MotoGP 2021 GP Áustria – E tudo a chuva mudou e Binder venceu!

A ameaça da chuva pairou sobre o Grande Prémio da Áustria e a ameaça concretizou-se a poucos momentos do fim e altera por completo a história desta corrida de MotoGP. Brad Binder arriscou e venceu pela segunda vez na categoria rainha. Miguel Oliveira abandonou devido a queda.

andardemoto.pt @ 15-8-2021 13:51:07

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Para quem assistiu ao Grande Prémio da Áustria de MotoGP, nem mesmo com muita imaginação conseguiria escrever um guião para esta ronda austríaca da categoria rainha. Com a chuva a ameaçar logo nos momentos iniciais baralhar por completo a estratégia dos pilotos, a verdade é que as condições climatéricas permaneceram estáveis e permitiram aos pilotos manterem-se em pista com pneus slick.

No início, foi Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team) que conseguiu chegar à liderança mesmo com Jorge Martin (Pramac Ducati) a conseguir um bom arranque. Ainda na primeira volta foi a vez de Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha) tentar tirar proveito da agilidade da sua moto, mas acabou por tocar em Jorge Martin e, no rescaldo, lançou alguma confusão no grupo da liderança e permitiu a Marc Márquez (Repsol Honda) chegar-se a posições do pódio.

Com Bagnaia a conseguir manter-se a salvo de ataques dos rivais, o grupo perseguidor esteve sempre muito ativo e as trocas de posição entre Quartararo, Martin, Márquez, mas também com Johann Zarco (Pramac Ducati) foram uma constante no primeiro terço da corrida. Eventualmente o francês e segundo classificado do campeonato de MotoGP, Zarco, acabou por levar longe demais o seu esforço e viria a cair e abandonar o Grande Prémio da Áustria.



Na liderança, Bagnaia tentava manter-se tranquilo e levar a Ducati a mais uma vitória no Red Bull Ring. Mas outra Ducati, a de Jorge Martin, queria vencer novamente pelo segundo fim de semana consecutivo, com o “rookie” espanhol a lançar um ataque feroz à liderança, exagerando na travagem e permitindo assim que Bagnaia recuperasse a primeira posição.

Quem fazia de tudo para aproveitar estas escaramuças entre os pilotos Ducati eram Quartararo e Márquez, com os dois a trocarem também algumas vezes de posição.

Bagnaia, Quartararo e Márquez rodaram nestas posições por algumas voltas, sensivelmente a meio da corrida que teve 28 voltas. Tudo parecia estar relativamente estável e a preparar-se para os ataques nas voltas finais, mas foi precisamente a pouco mais de seis voltas do fim que o cenário começou a alterar-se por completo.

Os comissários de pista começaram a assinalar com bandeiras a presença de chuva de forma mais insistente no último setor do Red Bull Ring. Dos pilotos da frente, e já com Brad Binder (Red Bull KTM Factory) e Joan Mir (Suzuki Ecstar) junto dos quatro primeiros, ninguém queria parar para trocar para a segunda moto com pneus de chuva. Foram aguentando a pressão de manter-se em pista com pneus slick o mais que conseguiram.



Até que, a cinco voltas do fim, e com o asfalto cada vez mais molhado, Marc Márquez assume a liderança e com todos os perseguidores colados na sua traseira assume a decisão de entrar no pit lane e trocar para moto com pneus de chuva. Imediatamente todos os seus rivais – Bagnaia, Martin, Quartararo e Mir – adotam a mesma estratégia. Todos não! Na realidade houve um destemido piloto que optou por continuar em pista.

Brad Binder, que há uma semana foi quarto classificado, arriscou tudo e manteve-se em pista com pneus slick. O piloto sul-africano tentou calcular o tempo que ia perder por volta e achou que tinha margem suficiente em relação aos que trocaram de pneus para vencer em casa da KTM.

Com maior ou menor dificuldade, particularmente a partir do momento em que os pneus slick perderam temperatura e os seus discos de travão em carbono igualmente deixaram de funcionar à chuva devido à temperatura mais baixa, Binder conseguiu manter a sua KTM RC16 direita, falhando algumas travagens e trajetórias. Inclusivamente na última curva teve mesmo de passar para lá dos limites da pista, o que lhe valeu uma penalização de três segundos, mas que foi insuficiente para lhe roubar a vitória, muito merecida.



