MotoGP Teste Portimão – Aleix Espargaró rodou abaixo do recorde de Jonathan Rea!
No primeiro dia de testes de MotoGP no Autódromo Internacional do Algarve o piloto espanhol levou a sua Aprilia RS-GP a percorrer o circuito em 1m40.170s. Aleix Espargaró rodou abaixo do recorde de Jonathan Rea numa Superbike.
andardemoto.pt @ 8-10-2020 10:36:02
O
momento tão aguardado finalmente aconteceu: os protótipos de MotoGP estão
novamente a rodar num circuito português, neste caso no Autódromo Internacional
do Algarve. Com dois dias de testes programados, o circuito algarvio recebe grande
parte do plantel de MotoGP e os pilotos de testes oficiais de cada fabricante,
que assim poderão ficar a conhecer a tão famosa “Montanha Russa” localizada no
sul de Portugal.
Esta sessão de testes de MotoGP permite que muitos pilotos tenham então o seu
primeiro contacto com o AIA. Alguns já ali rodaram várias vezes aos comandos de
superdesportivas, como são os casos de Miguel Oliveira, Aleix Espargaró ou até
Alex Rins. Mas para a grande maioria, esta foi a primeira vez que rodaram no
autódromo algarvio. E as opiniões não podiam ser melhores!
No final de um dia de testes intenso, em que a temperatura atingiu os 27 graus,
a grande curiosidade era saber como os pilotos de MotoGP iriam reagir às
constantes subidas e descidas do AIA, enfrentando várias curvas “cegas”. A
opinião dos pilotos aponta o Autódromo Internacional do Algarve como sendo um circuito
fantástico, mas que aos comandos de uma MotoGP será muito difícil, pois a roda
da frente vai estar sempre a querer levantar so asfalto.
E por falar em asfalto, o circuito português recebeu recentemente um novo
tapete de asfalto. O resultado dos trabalhos terminados há poucos dias pela
equipa do Autódromo Internacional do Algarve foi positivo, com o nível de
aderência do circuito a estar já bastante elevado.
No entanto convém ter em conta que a ronda portuguesa de MotoGP vai realizar-se
em finais de novembro, altura em que habitualmente as temperaturas descem
bastante, mesmo no Algarve. Por essa razão, os pilotos a tempo inteiro de
MotoGP mostram-se cautelosos em relação à aderência dos pneus Michelin, e é por
isso que os pilotos de teste de cada fabricante estão a rodar o mais que podem
com os protótipos da categoria rainha, armazenando informação vital para
preparar a corrida portuguesa.
Quanto a tempos, Aleix Espargaró, um dos pilotos que já conhecia o traçado
luso, aproveitou para mostrar isso mesmo. Ao contrário dos restantes pilotos de
MotoGP, tanto o mais velho dos irmãos Espargaró como Bradley Smith puderam
rodar com as Aprilia RS-GP. Um benefício das concessões dadas à marca italiana.
A meio do dia Aleix já era o mais rápido em pista, mas foi apenas da parte da
tarde que o espanhol levou a sua Aprilia RS-GP a completar uma volta ao AIA em
1m40.170s!
Este tempo é já mais rápido do que o recorde absoluto de Jonathan Rea na sua
Kawasaki Ninja ZX-10RR do Mundial Superbike. Rea, que se prepara para alcançar
o sexto título de SBK no Estoril dentro de alguns dias, é considerado o “rei”
de Portimão. O norte-irlandês domina o circuito português como ninguém e detém
os vários recordes: recorde absoluto e em qualificação (1m40.372s) e ainda o
recorde em corrida (1m41.272s).
Se tivermos em conta que os recordes de Jonathan Rea foram obtidos em contexto
de competição, e por isso sem estar preocupado com testes de componentes ou
afinações, podemos perceber que este tempo de Aleix Espargaró, embora à
primeira vista não seja assim tão melhor do que uma Superbike, é na realidade
um bom indicador do potencial das MotoGP no Autódromo Internacional do Algarve.
Sem a preocupação de testar componentes e com muitas voltas acumuladas, certamente
veremos as MotoGP rodarem bastante abaixo dos tempos obtidos pelas Superbike.
Com Aleix Espargaró a ser o mais rápido em pista no primeiro dia, Bradley Smith
seguiu o seu companheiro de equipa da Aprilia e foi o segundo melhor a nove
décimas do espanhol, enquanto o piloto de testes da Ducati, Michele Pirro, que
rodou com a MotoGP da casa de Borgo Panigale, foi o terceiro mais rápido em
pista com a melhor volta em 1m41.654s.
Quem também marcou presença no AIA foi o português Miguel Oliveira.
Infelizmente sem poder pilotar a sua KTM RC16, e com a marca austríaca a não
contar com uma superdesportiva na sua gama, o piloto de Almada entrou em pista
aos comandos de uma Yamaha YZF-R1 com carenagens desprovidas de qualquer marca.
Apenas o número 88 no frontal.
Miguel Oliveira foi um dos pilotos que se mostrou surpreendido com o nível de aderência
do asfalto algarvio. Tendo rodado já várias vezes neste circuito, o piloto da
KTM Tech3 tem uma boa ideia do estado do asfalto antigo, e também dos muitos ressaltos
que o piso apresentava.
Mais do que os tempos por volta, em que fez o 8º tempo (1m44.700s), Miguel
Oliveira foi uma das vozes que elogiou o circuito português e revelou que esta
é a opinião geral: “Fantástico.
