MotoGP – Os segredos da Ecstar Suzuki GSX-RR
À beira de conquistar títulos no Mundial de Velocidade, o protótipo da casa de Hamamtsu sofreu uma enorme evolução esta temporada. Fique a conhecer melhor alguns dos segredos da Ecstar Suzuki GSX-RR de MotoGP, e como isso ajuda Joan Mir e Alex Rins a estarem à beira de fazer história na categoria rainha.
andardemoto.pt @ 9-11-2020 14:59:31
A
vitória de Joan Mir, a sua primeira em MotoGP, deixou os fãs da Suzuki a sonhar
com o ambicionado título que escapa à marca japonesa desde que Kenny Roberts
Jr. o conquistou no início da década 2000.
Com apenas treze pontos a separarem o jovem piloto espanhol do título de MotoGP,
e com Alex Rins a também estar na luta pelo campeonato e a ajudar a Ecstar
Suzuki a poder conquistar outros títulos, está na hora de percebermos melhor
como é que a GSX-RR consegue tão bons resultados neste final de temporada.
Sem esquecer todo o plano delineado por Davide Brivio em conjunto com os
responsáveis japoneses da Suzuki, um plano que se iniciou há alguns anos e que
pode vir a culminar numa temporada notável a todos os níveis em 2020, e também
a forma como os pilotos Joan Mir e Alex Rins encararam esta temporada, a
verdade é que o fator que mais contribuiu para este salto qualitativo e de
resultados é a Suzuki GSX-RR.
Considerada atualmente como a melhor moto do pelotão de MotoGP, a GSX-RR tem-se
revelado o compromisso mais equilibrado entre velocidade, precisão e potência
necessária para fazer frente a rivais que muitas vezes se apresentam com
motos mais potentes.
Davide Brivio e a sua equipa têm conseguido evoluir a GSX-RR sem recorrer a
mudanças radicais no conceito original do protótipo de Hamamatsu. E em 2020
estamos a assistir ao culminar do excelente trabalho feito pela equipa
japonesa.
Mais do que o motor, um elemento sempre em destaque numa MotoGP, talvez seja o
chassis da GSX-RR que merece a maior nota positiva nesta evolução que se traduz
em resultados, nomeadamente na primeira dobradinha da Suzuki na categoria
rainha desde o GP da Alemanha em 1992, obtida no Grande Prémio da Europa, com
Joan Mir a vencer e Alex Rins a ficar em segundo.
O quadro da Suzuki foi desenvolvido desde início para ser mais flexível.
Particularmente quando a moto se encontra numa posição de inclinação em ângulos
pronunciados. Esta característica permitiu aos engenheiros da Suzuki tornar a
moto menos castigadora para os pneus, pois o quadro quase que se torna num
elemento da suspensão, absorvendo parte do stress que os pneus sofrem nesses
momentos extremos.
Convém não esquecer que a Suzuki foi das primeiras equipas a utilizar em
cenário de competição o novo amortecedor traseiro Öhlins BDB50. Isso, em
conjunto com o quadro flexível, garante que os pilotos Joan Mir e Alex Rins
conseguem definir trajetórias mais apertadas do que os rivais, mantendo uma boa
velocidade em curva, e sem desgastar em demasia as extremidades dos pneus slick
da Michelin.
Mas a estabilidade em linha reta, principalmente nos momentos de travagem,
sofre quando se usa um quadro tão flexível. Para solucionar esse problema os
engenheiros da Suzuki desenvolveram um quadro dupla trave em que as traves
principais são bastante compridas, mas ao mesmo tempo esguias. Com isso a marca
japonesa garante a rigidez vertical necessária para que Mir e Rins consigam
travar forte sem sofrer movimentos indesejados.
Outro dos segredos para o comportamento estável, preciso e menos castigador
para os pneus Michelin é o novo braço oscilante.