Brad Binder venceu de forma incrível o Grande Prémio da Áustria de MotoGP, sobrevivendo à chuva e arriscando tudo. Foi a segunda vitória do sul-africano na categoria rainha, ele que tinha sido o primeiro piloto a vencer com uma KTM em MotoGP, na República Checa em 2020. Desta forma a marca austríaca consegue vencer no circuito que é a sua casa, um ano depois de Miguel Oliveira o ter conseguido com uma KTM da Tech3.

Atrás de Binder ficou Francesco Bagnaia. O italiano conseguiu aproveitar a aderência superior dos pneus de chuva e na última volta ultrapassou inúmeros pilotos que, tal como Brad Binder, arriscaram continuar de slicks. Bagnaia foi paulatinamente subindo na classificação e com uma moto muito mais eficaz do que muitos dos rivais à sua frente, acabou mesmo por terminar a prova em 2º.

Quem também esteve em destaque novamente foi Jorge Martin. O “rookie” da Pramac Ducati, depois da vitória de há oito dias, voltou a subir ao pódio de MotoGP, desta feita em condições bastante complicadas.



Dos pilotos que estavam na luta pela vitória antes do aparecimento da chuva nas voltas finais, e que estão também na luta pelas melhores posições no campeonato, Joan Mir levou a Suzuki até ao 4º lugar, enquanto Fabio Quartararo, já depois de entrar com pneus de chuva, cometeu um erro que o fez perder muito tempo e cruzou a linha de meta do Grande Prémio da Áustria na 7ª posição.

Pior ainda o resultado para Marc Márquez. O espanhol era líder da prova antes de entrar para trocar de moto. Mas já depois de reentrar em pista e iniciar a perseguição ao líder Brad Binder, o piloto da Repsol Honda cometeu um erro na curva 1 do Red Bull Ring, perdeu a frente da sua RC213V. Ainda tentou fazer um dos seus “saves” incríveis, mas a falta de força no braço direito impediu o espanhol de o conseguir. Márquez ainda regressou à pista, mas viria a terminar apenas em 15º, o que ainda assim lhe permite conquistar um ponto.


Quanto a Miguel Oliveira, o piloto português da Red Bull KTM Factory teve um início de Grande Prémio da Áustria complicado.

Nos momentos iniciais após o arranque, onde acontecem sempre toques e muita confusão, o português desceu de 9º na grelha de partida e chegou mesmo a rodar em 12º. Pouco depois de passarmos a marca do primeiro terço de corrida, Miguel Oliveira pareceu começar a estabilizar, aumentou o seu ritmo chegando mesmo a rodar mais rápido do que alguns dos pilotos que estavam a discutir a vitória, e entrou então facilmente no “top 10”, seguindo o seu companheiro de equipa Brad Binder, que na altura estava também a subir na classificação.

Para Miguel Oliveira, depois da desistência há oito dias, mas também por ainda não estar a 100% fisicamente, esta corrida na Áustria era bastante importante para amealhar importantes pontos para o campeonato. O português continuou a subir posições e a seis voltas do final sobe mesmo a 8º por troca com Jack Miller (Ducati Lenovo Team).


Mas pouco depois de assegurar essa posição, Miguel Oliveira não evita uma queda e vê assim o seu esforço terminar de forma inglória na escapatória do Red Bull Ring, para seu desalento, mas também da equipa Red Bull Factory.

Com esta conjugação de resultados do Grande Prémio da Áustria, Fabio Quartararo continua a ser o líder da classificação de MotoGP com 181 pontos, mas tem agora Francesco Bagnaia em segundo com 134 pontos, os mesmos que tem Joan Mir, estando então os dois a 47 pontos de diferença do líder Quartararo.

Para Miguel Oliveira, esta segunda corrida marca uma sequência de duas rondas consecutivas com zero pontos somados. O piloto português desce para 8º e mantém então os 85 pontos que tinha acumulado até à paragem de verão.

andardemoto.pt @ 15-8-2021 13:51:07


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