MotoGP – Yamaha nas mãos dos rivais
A Yamaha está em excelente posição para conquistar o título de pilotos e de construtores de MotoGP. Mas os motores dos protótipos da casa de Iwata estão a dar imensas dores de cabeça aos engenheiros. Uma possível solução para o problema parece ter sido encontrada, mas serão os fabricantes rivais que têm a última palavra.
andardemoto.pt @ 4-8-2020 12:17:04
Duas
corridas, duas vitórias. Uma dobradinha e até um triplete no GP da Andaluzia. A
Yamaha Racing não poderia estar mais satisfeita com este início de temporada de
MotoGP, em que dominou por completo as duas corridas e tem Fabio Quartararo
(Petronas Yamaha SRT) e Maverick Viñales (Monster Energy Yamaha) destacados nas
duas primeiras posições da classificação.
Porém, nem mesmo as vitórias e os pódios parecem estar a deixar os engenheiros
da Yamaha dormir descansados.
Se no Grande Prémio de Espanha foi Valentino Rossi a abandonar a corrida devido
a um aviso de problema de motor, no Grande Prémio da Andaluzia, também
realizado no escaldante circuito de Jerez Ángel Nieto, foi a vez de Franco
Morbidelli (Petronas Yamaha SRT) ter de desistir daquele que seria um excelente
resultado para o piloto italiano.
Em ambos os casos o problema foi no motor da Yamaha YZR-M1.
Analisando os quatro pilotos que a Yamaha tem em MotoGP e os motores usados por
cada um, percebemos que a marca japonesa tem pela frente e até final da temporada
uma missão altamente complicada ao nível da gestão dos motores disponíveis.
Viñales já utilizou cinco motores, Rossi, Quartararo e Morbidelli usaram
quatro. Destes motores, três estão já fora de ação: o motor número 2 de Viñales,
o motor número 1 de Rossi (que partiu na primeira corrida de Jerez) e o motor
de Morbidelli que não aguentou a segunda corrida de Jerez.
A Yamaha enviou para a sede no Japão dois motores, que foram abertos e
analisados pelos engenheiros de Iwata. De acordo com Lin Jarvis, o problema já
está identificado e uma solução para o problema está a ser desenvolvida.
No entanto, aplicar essa solução no motor da M1 poderá revelar-se mais
complicado do que parece.
Os motores dos protótipos de MotoGP são aprovados e selados antes da temporada
começar. E este ano não foi exceção, apesar da situação atípica da pandemia.
Assim, qualquer modificação que seja necessária realizar no motor, terá de ser
aprovada pelos fabricantes rivais (sem exceção) e não poderá significar uma
melhoria no rendimento do motor. A alteração apenas pode acontecer devido a uma
situação de potencial perigo para os pilotos.
Neste momento parece que a Yamaha não irá conseguir justificar esta falha como
um perigo potencial para os pilotos, pelo que estará nas mãos dos seus rivais
aprovar ou não aprovar a modificação e utilização de um novo componente no
motor da M1.
Com uma temporada mais curta do que o previsto, a quantidade de motores que
cada piloto tem para usar durante a temporada viu-se reduzida de sete para
cinco motores.
A partir da ronda de Brno, já este fim-de-semana, a Yamaha terá de realizar uma
rotação especialmente cuidada dos motores que os seus quatro pilotos utilizam.
Terá de deixar os motores menos “rodados” para as corridas, e os motores com
mais tempo de utilização serão usados nos treinos livres e qualificações.
Caso as Yamaha voltem a sofrer o mesmo problema de motor nas próximas corridas,
o que já é complicado agora poderá tornar-se ainda pior.
A situação das Yamaha é todavia mais complicada quando analisamos o que
acontece com todos os outros rivais. Honda, Ducati, Aprilia, KTM e Suzuki
apenas usaram nas suas motos dois motores!
Num ano em que parece ter uma vantagem na corrida para o título, a Yamaha
Racing enfrenta agora um problema que os poderá deixar em dificuldades maiores.
Caso os pilotos Yamaha tenham a necessidade de utilizar um motor extra para
além dos cinco que podem usar, terão de partir para a corrida a partir do fim
do “pit lane”.
Sabendo-se que qualquer ponto é crucial em 2020 para garantir o título, tanto a
Monster Energy Yamaha como a Petronas Yamaha SRT vão ter de encontrar forma de
manter “frescos” os motores que Viñales, Rossi, Quartararo e Morbidelli ainda
têm à sua disposição.
andardemoto.pt @ 4-8-2020 12:17:04
Clique aqui para ver mais sobre: MotoGP