Paulo Barroso

Paulo Barroso

Advogado e Offroader

OPINIÃO

Lés-a-Lés Offroad na nova Yamaha Ténéré 700

Este ano participei pela primeira vez no LaL offroad, a convite da Yamaha Portugal, aos comandos de uma Yamaha T7

andardemoto.pt @ 24-10-2019 06:35:00 - Paulo Barroso

Foto de Paulo Ministro

Foto de Paulo Ministro

A Yamaha apostou forte e bem no Lés-a-Lés offroad 2019, um evento que já é incontornável no calendário motociclístico nacional, com uma presença directa e indirecta que reuniu cerca de 40 motos, promovendo a imagem da marca e as aptidões da sua nova Yamaha Ténéré 700.

A T7 foi indiscutivelmente concebida para o offroad. Desde a imagem às capacidades reais para percorrer trilhos, e ao contrário de muitos outros modelos de várias marcas que de aventureiros só têm mesmo o aspecto, faltando-lhes os atributos técnicos que conferem verdadeiras competências para este tipo de condução, a nova Ténéré 700 mostrou-se muito competente, pelo que posso adiantar já, e com toda a certeza, que não se trata de um “SUV”.

Foto de Paulo Ministro

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Nas primeiras impressões a moto revelou-se-me esteticamente muito apelativa. Toda ela transpira Rallys, imagem colada à marca pelas suas participações em provas míticas como o Dakar.  A frente e o escape dão-lhe aquele ar de moto oficial, com um farol frontal com 4 pontos de luz, em LED e com um Look Rally muito giro. Nota máxima para a estética da mota.

O Motor é cheio e muito redondo. Talvez a característica que mais me impressionou. Tenho uma KTM 990, que tem um dos mais explosivos motores do seu segmento, sendo essa uma das características que, pessoalmente, mais gosto nela: ON/OFF, está sempre a querer deitar-nos abaixo! Esta T7 não tem esse lado explosivo e por isso já ia conformado com um motor mais amorfo e sem graça. Mas LEVEI UM SOCO VALENTE NAS MINHAS EXPECTATIVAS!

O bicilíndrico paralelo não é bruto, de facto , mas é de uma eficácia que impressiona. Não "bate" desde regimes tão baixos como as 2.000rpm (nas KTM´s e algumas outras marcas, isso só acontece acima das 3.500rpm) o que torna a condução muito agradável, permitindo circular com conforto a baixos regimes. E depois é extremamente eficaz, sem desiludir, mas também sem causar taquicardias. Está ali no meio... onde dizem que está a virtude.

Foto de Paulo Ministro

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Como o motor não assusta, incentiva a que se puxe por ele, mesmo à bruta, e o conjunto confere sempre uma grande sensação de segurança, sem sentir falta das ajudas eletrónicas (concretamente o controlo de tracção, que não tem).

Quando subimos rotações, em direção ao "redline", a T7 grita de forma muito entusiasmante e sempre sem negar potência, nem dar a sensação de ir a estragar nada, e com uma sonoridade muito boa, mesmo com o escape de origem. Com um escape Akrapovic, ou similar, o ronco deve ser ainda mais vibrante, mas em boa verdade, não me pareceu necessário.
O original faz um bom trabalho seja em modo conforto ou em modo "agarra-me se puderes". De tal forma, que dei por mim a esquecer a minha 990, e a imaginar-me de T7. A eficácia a sobrepor-se. 


Foto de Paulo Ministro

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As médias de consumo variaram entre os 5 litros e pouco e os 8 e pouco, entre condução normal sem ir a poupar e condução literalmente "a fundo". 

Nas AE (na Autobahn, obviamente) a Ténéré 700 passa a barreira dos 200km/h, mas  com alguma dificuldade. No entanto, é mais do que suficiente. Para resumir, é um motor eficaz, cheio e perfeito para ser todo espremido, já que nem se notam vibrações incomodativas. Muito gozo, grande equilíbrio, sem dúvida: nota 10.

A posição de condução é perfeita. Pela primeira vez encaixei-me bem numa moto, logo à primeira, sem necessidade de subir o guiador. Na condução em pé tem na carenagem traseira um bom “encosto” nas pernas, o que dá muito jeito. E apenas a posição do pedal do travão traseiro requereu alguma afinação.

Foto de Paulo Ministro

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O travão traseiro foi o ponto mais negativo que encontrei na T7. Certamente suficiente para uma utilização normal, mas considerando que esta Yamaha pedia para ser bem espremida, o desempenho da travagem da roda traseira, em offroad, não foi brilhante e o disco mudou de cor algumas vezes. Por isso fica a nota que, para uma utilização mais agressiva, o travão traseiro pode necessitar de um upgrade. 

