Innocenti Lambretta ‘Siluro’ (1949-1951) vendida por uma pequena fortuna
Vendida em leilão por 161 mil euros, este protótipo é um importante pedaço de história do motociclismo europeu.
andardemoto.pt @ 10-3-2025 12:39:27
No pós guerra, com os novos designs das suas scooters, os fabricantes italianos enfrentaram inicialmente uma reação hostil por parte dos utilizadores de motociclos tradicionais.
Era necessário convencer a população necessitada de transporte de que as scooters de pequena cilindrada (até 125cc) não eram apenas gadgets, mas mereciam o seu lugar como veículos genuínos e versáteis de duas rodas, que ainda por cima eram substancialmente mais económicos e práticos.
Para isso, tanto a Piaggio como a Innocenti iniciaram uma campanha de publicidade assente em recordes de velocidade e resistência, mantendo a rivalidade entre si, além de desafiar os fabricantes de motos.
A Innocenti começou timidamente com uma Lambretta quase sem aerodinâmica que, em abril de 1949, percorreu o circuito de Montlhéry durante 12 horas a uma velocidade média de 103,863 km/h. Uma carenagem completa foi então produzida e, em setembro de 1950, permitiu que, novamente em Montlhéry, se estabelecesse um novo recorde com uma velocidade média de 142,240 km/h numa extensão de 160 quilómetros.
Em resposta à Vespa, que estava a desenvolver uma máquina com um complexo motor de pistões opostos, a Lambretta voltou a trabalhar no seu protótipo sob a direção do engenheiro-chefe Pier Luigi Torre. Como muitas vezes acontece nessas situações, a Lambretta recorreu a especialistas em aviação para criar uma nova carenagem mais eficaz.
Construída sobre uma estrutura tubular leve, a carroçaria de alumínio tinha uma forma ovalada com uma grande barbatana traseira; o piloto ficava completamente fechado, inclinando-se para a frente, enquanto dois pequenos flaps com molas permitiam apoiar os pés no chão.
Com a cabeça apoiada num encosto, o capacete ficava ligeiramente acima da carroçaria e um para-brisas em Plexiglas permitia-lhe ver a pista. O único instrumento consistia num conta-rotações Jaeger que marcava até 10.000 rpm. Dois tubos entre as pernas estavam conectados a entradas de ar frontais e garantiam a refrigeração do motor, que também foi especialmente preparado com a adição de um compressor que permitia o monocilíndrico de 125 cc produzir mais de 20 cv às 9700 rpm!
Graças a esta máquina notavelmente projetada e construída, cujo formato lhe valeu o apelido de "Siluro" (torpedo), a Lambretta alcançou um novo conjunto de recordes em junho de 1951, em Montlhéry, e, num trecho de autoestrada entre Munique e Ingolstadt, Romolo Ferri atingiu a incrível velocidade de 201 km/h!
A morte, pouco tempo depois, do italiano Renato Maggi, enquanto tentava estabelecer um novo recorde com uma MV Agusta, levou a uma trégua na batalha entre a Vespa e a Lambretta.
Entre os notáveis recordes estabelecidos pela Lambretta, destacam-se: um quilómetro com partida lançada atingindo 200 km/h e velocidades médias registadas em diversas distâncias: 100 km a 160 km/h, 1000 km a 133 km/h, 5000 km a 98 km/h, uma hora a 159 km/h, seis horas a 133 km/h e 12 horas a 132 km/h.
Após o encerramento da fábrica da Innocenti, a Lambretta "Siluro" foi comprada diretamente pela família Panini, juntamente com um conjunto de peças, e posteriormente emprestada ao Rimini Lambretta Centre (RLC) para exposição.
Entretanto, a “Siluro” marcou diversas presenças públicas, como em 2017, quando Umberto Panini foi convidado a participar no Goodwood Festival of Speed para celebrar o 70.º aniversário da primeira Lambretta.
Em 2019, a histórica Lambretta foi novamente convidada para a exposição "Concept car - Beauté pure", realizada no Château de Compiègne, lar do museu automóvel mais antigo de França, onde a Lambretta Siluro ocupou o seu lugar ao lado de protótipos de design e máquinas recordistas de todas as épocas.
A sua presença nestes dois eventos foi uma prova, caso fosse necessária, do carácter histórico da Lambretta "Siluro", apresentada actualmente como era quando nova, com a sua aerodinâmica carroçaria recordista completamente restaurada.
Sendo extremamente raro que um genuíno detentor de recordes como este seja colocado à venda no mercado, antes do leilão estimava-se que a “Siluro” alcançasse um valor entre os 65.000 e os 100.000 euros. No entanto acabou por ser rematada por uns impressionantes 160.920 euros, o que prova que as motos de coleção são cada vez mais cobiçadas e garantem bons retornos ao investimento nelas efectuado.
andardemoto.pt @ 10-3-2025 12:39:27
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