100 Colls 2026 - O desafio cresceu e não desiludiu.
A quinta edição do 100 Colls, em 2026, reafirmou o seu estatuto como evento internacional, contando com a presença de 337 participantes originários de 13 países, transformando as estradas pirenaicas num verdadeiro tabuleiro de estratégia, resistência e coragem. O evento decorreu nos dias 24, 25 e 26 de Abril de 2026.
andardemoto.pt @ 28-4-2026 18:58:55
O 100 Colls 2026 voltou a provar que pode atingir níveis épicos reservados apenas às grandes viagens de moto. Centenas de motociclistas vindos de todos os cantos da Europa reuniram‑se em torno de um destino comum: milhares de quilómetros de curvas, portos de montanha e um desafio que não recompensa os mais rápidos, mas sim os mais sábios, os mais cautelosos e também, os mais sortudos.
A forte presença de franceses, belgas, holandeses, portugueses e italianos, e até alguns britânicos e australianos, confirma que o 100 Colls deixou definitivamente de ser um fenómeno local, tornando‑se um evento firmemente estabelecido no panorama motociclista europeu.
Ao longo de três dias e um total de 28 horas de motores a rugir, os participantes enfrentaram montanhas e vales, além de condições meteorológicas que, este ano, foram bastante mais amenas do que em edições anteriores. Mas além do sol, houve também nevoeiro, chuva, frio e calor, com muita neve ainda visível perto dos cumes mais altos.
Como já sabíamos das quatro edições anteriores, a verdadeira batalha começa à volta de uma mesa, com o mapa enviado pela organização.
Este ano, esse mapa trouxe uma grande surpresa: uma expansão significativa do território, com a inclusão de numerosos portos de montanha no norte da Catalunha e na Occitânia. Regiões como Ariège e Haute‑Garonne ganharam assim um papel decisivo e obrigaram até os participantes mais experientes a repensar completamente as suas estratégias.
Os motociclistas transformaram semanas de preparação em realidade, e três longas etapas de condução e estratégia acabavam ao fim de cada dia com corpos exaustos, mas almas consoladas.
Após três dias intensos de competição, antes das 13h de domingo, os participantes cruzaram o tradicional arco de chegada em Món Sant Benet, enchendo o prado verde preparado como parque de motos de todos os tipos e cores. Conversas em várias línguas, inúmeros abraços, o merecido vermute de boas‑vindas e, finalmente, o tradicional almoço de encerramento antes da cerimónia de entrega de prémios, partilhado por todos após dias de estrada, estratégia e superação pessoal.
O já conhecido sistema de prémios Master (Ouro, Prata e Bronze) foi o reconhecimento máximo apenas para quem se aproximou da perfeição: alcançar 80% da pontuação total do vencedor. Chegar a este nível exige preparação e pensamento estratégico que crescem ano após ano em todas as categorias. Prova disso é que 37 participantes alcançaram a prestigiosa categoria Master Gold.
E embora Marc Baurier e Ferran Sacristán, da equipa KTM‑Italomotor, tenham voltado a conquistar a vitória, batendo o recorde de pontos com 41 899 pontos e 72 portos completados, a proporção de participantes que atingiram este marco aumentou substancialmente em comparação com 2025, quando apenas 18 conquistaram o cobiçado pin dourado. A mesma equipa levou também o troféu pelo maior número de portos completados, vencendo também o Metzeler Challenge.
Deixando de lado a classificação geral, o vencedor da categoria Individual foi Robert Conejero, de Castellón, com 39 983 pontos e 59 portos. Até domingo de manhã, manteve uma intensa batalha com Ramon M. Gendrau, vencedor da primeira edição, Fernando Casado, vencedor individual em 2025 e Morgan David, que se estreou este ano no 100 Colls. Um duelo constante que manteve a classificação em aberto até ao último momento.
Na classificação por Equipas, a vitória foi para a Team Yamaha‑MotosX1000, formada por Josep Chaume, Cristina Espada e Isaac Cerdà. Espada venceu também a categoria Feminina, seguida por Alicia Viladomiu e Irene Destruels, da Kawasaki WRX. As três estrearam‑se no 100 Colls e ainda assim lutaram por posições de topo, demonstrando o crescimento do motociclismo entre uma nova geração de mulheres motociclistas. Cada vez mais mulheres participam no 100 Colls, e todos os anos se aproximam mais da vitória absoluta.
O Garmin Xtrems Trophy foi conquistado pela terceira vez consecutiva por Martí Dalmases, que terminou na 25.ª posição com 32 870 pontos, 1 864 km percorridos, 59 portos completados e Master Silver. Defender este troféu já é um feito notável; vencê‑lo três anos seguidos confirma uma forma muito particular de entender o 100 Colls: enfrentar os portos mais remotos e manter‑se fiel à própria estratégia até ao fim.
O francês Laurent Streiff, aos comandos de uma veterana Honda CB 500, venceu o troféu para a moto clássica mais bem classificada, reservado a modelos com mais de 30 anos. Mas esta categoria voltou a proporcionar imagens inesquecíveis, com máquinas verdadeiramente indestrutíveis como a BMW R 80 GS, uma espetacular BMW R 90 S Daytona, várias Yamaha XT 500 vindas da Bretanha após mais de 1000 quilómetros de viagem, e as lendárias Impalas, representadas pelo Moto Club Impala. Tantas máquinas cheias de história e carácter que seria impossível enumerá‑las todas.
Houve também momentos de grande emoção durante uma das grandes tradições da cerimónia de encerramento: a projeção do vídeo oficial do evento, um resumo dos três dias em que cada participante se pôde ver em ação. E ainda faltava um último vídeo para um final surpresa, que seria a cereja no topo do bolo do 100 Colls 2026…
Uma coleção de imagens espetaculares de portos de montanha, estradas e paisagens que deixou todos intrigados. Ao início, poderiam ser de qualquer canto dos Pirenéus… até que placas com nomes de cumes lendários dissiparam todas as dúvidas: estavam a olhar para os Alpes Franceses, porque o 100 Colls vai cruzar uma nova fronteira.
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Veja abaixo o resumo da edição de 2026, em video.
andardemoto.pt @ 28-4-2026 18:58:55
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