A reação de Miguel Oliveira à chegada a Portugal

Um dia depois da vitória histórica no Grande Prémio da Estíria, Miguel Oliveira regressou a Portugal. Pediu aos fãs que não o esperassem no aeroporto de Lisboa, mas concedeu à imprensa alguns minutos. Aqui fica a reação de Miguel Oliveira à chegada a Portugal depois da primeira vitória em MotoGP.

andardemoto.pt @ 24-8-2020 21:08:58

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Pouco mais de 24 horas depois de ter assinado aquele que foi mais um momento histórico para o motociclismo português, e para Portugal enquanto nação, Miguel Oliveira finalmente aterrou em solo nacional.

Infelizmente para o próprio Miguel Oliveira, que merecia uma receção com a presença dos seus fãs no aeroporto de Lisboa, mas também para os fãs que já se organizavam para encher as chegadas do aeroporto da capital portuguesa, a situação de pandemia que ainda vivemos obrigou o piloto da Red Bull KTM Tech3 a pedir que os fãs não estivessem à sua espera no aeroporto.

OS fãs cumpriram, mas o piloto português que venceu o GP nº900 do Mundial de Velocidade compensou, de certa forma, a ausência dos fãs e permitiu que a imprensa estivesse alguns minutos no auditório Ícaro do aeroporto Humberto Delgado em Lisboa.



E foi precisamente para os fãs que Miguel Oliveira dedicou os primeiros minutos de conversa com a imprensa:

Miguel – Obviamente depois desta grande vitória, desta grande conquista, é sempre muito lisonjeante ter esta receção. Julgo que a receção poderia ter sido vivida de uma forma mais apoteótica se não estivessemos nesta situação que vivemos atualmente com o covid, mas julgo que da minha parte seria o mais responsável apelar a todos os fãs para que tentassem vir o menos pessoas possível fazer uma receção. Obviamente para mim correr o risco de contrair o virus é altamente limitante por não poder sequer entrar no paddock. As medidas que o MotoGP tem tomado têm sido fantásticas e têm servido de exemplo para todas as federações e campeonatos. E quero deixar uma nota sobre ontem.  É inexplicavel o sentimento de gratidão que eu tenho por ter recebido tantas mensagens, tanto apoio, tantos comentários, e quero deixar essa palavra de agradecimento e gratidão a todos os fãs, a todos os portugueses que apoiaram, e que vibraram tanto ou mais do que eu naquela última volta. Muito obrigado!

Miguel, que sonho é que persegues? É ser campeão do mundo?
Miguel Oliveira -
Sim, ser campeão do mundo obviamente que é um sonho, mas acho que posso dizer que é mais um objetivo. Continuando nesta linha das vitórias e dos pódios é sem duvida possivel. O acumular de pontos no final do campeonato é que conta. Estamos a viver uma situação completamente distinta daquelas das temporadas anteriores, temos rondas de corridas seguidas umas às outras e é tudo muito imprevísivel. Temos corridas em que as coisas correm de uma forma, depois outras em que correm de forma que não estamos à espera, como as bandeiras vermelhas na Áustria, e portanto julgo que o importante para alcançar qualquer título é manter a consistência.



A duas voltas do fim estavas na terceira posição. Nos últimos dias fala-se muito na inteligência. Foi a tua inteligência que foi determinante para conquistar esta tão desejada vitória?
Miguel Oliveira - Julgo que é sempre necessário racicionar em cima da moto, a estratégia, saber ler os adversários e prever certas situações. À velocidade a que tudo se passa parece fácil visto de fora, mas a realidade é que existe muito pensamento, muito foco. A última volta de ontem foi simplesmente um aproveitar de oportunidades e colocar-me no sítio certo à hora certa.

Esta vitória chegou mais cedo do que aquilo que esperavas?
Miguel Oliveira - Não (risos)! Eu esperava um pódio primeiro, mas tudo começa por nós acreditarmos e eu não me via a chegar em terceiro ou em segundo. O aproveitar a oportunidade fez-me acreditar que o primeiro lugar era possível.

