Os motociclistas e a infraestrutura rodoviária
A FEMA ( Federation of European Motorcyclists’ Associations), Federação Europeia das Associações de Motociclistas, acaba de publicar um estudo que tenta resolver de uma maneira eficaz o drama da sinistralidade rodoviária relativamente ao motociclismo.
andardemoto.pt @ 22-6-2023 15:03:58
O documento (que pode ler aqui na integra) apresenta os resultados de um grupo de trabalho formado por especialistas em motociclismo e segurança rodoviária de vários continentes, que analisou a situação e as necessidades dos motociclistas em relação à infraestrutura rodoviária.
Com 28% das vítimas fatais de acidentes rodoviários a nível global a serem atribuídas a condutores ou passageiros de motociclos e ciclomotores, a segurança no trânsito para os motociclistas é uma questão importante, considerando a sua importância no descongestionamento do trânsito e o seu menor impacto nas emissões de poluentes nos grandes centros urbanos.
Na Europa, cerca de 15% das vítimas fatais em acidentes rodoviários são motociclistas e outros 3% são condutores de ciclomotores, sendo que a quota total é de apenas 12,4% de todos os veículos na Europa.
No entanto, as organizações de motociclistas sentem que os programas existentes para melhorar a segurança no trânsito, como o Vision Zero, o Sustainable Roads e o Safe System, não equacionam totalmente a realidade e as necessidades específicas dos motociclistas.
Especialmente quando se trata da infraestrutura rodoviária, que não dá atenção suficiente a fatores como o atrito da superfície da estrada ou o mobiliário da infraestrutura rodoviária.
As superfícies da estrada são frequentemente escorregadias ou estão em más condições, com buracos ou rechas. Os passeios geralmente têm obstáculos que estão muito próximos da via e que não são protegidos. E as passadeiras, as rotundas e as pinturas do piso são apenas mais alguns dos problemas que merecem atenção e medidas urgentes para diminuir a sinistralidade.
Soluções para essas situações estão disponíveis, avaliadas e descritas neste documento. Em vários países, governos, organizações de segurança viária, investigadores e especialistas em motociclismo, cooperaram para elaborar diretrizes para a segurança viária do ponto de vista da infraestrutura.
Por isso, este documento reúne as informações disponíveis sobre os fatores que contribuem para os acidentes e as lesões dos motociclistas, identifica os principais obstáculos para alcançar estradas mais seguras para a prática do motociclismo e propõe soluções e recomendações para as autoridades rodoviárias.
Entre muitas outras, o documento faz as seguintes recomendações:
- Os governos e as autoridades rodoviárias devem incluir os motociclistas como um grupo de utilizadores das estradas quando planeiam, constroem e mantêm as rodovias. Assim, os motociclistas devem ser incluídos nas leis e regulamentos nacionais.
- As autoridades rodoviárias devem utilizar metodologias de avaliação do risco rodoviário que considerem a segurança dos motociclistas, como as classificações por estrelas do iRAP ou similares.
- Devem ser desenvolvidas e atualizadas especificações e normas para barreiras e outros sistemas de proteção para motociclistas, de modo a alargar o seu uso para um ambiente rodoviário mais seguro.
- O método de medição de atrito, baseado nos automóveis, precisa ser desenvolvido para atender às necessidades específicas dos veículos de duas rodas.
- A recolha de dados para as necessidades dos motociclistas deve ser melhorada e coordenada. Devem ser analisadas as condições de atrito da superfície da estrada, o efeito dos sistemas de retenção, o efeito geral do mobiliário da infraestrutura rodoviária (obstáculos, visibilidade), a largura das bermas pavimentadas e os efeitos das obras na estrada na segurança dos motociclistas.
- O conhecimento existente sobre medidas de segurança (treino, equipamento, ajudas eletrónicas) que comprovadamente minimizam o risco de acidentes e respetivas lesões aos motociclistas, precisa ser destacado e divulgado como bons exemplos e práticas para governos e autoridades rodoviárias.
O estudo ainda alerta para o custo socioeconómico das lesões e fatalidades, que deve ser incluído quando as estradas são planeadas e construídas, bem como o Custo do Ciclo de Vida dos diferentes componentes que influencia a escolha das barreiras de proteção, as distâncias dos obstáculos, a largura das bermas pavimentadas, etc.
andardemoto.pt @ 22-6-2023 15:03:58
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