MotoGP – Tech3 e Yamaha seguem caminhos diferentes
Ligação histórica de 20 anos termina esta temporada. Hervé Poncharal e a Tech3 informaram a Yamaha que não pretendem continuar a parceria em MotoGP.
andardemoto.pt @ 22-2-2018 14:25:32
A Yamaha e a equipa Tech3 anunciaram hoje que a parceria que têm em MotoGP, terminará quando a temporada de 2018 chegar ao seu fim. A formação liderada por Hervé Poncharal decidiu não prolongar o vínculo com o fabricante japonês, sendo que a Tech3 está à procura, ou até já terá encontrado, uma nova marca com a qual participará em MotoGP a partir de 2019.
A Yamaha Racing encontra-se agora perante dois cenários: participar em MotoGP apenas com a equipa de fábrica, que atualmente inscreve os pilotos Maverick Viñales e Valentino Rossi, ou encontrar uma nova estrutura que aceite inscrever protótipos Yamaha em formato de equipa satélite conforme faz a Tech3.
No caso de decidir pela segunda opção, fornecer motos a uma equipa satélite, a Yamaha terá também de decidir quais os moldes em que essa parceria irá funcionar.
Recordamos que o próprio Hervé Poncharal já tinha deixado o aviso à Yamaha de que pretendia mais da marca de Iwata, e que caso não recebesse esse maior apoio, a Tech3 iria partir para uma nova parceria. Uma “ameaça” que agora foi concretizada.
Kouichi Tsuji, presidente da Yamaha Motor Racing, mostra-se desiludido com o final desta parceria de 20 anos, e revela estar a avaliar o que a sua equipa fará a partir de 2019
“Muito recentemente fomos informados pelo Hervé Poncharal, proprietário da Tech3, que ele tinha decidido não prolongar o contrato de aluguer da Yamaha para as YZR-M1. Depois de discussões com o Hervé, ficou claro que ele escolheu alinhar-se com um novo parceiro para o futuro, e por isso, lamentavelmente, fomos obrigados a aceitar a sua decisão. Terminar uma ligação de tanto sucesso é sempre um pouco triste, e marca também o final de uma parceria de longa duração. Estamos muito agradecidos ao Hervé pela sua lealdade e apoio à Yamaha, e pelos excelentes resultados ao longo do tempo. Continuaremos a apoiar totalmente a equipa e pilotos até ao fim de 2018, enquanto simultaneamente avaliaremos as opções para uma equipa alternativa para 2019 e para o futuro”.
Quanto ao futuro de uma suposta equipa satélite Yamaha, fica agora totalmente em aberto.
Há já bastante tempo que os rumores apontam para que Valentino Rossi crie uma equipa para competir em MotoGP, que ficará sob a sua direção, após terminar a carreira como piloto. A longa ligação que o veterano italiano tem com a Yamaha, e o facto da Tech3 deixar de ser essa equipa satélite, dão mais força a este rumor.
Porém, Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna, já avisou que atualmente não há espaço para a entrada de uma nova equipa em MotoGP. No entanto, e tratando-se de Valentino Rossi, a Dorna poderá estar tentada a modificar a opinião sobre este assunto, e permitir que o plantel da categoria rainha seja alargado com mais uma equipa VR46.
Hervé Poncharal, diretor e proprietário da equipa Tech3, ainda não anunciou qual o futuro da sua estrutura a partir de 2019, em MotoGP e em Moto2, mas revelou que recebeu uma proposta irrecusável e que o fez terminar a ligação à Yamaha
“Resumir 20 anos de uma parceria de tanto sucesso entre a Tech3 e a Yamaha em poucas palavras é uma missão difícil. Desde que conheci o Sr. Iio em 1998, quando ele me deu a oportunidade de me juntar à Yamaha Motor Corporation, tem sido uma extraordinária viagem juntos. Claramente, terminar uma ligação destas é uma grande decisão para mim. O que quero dizer é mais do que um grande obrigado à Yamaha, ao Sr. Tsuji, Sr. Tsuya, Sr. Jarvis e ao Sr. Nakajima, e a todos os que nos têm suportado e ajudado. A Tech3 é uma empresa pequena, que tem de pensar no futuro e avaliar as diferentes opções. Foi-nos oferecido um negócio, que inclui algo que a Tech3 pretende desde início e eu não podia recusar. Espero que eles consigam continuar e atingir o sucesso que merecem, e eventualmente encontrem um parceiro para substituir a Tech3”.
Hervé Poncharal mantém-se em silêncio absoluto sobre o assunto, mas olhando para o “xadrez” atual de MotoGP, tanto a Honda como a Ducati parecem ter as suas equipas satélites bem definidas. Sobram assim Aprilia, Suzuki e KTM.
A Aprilia tem mantido a aposta na estrutura Gresini, e embora os resultados não sejam de grande destaque, a marca de Noale parece continuar a querer manter essa ligação na esperança de apresentarem melhores resultados já em 2018.
A Suzuki regressou há relativamente pouco tempo ao MotoGP, e logo com uma equipa de fábrica, liderada pelo experiente Davide Brivio.
A casa de Hamamatsu tem apresentado melhorias significativas com a GSX-RR, mas o esforço que seria necessário para fornecer o apoio que Hervé Poncharal pretende para a Tech3, será suficiente para deixar a Suzuki de fora de um possível acordo com a equipa francesa.
Sobra então a KTM.
A marca austríaca tem, certamente, o poderio técnico capaz de dar a Hervé Poncharal aquilo que ele procura. Por outro lado, a KTM pode estar à procura de um parceiro que ajude a tornar o protótipo RC16 mais competitivo.
Uma ligação entre a KTM e a Tech3 seria assim uma boa solução para as duas partes, e a acontecer esta possibilidade, seria mais uma porta aberta ao nosso Miguel Oliveira para entrar em MotoGP em 2019, um objetivo assumido pelo piloto português.
Sabendo-se do talento de Miguel Oliveira, tendo-o revelado em Moto3 e Moto2, precisamente com a KTM, a introdução de mais protótipos da marca em MotoGP através da Tech3 pode ser a forma encontrada pela KTM de não perder o talentoso português para os rivais, ele que, bem recentemente, foi elogiado por Paolo Ciabatti, diretor desportivo da Ducati Corse.
Resta agora esperar pelo anúncio da decisão de Hervé Poncharal em relação ao futuro da Tech3, que acontecerá em breve, para percebermos melhor como é que tudo isto se vai conjugar.
andardemoto.pt @ 22-2-2018 14:25:32
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