Vamos ter o GP de Portugal. Como é que vês a possibilidade de seres o vencedor dessa corrida?
Miguel Oliveira - O GP de Portugal é um grande prémio onde vamos chegar todos numa situação incerta por não podermos testar nessa pista. A maior parte da grelha não conhece o traçado e eu conheço, portanto tenho essa pequena vantagem, e espero que seja um fim-de-semana em grande sobretudo por termos um grande evento de nível mundial e sobretudo para mim enquanto português a correr no MotoGP, poder usar esse dia para brindar os portugueses com um grande espetáculo e o meu desejo é que seja a vitória.

Conseguiste dormir esta noite?
Miguel Oliveira - Consegui, consegui dormir! Ontem parecia um sonho, mas felizmente vivi-o bem acordado. Foi fantástico.



Sentes que com esta vitória os restantes pilotos de MotoGP já olham para ti como um candidato ao título?
Miguel Oliveira - Sim, à medida que nos vamos colocando em lugares mais desejados obviamente que a atenção é outra e o estudo dos nossos rivais é redobrado. Mas é algo natural, vivemos numa época onde o respeito entre os pilotos é um tópico regular, e eu gosto de ser respeitado. Mas isso é algo que se ganha.

Dos parabéns que recebeste houve algum mais especial?
Miguel Oliveira - Todos são especiais por diversos motivos. Recebi os parabéns de pessoas de todas as áreas, e daí sentir-me tão grato porque não tinha a noção que estava tanta gente a ver a prova e a vibrar.

Qual foi a reação dos outros pilotos por teres ganho de forma tão espetacular?
Miguel Oliveira -
No geral acho que todos os concorrentes ficaram contentes por ter sido eu a ganhar, excluindo um ou outro.

Falaste nos portugueses e no apoio. Quando é que pensas em poder festejar com eles?
Miguel Oliveira - Espero que, para o bem de todos, o antes possível. Mas quando tiverem reunidas todas as condições. É estranho logo na cerimónia do pódio em que não temos público, o ambiente que se vive no paddock é muito diferente, sem os fãs a circular a pedir fotos e autógrafos. Mas é há muito bom podermos estar a praticar aquilo que gostamos de fazer.



O que é que foi mais importante na corrida? Teres mudado o pneu, o arranque de um piloto que falhou à tua frente e deixou o caminho aberto até à primeira curva, ou a luta entre o Pol e o Jack na última curva?
Miguel Oliveira - Foi uma combinação de fatores. Em primeiro lugar, quando saí para a grelha na primeira parte da corrida saí com o pneu duro, mas olhei para o céu e vi tantas nuvens que pensei que a temperatura iria baixar bastante, e quando cheguei à grelha pedi à equipa para trocarem o pneu da frente. Rapidamente no início da corrida comecei a dizer mal da minha vida, mas a partir do meio da corrida estava já num ritmo muito interessante e competitivo para chegar nos lugares do top 5. Depois acontece a bandeira vermelha e tive a oportunidade para trocar para o pneu que eu não queria no início da corrida. Também fizemos uma estratégia para ter um pneu novo traseiro. E isso mudou por completo a minha corrida. O arranque foi ótimo, fui mais competitivo, uma primeira curva excelente, posicionei-me bem para a travagem da curva 3, e o resto é história, é competição. Há quem diga que não foi uma corrida normal... é verdade, mas foi uma oportunidade que esteve lá para todos aqueles que a pudessem agarrar, e felizmente fui eu.

E pudeste oferecer ao Hervé, com 20 anos de MotoGP, que nunca tinha subido ao lugar mais alto do pódio!
Miguel Oliveira - A minha equipa tem um historial incrível na categoria do MotoGP. Analisando os nomes das lendas que passaram por aquela equipa e não conseguiram a vitória é muito lisonjeante para mim dar esta vitória à equipa. Fez-se história em muito aspetos.

O teu pai já fala em título. O que dizes disso?
Miguel Oliveira - (risos) O meu pai, de todos os que acreditam em mim, deve ser o mais otimista. Não digo que seja demasiado otimista apontar-me ao título, mas eu sinto-me sem dúvida um piloto capaz de ser campeão do mundo. Mais cedo ou mais tarde sei que isso vai acontecer. Coloco muito profissionalismo, muita dedicação, muita preseverança, e acho que no final do dia, mais cedo ou mais tarde os resultados acabam por chegar.

andardemoto.pt @ 24-8-2020 21:08:58


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