeitos e de alma cheia depois de mais um extremamente elogiado Portugal de Lés-a-Lés. Agora resta esperar um ano.
andardemoto.pt @ 11-6-2023 16:39:40
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