Estamos em 2020, e numa altura em que todos os fabricantes rivais parecem
apostados em utilizar em MotoGP elementos da ciclística fabricados – ou pelo
menos reforçados – em fibra de carbono, a Suzuki GSX-RR mantém-se fiel ao braço
oscilante em alumínio. Serão os engenheiros da Suzuki “malucos”?
Na realidade a utilização de componentes em fibra de carbono é algo que tem de
ser cuidadosamente considerado na conceção do protótipo. Todos nos recordamos
como, por exemplo, em 2019, Miguel Oliveira sentiu melhorias na performance da
sua KTM RC16 quando finalmente a KTM Racing lhe disponibilizou um braço oscilante
em fibra de carbono no Grande Prémio da Holanda.
Mas nem sempre a utilização de fibra de carbono é benéfica. A fibra de carbono
pode ser fabricada de forma a ser mais ou menos flexível. No entanto, na sua
génese, a fibra de carbono será sempre mais rígida do que o alumínio. Optar por
um braço oscilante em carbono seria prejudicial ao equilíbrio do conjunto, e se
tivermos em conta os resultados, a opção por usar um braço oscilante em
alumínio vs fibra de carbono parece compensar para a Ecstar Suzuki.
Tudo isto não seria possível sem um bom motor. Claro que o motor não é igual à
unidade motriz homologada para competir em 2019. Para esta temporada a Suzuki
manteve-se fiel ao seu motor quatro em linha. É a única marca, a par da Yamaha,
que continua a apostar nesta configuração em MotoGP.
Tal como o resto da GSX-RR, também o motor é uma evolução das versões de anos
anteriores em vez de uma mudança radical. Não é o mais potente, e isso nota-se
nos circuitos onde a velocidade máxima atinge valores superiores. Mas o motor
quatro em linha da GSX-RR revela-se muito mais dócil na entrega de potência do
que os motores de rivais mais potentes.
Com isso, Joan Mir e Alex Rins puderam garantir que Pol Espargaró, apesar de
ter à disposição uma KTM RC16 bastante veloz, fruto da potência elevada
produzida pelo motor V4 austríaco, não conseguia aproximar-se da dupla da
Ecstar Suzuki na entrada para a reta da meta do circuito Ricardo Tormo. Aliás,
o próprio Pol Espargaró, que durante quase toda a corrida tentou recuperar a
liderança, afirmou após o GP da Europa que a tração da Suzuki é superior, e assim
tanto Mir como Rins conseguiram sair da última curva com mais velocidade.
Não deixa de ser curioso que a Suzuki esteja a conseguir mostrar que uma
configuração de motor quatro em linha ainda é competitiva ao ponto de estarem
perto de assegurar os títulos de piloto, equipas e construtor. A outra única
marca a usar esta configuração, a Yamaha, tem sofrido bastante para encontrar o
mesmo equilíbrio revelado pelas Suzuki GSX-RR, com a Yamaha M1 a perder nos
últimos anos o “título” de moto mais equilibrada do plantel para a rival de Hamamatsu.
A equipa liderada por Davide Brivio tem conseguido esconder as fraquezas do
tetracilíndrico em linha num campeonato dominado pelos motores V4 e a sua potência
superior. O que mais uma vez demonstra o excelente trabalho realizado pelo pequeno
departamento de competição da Suzuki na preparação desta GSX-RR vencedora.
Por tudo isto a Suzuki GSX-RR de 2020 está a mostrar ser a melhor moto do
pelotão de MotoGP. No próximo Grande Prémio da Comunidade Valenciana poderemos
ter Joan Mir a festejar o seu primeiro título de campeão de MotoGP, e assim a
Suzuki regressará ao topo da categoria rainha.
Fique atento ao seu Andar de Moto para descobrir que o esforço da Suzuki na
evolução da GSX-RR significa mesmo a conquista dos principais títulos de MotoGP
já no próximo fim de semana.
andardemoto.pt @ 9-11-2020 14:59:31
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