Surpreendido já pelo nível de aderência do asfalto com tão pouco tempo de ‘cura’,
com o asfalto a melhorar volta após volta. O circuito ficou, em relação ao que
era há uns tempos atrás ao nível dos ressaltos, muito mais aplanado, e temos
aqui um circuito divertido para nos divertirmos aqui em novembro com as MotoGP.
Não pude testar com a minha moto porque perdemos dois pontos de concessão, mas
estou contente por ter tido este contacto mesmo com uma moto de estrada”.
E qual foi o “feedback” que tiveste dos outros pilotos em relação ao autódromo?
“Acho que todos estranharam primeiro
porque é difícil aprender o circuito, tem quase todas as curvas cegas, em que
não vemos ou a entrada ou a saída, para aprender e ter propriamente a noção das
trajetórias não é fácil à primeira, mas depois entranha-se. Acho que é geral, a
opinião de todos é que o circuito é fantástico, tem todas as condições para
receber o MotoGP. Dos pilotos que pilotaram uma MotoGP ainda não tenho esse
feedback, mas deverá ser muito semelhante ao nosso”, referiu Miguel
Oliveira.
Dos pilotos de teste que puderam rodar com os protótipos de MotoGP no Autódromo
Internacional do Algarve, e que o vão fazer num segundo dia de testes,
destacamos ainda Stefan Bradl (Honda HRC) que foi o 4º melhor, enquanto Dani
Pedrosa (KTM) ficou logo atrás, tendo surpreendido pela quantidade de voltas
completadas ao AIA: 80 voltas!
Neste teste destaca-se ainda a presença, finalmente, de Jorge Lorenzo.
O espanhol, três vezes campeão do mundo de MotoGP, tem sido um tema de conversa
no “paddock” do Mundial de Velocidade. Muitos estranham o facto da Yamaha
Racing não usar o talento do espanhol de Palma de Maiorca para testar mais
vezes a Yamaha YZR-M1, uma moto que tem tido vários problemas.
A última vez que Lorenzo se tinha sentado na M1 foi nos testes de
pré-temporada, em Sepang. Quase nove meses depois o piloto espanhol regressou
aos comandos do protótipo da casa de Iwata, ainda que a versão 2019 da M1,
facto que Lorenzo frisou nos seus comentários a este teste.
Depois de tanto tempo afastado das pistas, Lorenzo terminou o primeiro dia em
Portimão com o 10º tempo, sendo que a sua melhor volta foi 4,7 segundos mais
lenta do que a volta de Aleix Espargaró.
Jorge Lorenzo mostrou-se satisfeito por poder voltar a pilotar uma MotoGP e
também com o circuito: “A pista é
maravilhosa É única, comparada com outras pistas tem muitas alterações de elevação,
e isso é muito divertido”, confirmando também que no segundo dia de testes
irá trabalhar nas afinações.
Também Maverick Viñales e Valentino Rossi se mostraram muito satisfeitos com o
circuito algarvio. O espanhol frisou que os cavalinhos serão uma grande
dificuldade “pois precisamos de ter
apoio na frente”. Viñales não escondeu qual a sua parte favorita do
circuito: “A última curva é fantástica!
Adoro-a. Eu esperava que a pista fosse mais comprida, na realidade é bastante
curta, mas eu gosto dela”.
Valentino Rossi também partilha da satisfação geral dos pilotos de MotoGP em
pilotar no Autódromo Internacional do Algarve: “Pilotar aqui é muito interessante, porque a pista é bonita e
tecnicamente muito difícil. É uma pista estranha por causa das muitas
alterações de elevação. Mas é bonita e o asfalto é bom, tem boa aderência. Temos
três ou quatro pontos que são um pouco assustadores, porque temos saltos
grandes. Será difícil conseguir manter uma MotoGP em contacto com o asfalto”.
Quanto aos restantes pilotos a tempo inteiro de MotoGP, Andrea Dovizioso e
Danilo Petrucci rodaram com as Ducati Panigale V4 Superleggera, enquanto Tito
Rabat, Johann Zarco, Francesco Bagnaia e Jack Miller usaram as Panigale V4 S.
Joan Mir, que tem oportunidade de alcançar a liderança de MotoGP já este fim de
semana no Grande Prémio de França, rodou com uma Suzuki GSX-R1000R, tal como
fez Alex Rins. Da parte da Honda vimos opções distintas: Alex Marquez teve a
oportunidade de rodar com uma Honda RC213V-S, a versão de estrada de uma MotoGP
da marca japonesa, e que estava vestida com as cores da Repsol Honda, enquanto
Takaaki Nakagami usou uma Honda CBR1000RR-R Firablade SP.
Por último temos Pol Espargaró, que completou o seu dia de testes em Portimão
aos comandos de uma Honda CBR1000RR Fireblade de geração anterior.
Inclusivamente equipada com óticas.
Todos estes pilotos não usaram os “transponders” pelo que os seus tempos não
são conhecidos, ao contrário de Maverick Viñales, Miguel Oliveira e Brad
Binder, com o sul-africano a ser bastante ajudado pelo português ao longo do
dia, inclusivamente usando a moto de Miguel Oliveira para realizar 17 voltas
consecutivas antes de dar o seu dia por terminado.
No segundo dia de testes de MotoGP no Autódromo Internacional do Algarve os
pilotos oficiais de teste de cada fabricante vão continuar a rodar, enquanto os
restantes pilotos estarão a caminho de Le
Mans para mais uma ronda do Mundial de Velocidade. – Clique aqui para saber os
horários do Grande Prémio de França
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