Parlamento do Irão debate direito das mulheres conduzirem motos

O parlamento iraniano, dominado por conservadores, enfrenta uma decisão histórica: aprovar ou não uma proposta de lei que, pela primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979, concede às mulheres o direito legal de obterem licenças de condução de motos.

andardemoto.pt @ 8-9-2025 14:30:00

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A medida surge após anos de luta pela igualdade de género no país, um debate reacendido pelas recentes manifestações nacionais.

Durante décadas, as mulheres iranianas foram impedidas de conduzir motos. Embora não existisse uma proibição explícita na lei, a ausência de uma referência legal às mulheres como candidatas a licenças de condução, criava uma lacuna institucional que as deixava vulneráveis a multas e outras sanções. Esta restrição, muitas vezes defendida por políticos de linha mais rígida com base em "valores islâmicos" e "moralidade pública", tem sido repetidamente contestada por ativistas que a encaram como uma negação da liberdade e da igualdade.


A submissão do projeto de lei ao parlamento ocorre num momento crucial, apenas alguns anos após os protestos em larga escala que se seguiram à morte de Mahsa Amini, em 2022. Para os apoiantes, o projeto de lei é um passo significativo em direção aos direitos das mulheres, enquanto os céticos veem-no como uma manobra estratégica para apaziguar o descontentamento público.

O académico religioso Mohammad Taghi Fazel Meybodi defendeu publicamente o direito das mulheres a conduzirem motos, afirmando que "não há proibição religiosa" sobre o assunto. O estudioso considerou "ridículo" que o direito das mulheres a votar, ou a conduzir, tenha de ser resolvido através de legislação, uma vez que estas liberdades não são expressamente proibidas no Islamismo.

O Irão continua a ser um dos poucos países onde esta restrição ainda existe. Recentemente, a Arábia Saudita, que tinha proibições semelhantes, levantou as suas restrições, reforçando a pressão sobre o governo iraniano. A data da votação no parlamento ainda é incerta, mas a luta pelos direitos das mulheres no país continuará, independentemente do resultado.

andardemoto.pt @ 8-9-2025 14:30:00


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