Há velocidades invisíveis no MotoGP
Uma MotoGP atinge mais de 350 km/h se as circunstâncias assim permitirem. Mas quais são as velocidades a que os componentes da moto se movem? Alguns deles movem-se a velocidades alucinantes!
andardemoto.pt @ 8-11-2019 09:00:00
Velocidades máximas acima dos 350
km/h, dependendo dos circuitos, são já algo comum em MotoGP, mas a Repsol, patrocinadora principal da equipa de fábrica da Honda e do pilotos Marc Marquez, dá-nos agora uma visão exclusiva de um
outro tipo de velocidades, aquelas que não vemos!
Hoje em dia as MotoGP percorrem os circuitos a velocidades médias entre os 160 e os 185 km/h, dependendo do circuito e das condições, e a Dorna mostra-nos em que
velocidade um certo piloto está a andar durante a corrida, através de gráficos em tempo real.
Mas dentro dos motores das motos de MotoGP, existem muitas peças que se movem a tempos diferentes e de diferentes formas. O motor atinge regimes de rotação superiores a 18.000 rpm quando o piloto exige a potência máxima.
A tais velocidades cada válvula de cada cilindro abre e fecha 150 vezes
por segundo! Isto é algo difícil de imaginar pelo adepto comum da categoria
rainha. A carga que esse movimento recíproco coloca nas peças exige a utilização de válvulas pneumáticas, uma vez que as molas convencionais não possuem a
resistência nem a capacidade mecânica necessária.
Os injetores, que seguem o mesmo ritmo que as válvulas,
realizam cerca de 9.000 injeções de combustível por minuto quando o motor
está na sua capacidade máxima. Os pistões movem-se no interior do cilindro a velocidades médias de cerca de 29 m/s (metros por segundo), algo ligeiramente mais
rápido do que 100 km/h. Não parece muito, mas estamos a falar da velocidade
média de uma peça que percorre aproximadamente 48 milímetros de distância de cada vez, ficando completamente estacionária até voltar à sua velocidade máxima, duas vezes por cada rotação do motor.
Este processo é repetido 18.000 vezes a cada minuto numa distância que é menor
do que a largura do seu telemóvel! Ser constantemente submetido a tais
acelerações e desacelerações coloca muita pressão sobre os pistões e sobre as bielas que os unem à cambota.
Passando
para outros componentes, as rodas da moto podem exceder as 50 rotações por
segundo a uma velocidade de 300 km/h. Para colocar isso em perspetiva, uma
máquina de lavar que trabalhe a 1500 rpm só faz 25 rotações por segundo.
Os discos de carbono, que fazem parte do sistema de travagem, giram à mesma
velocidade da roda, mas estão sujeitos a condições muito mais adversas. Ao travar a fundo,
como por exemplo na Curva 1 do Circuito de Sepang , os discos registam um aumento de temperatura dos 250º C aos quase 800º C em apenas seis segundos. Quando o piloto larga manete do
travão, o disco começa a arrefecer, e fica pronto para a curva seguinte. Por
falar em travagem, os pilotos passam entre 20% e 30% do tempo a travar durante
uma volta, e em alguns circuitos travam durante mais de 30 segundos por volta.
Os discos não são o único componente que tem que trabalhar numa temperatura
específica. O motor também pode ter problemas se as temperaturas forem
excessivas. Para controlar a temperatura do motor é utilizado um líquido
refrigerante. Este fluido é acionado por uma bomba, movida pelo próprio motor,
que o faz circular através do radiador, onde é arrefecido para se manter constante abaixo do ponto de ebulição.
A rotações elevadas o fluxo
do líquido refrigerante pode exceder os 100 litros por minuto, o equivalente a
esvaziar uma garrafa de litro e meio a cada segundo.
Os
gases de escape também atingem temperaturas notáveis, a rondar os 700º C, e fluem a cerca de 350 km/h. mas ondas sonoras provocadas pelas explosões nos cilindros, movem-se dentro do sistema de
escape a velocidades de 500 m/s, equivalente a 1.800 km/h!
Durante uma volta ao Circuito das Américas, no Texas, os pilotos podem fazer
cerca de 30 passagens de caixa, algumas delas tão rápidamente que pode parecer que não
houve tempo suficiente para engrenar uma nova relação. Mas graças à
caixa de velocidades “seamless”, uma MotoGP pode fazer estas mudanças em
apenas um centésimo de segundo.
No total, cerca de 600 trocas de caixa durante
uma corrida equivalem praticamente a 15 trocas de caixa por minuto. O que é muito se
compararmos com o que fazemos quando conduzimos a nossa moto na estrada, mesmo num
ambiente urbano!
Embora a centralina (ECU) não se mova fisicamente, a ECU está
sujeita à velocidade de transferência de dados. Durante um Grande Prémio os
engenheiros da equipa podem acabar por descarregar mais de 30 GB de informação recolhida através do painel de instrumentos. Alguns dos sensores da moto fazem
até 1.000 medições por segundo e a ECU é capaz de ajustar o funcionamento dos
sistemas eletrónicos instantaneamente.
Estes são alguns dos dados invisíveis sobre as velocidades durante um Grande
Prémio de MotoGP.
Agora que já sabe as velocidades incríveis de MotoGP, vai poder desfrutar das corridas de uma outra forma!
andardemoto.pt @ 8-11-2019 09:00:00
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