MotoGP – Carmelo Ezpeleta planeia revolução para 2022
CEO da Dorna pretende uma temporada com 22 Grandes Prémios, 24 pilotos, e limitar os custos de desenvolvimento das MotoGP. Carmelo Ezpeleta já tem um plano estratégico delineado e quer passar da teoria à prática já em 2022.
andardemoto.pt @ 6-6-2019 21:04:28
O Mundial de Velocidade de motociclismo tem vindo a ganhar uma preponderância surpreendente no panorama mundial, conquistando fãs em todos os cantos do Mundo, e com a categoria MotoGP a colocar-se como um dos espetáculos desportivos mais importantes.
Depois de alguns anos onde o Mundial de Velocidade sofreu uma diminuição de importância, a Dorna e a FIM introduziram alterações que se revelaram de sucesso, e hoje em dia nenhum fã deste mundial questiona as decisões da Dorna, liderada pelo incontornável Carmelo Ezpeleta.
E é precisamente o CEO da Dorna que está novamente a delinear um plano estratégico para MotoGP.
De acordo com informações reveladas pelo portal alemão Speedweek, Ezpeleta pretende implementar uma série de alterações ao Mundial de Velocidade, alterações que devem entrar em vigor já a partir da temporada 2022.
A maior alteração é o alargamento do calendário. Atualmente com 19 corridas, o calendário do Mundial de Velocidade pode ir, e respeitando o acordo em vigor com os fabricantes, até um máximo de 20 corridas. Já sabemos que a partir de 2020 o calendário irá mesmo atingir esse limite máximo com a inclusão do Grande Prémio da Finlândia, no novo circuito Kymiring.
Em 2021, e caso se mantenham os atuais circuitos no calendário, teremos nada menos do que 21 Grandes Prémios por ano, pois também já temos a confirmação de que a Indonésia irá receber uma corrida naquele que será o primeiro circuito citadino do Mundial de Velocidade.
Assim já estaremos para lá do máximo de corridas por ano. O mais provável é que um dos atuais circuitos saia do calendário, e assim teremos novamente os 20 Grandes Prémios estipulados no acordo com os fabricantes.
Mas o acordo vai terminar no final da temporada 2021, e é a partir daí que a Dorna pretende alargar o calendário para as 22 corridas. Claro que Carmelo Ezpeleta terá de realizar um novo acordo para contemplar tantas corridas durante a temporada, o que poderá não ser fácil, pois já no final da última temporada vários pilotos de MotoGP mostraram o seu desagrado por terem de enfrentar temporadas tão longas.
Há rumores que apontam para que dois circuitos espanhóis fiquem de fora do Mundial de Velocidade. A ser verdade, isso faria o número de corridas descer novamente, o que contraria a vontade de Carmelo Ezpeleta. Nesse sentido há já outros países interessados em garantir um lugar no calendário, e aqui incluímos, claro, Portugal, pois o Autódromo Internacional do Algarve está muito interessado em adicionar MotoGP à lista de eventos que ali se realizam, ainda para mais com Miguel Oliveira a competir em MotoGP e com a “ajuda” de Jorge Viegas, o português que preside aos destinos da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
Se novos países conseguirem garantir os fundos necessários para pagar um lugar no calendário, e atualmente o Mundial de Velocidade é extremamente apetecível do ponto de vista comercial, Carmelo Ezpeleta finalmente terá os 22 Grandes Prémios que tanto deseja.
Mas existe ainda um outro fator a ter em conta no desenhar do calendário: o tempo.
Os pilotos e equipas já se queixam de ter pouco tempo com o atual calendário, e esticar os seus recursos para fazer mais corridas pode ser problemático. Para ganhar tempo, a Dorna poderá então optar por reduzir o período de prétemporada e respetivos testes. Para compensar a perda de tempo de testes, as equipas poderão ter mais tempo de testes pós-corridas.
Também o número de pilotos em pista irá aumentar a partir de 2022.
A Dorna não quer aceitar a entrada de novos fabricantes. O objetivo é manter os atuais seis fabricantes (Aprilia, Ducati, Honda, KTM, Suzuki, Yamaha), mas reformular a forma como os seis colocam motos em pista.
A intenção é limitar o número de motos de cada fabricante em MotoGP. Cada fabricante poderá ter uma equipa de fábrica e uma equipa satélite. Se tivermos em conta que são seis fabricantes, e que cada equipa terá dois pilotos, isso permitirá ter um total de 24 pilotos em pista.
Honda, KTM, e Yamaha não terão de fazer qualquer alteração à sua estratégia de equipas. A Ducati terá de perder uma equipa satélite. Aprilia e Suzuki terão de fornecer mais duas motos para além das que usam nas suas equipas de fábrica, encontrando, claro, uma estrutura satélite que queira competir com as suas motos.
Há no entanto que ter em conta que há fabricantes que podem não ter condições para fabricar e fornecer motos a equipas satélite. Por exemplo a Suzuki, pela voz do seu diretor desportivo Davide Brivio, já fez saber que o seu departamento de competição de MotoGP não tem capacidade para suportar mais duas motos para além das duas da Ecstar Suzuki. Mas daqui até 2022 muita coisa pode acontecer neste particular.
Um ponto de vista interessante no caso de termos 24 pilotos em pista será a possibilidade de termos mais espaço para o aparecimento de novos valores em MotoGP, vindos das categorias mais baixas do Mundial de Velocidade, principalmente das Moto2.A última e também uma importante alteração que Carmelo Ezpeleta e a Dorna pretendem implementar a partir de 2022, é diminuir a escalada de custos no desenvolvimento das motos de MotoGP.
A cada ano que passa temos visto os diversos fabricantes apostarem em diferentes novidades aerodinâmicas, algumas polémicas, como foi o caso do “spoiler” inferior da Ducati esta temporada, e que inevitavelmente levam a um aumento dos custos de desenvolvimento.
A Dorna irá limitar bastante o desenvolvimento de soluções aerodinâmicas, reduzindo os custos. Um efeito secundário desta medida será uma maior igualdade de meios entre as equipas, o que por sua vez resultará em corridas mais disputadas e com mais pilotos a terem hipóteses de ganhar uma corrida de MotoGP.
Para já estas são apenas algumas das hipóteses que Carmelo Ezpeleta e a Dorna colocam em cima da mesa de negociações. Daqui e até chegarmos a um acordo final com as equipas e fabricantes ainda deverão existir muitas cedências de parte a parte, mas a verdade é que poderemos esperar uma revolução importante em MotoGP e no Mundial de Velocidade a partir de 2022.
andardemoto.pt @ 6-6-2019 21:04:28
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