O ABS é desligável. No entanto, há que ter o cuidado de o desligar sempre que se liga a moto, para o offroad, já que ele está automaticamente ligado por questões de segurança. Para o efeito tem um botão dedicado, o que torna a operação muito simples e prática.

Foto de Paulo Ministro

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Relativamente ao Lés-a-Lés offroad, este evento está com um número crescente de participantes e a cada ano revela-se uma proposta mais tentadora. Excelente organização, com serviço de transporte de bagagem da partida para a chegada, e pontos de descanso, onde eram fornecidos alimentos e água/bebidas, que incentivavam também ao descanso e convívio dos pilotos.

Um pormenor simpático foi a passagem dos participantes ter sido registada por fotógrafos, ao longo do percurso, dando boas imagens para recordação e partilha com os amigos.

O percurso deste ano tinha pistas com muita pedra e alguma dificuldade para os menos experientes, especialmente no primeiro dia, no Norte, mas houve, pelo meio, algumas pinceladas de estradas de bom alcatrão, com curvas pedidas a Deus, o que dava para descansar o corpo entre pistas e alargar o sorriso ao som das peseiras a raspar no asfalto. 


Foto de Paulo Ministro

Foto de Paulo Ministro

Vi que muitos participantes decidiram levar motos de enduro para esta prova, mas acreditem, de T7 tinham-se divertido muito mais. Ela fez tudo com muita facilidade, e nos trajectos em asfalto das ligações, a T7 dava o mesmo gozo que nos trilhos, coisa que as motas de enduro não conseguem dar.

A T7 tem um excelente handling entre curvas, tornando uma estrada revirada em momentos de autêntico prazer.Mais uma vez, o motor é soberbo também neste tipo de utilização e o comportamento do conjunto é igualmente  irrepreensível. Neste ambiente o travão traseiro já não se queixou.

Em offroad as suspensões cumprem bem, e são suficientes para a grande maioria dos motociclistas, pois só numa utilização mais agressiva é que se nota alguma limitação, já que os 210mm de curso das baínhas de 43" acusam o esforço facilmente, talvez fruto das opções orçamentais para conter o preço de venda ao público da T7. Mas, considerando esse preço, quem sentir necessidade de mais, vai facilmente poder investir num melhoramento das suspensões, coisa que a maioria dos proprietários mais exigentes acabam por geralmente fazer nas suas motos.

Outros pontos menos positivos encontrei-os no tampão de gasolina, que  não está acoplado ao depósito, e que quando se abre fica na mão. Além disso parece "barato" (não choca, mas...). O painel de instrumentos, em LCD, apresenta os cinzentos típicos dos modelos mais antigos e apenas fornece a informação essencial. Comparado com a actual tendência (LCD a cor integral) é um pouco pobre.

Em conclusão:

Não existe a MOTO perfeita. Cada modelo está vocacionado e pensado para determinada utilização, e por vezes, a escolha de um modelo para uma utilização diferente do seu propósito original, pode condicionar ou adulterar as opiniões.

  • Um desenho e imagem dos mais bonitos do mercado neste segmento. 
  • Não tem ajudas electrónicas, e ainda assim a harmonia do conjunto não nos faz sentir falta delas.
  • Esta T7 respira Offroad e foi realmente pensada para isso, mostrando-se muito eficaz, mesmo nos pisos mais difíceis.
  • O painel de instrumentos é simples mas deve ser robusto e barato de substituir, tendo no entanto a informação relevante.
  • A protecção aerodinâmica é adequada, sem comprometer a visibilidade e a amplitude de movimentos típica da condução offroad, que pede um ecrã pequeno. Para uma utilização de viagem, tampouco compromete.
  • Não há vibrações incomodativas, podendo facilmente circular-se por muitos kms sem grande esforço, sobretudo à conta do assento, um dos mais confortáveis em que já andei. Foram 4 dias e 2.000kms e só pensei no assento no final. Não foi assunto - ZERO fadiga.
  • Para uma viagem pelo mundo, pode ser uma excelente opção, sobretudo pela simplicidade de construção. Menos complicada, menos avarias, mais facilmente reparáveis e a mais baixo custo e pouca manutenção. 
  • Tem um preço canhão e, por isso, não se podem exigir componentes de topo. É um compromisso assumido entre a eficácia e o preço. Não tem componentes “premium”, mas também não tem um preço obsceno. Será a opção perfeita para quem procura os três B’s - BOA, BONITA E BARATA. 

Ganhei muita empatia com este modelo. Com toda a certeza vamos ver muitas destas T7 no nosso parque Motociclistico e, sem dúvida, em viagens por esse mundo fora. E aposto que também ajuda a sacar miúdas. :)



Abaixo deixo-vos algumas imagens que captei ao longo do percurso:

andardemoto.pt @ 24-10-2019 06:35:00 - Paulo Barroso


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