Pedro "A”Ventura

Pedro "A”Ventura

Trabalha em Lx mas é Beirão e Off Rodista

OPINIÃO

O Nosso Dakar 2020

Rapaziada, aqui vai disto!

No fim de semana de 11 e 12 de Janeiro decorreu mais uma edição do Nosso Dakar, organizado pela Longitude 009, que percorre trilhos no Algarve/Alentejo. Como tinha participado e gostado da edição de 2019 , voltei a estar presente.

andardemoto.pt @ 7-2-2020 09:15:00 - Pedro "A”Ventura

Sexta-feira- 10 Janeiro 2020

Acompanhado pelo amigo João “Pequeno “Mata”, fomos por estradas nacionais até Serpa, onde entramos e fizemos em sentido contrário o trilho 2 do Nosso Dakar de 2019, sem qualquer dificuldade, mas com pó, as ribeiras já levavam água, mas com um caudal inferior ao do ano passado (já tinha feito este trilho em Novembro e estavam completamente secas). Chegada ao Hotel sem problemas, onde ficamos devidamente alojados.

Fez agora um ano (edição de 2019). Era ainda muito inexperiente, estava nervoso e ansioso à partida,  mas durante o ano fiz milhares de kms em off road, em mota pequena com o meu grupo Old Riders e em Africa Twin com o António Carrilho e participei numa data de eventos, incluindo um ACT. Ou seja, sou um piloto fraco/mediano, mas já com muito calo no cu, “o que vier, marcha” e assim estava completamente descontraído à partida, com o número  213 na minha Africa Twin Big Tank

O evento teve 400 participantes, nos quais se incluía o meu grupo: António “Monstro das Bolachas” Carrilho, Pedro “Meia Nalga” Saragoça, “KT” Elias, João Vitor “Johny”, João "Pequeno”Mata, Miguel “Calça Bonita” e cá o rapaz Pedro “A”Ventura. Eramos 4 com Africa Twin, 1 em Ktm e 2 Yamaha.

Sábado 1ª Etapa Castro Marim / Azinhal 72 Km, mais ligações

1ª enfiada e aqui vai disto: e aí vem o pó, muito pó, o trilho está muito seco, kms iniciais com muita concentração de motos, entrada na serra com muita pedra, e trilho muito fechado com curvas apertadas, e foi preciso um gajo agarrar-se à mota e concentração total na pilotagem. Numa curva deixei a roda traseira sair para precipício e foi com uma aceleradela já em desespero total, que voltei cá para cima. Fiquei com o coração a 1000 à hora, até me deu vontade de vomitar, tal foi o susto, mas siga, que para a frente é que é o caminho.

Subir, descer, pó, pedra, motas à frente, ao lado, atrás, descidas íngremes com curvas a meio… fonix .., mas tudo se fez com mais ou menos dificuldade. Chegada ao Azinhal onde um almoço volante, saboroso e devidamente organizado, ao som de um grupo local, a todos agradou. No fim do almoço, recebemos notícia do estado muito grave de um companheiro, devido a uma queda, ainda no troço de ligação inicial, que deixou todo o pessoal triste e apreensivo.

Sábado 2ª Etapa Azinhal /Alportel 85 Km

Mais do mesmo: serra, pó, pedra, na parte inicial já com menos concentração de motos, o que permitiu uma pilotagem mais relaxada, áreas mais abertas junto ao Guadiana, um pouquito de lama, que passei sempre a fundo (para nem dar tempo aos pneus de fugirem … é uma teoria minha). Novamente na serra, com o pôr do sol e o pó, a visibilidade é quase zero, um gajo vai ali a seguir a luz do travão do companheiro da frente, é muito, muito perigoso, aqui não há distâncias de segurança, não há nada! o que fazer?  Encosta-se a mota e espera-se que chova? Vai tudo ao chinês comprar regadores, para molhar o trilho? Claro que não; é agarrar ao guiador e siga, isto não é um encontro de tias com chá e scones, aqui há dificuldades para serem superadas, cada um faz o melhor que pode e sabe.


Entretanto já perto do final, numa pequena ligação por alcatrão, por distração minha, perdi-me do meu grupo, e ao limpar o pó do ecrã do telefone, sem querer, apaguei o track do wikiloc, e fiquei “cego”, logo decidi juntar-me a alguém que entretanto passasse. E  quando um gajo mais precisa, não se via uma mota. Comecei a seguir os rastos no chão, e lá apareceram dois gajos em Husqvarna, colei-me a eles durante um bocado, mas eu não tinha andamento para os acompanhar e perdi-os. Fui andando até que fiquei completamente desorientado, não fazia a mínima ideia por onde ir, parei e fiquei ali a rogar pragas e palavrões e o Criador, entre os seus muito afazeres, reparou em mim e mandou um Anjo ao meu encontro; vinha aos comandos de uma Gs, o que me levou a pensar: “porra que até no Céu a Gs se vende bem”! Dei-lhe gás e comecei a seguir o Anjo da GS, que ia algo hesitante no caminho. A seguir, mais à frente, quando parámos, fiquei a saber que se chamava António Serôdio, e confessou-me “que se tinha desorientado com o GPS, e que não estava seguro do caminho certo”. Disse-lhe que fizesse o melhor que pudesse e que nos tirasse dali para fora. Lá andámos por subidas, descidas, ribeiras e acabámos por chegar à meta, pela zona da sua saída e não pela entrada, e pelo caminho ainda encontrámos o João Jorge e o seu grupo, também perdidos. Foi uma bela e rija jornada de Off Road, mas fiquei com o amargo de boca de não ter passado o pórtico da meta correctamente. Os meus sinceros agradecimentos ao Anjo António, pela sua ajuda.

Mota lavada, lubrificada, jantar animado no hotel, xixi e cama.

Domingo 3ª Etapa Foz do Ribeiro / Minas do Lousal 160 Km mais ligações 46 km

Começamos novamente na serra, mais do mesmo: pó, pedra, sobe e desce, (mais um dia no escritório), entrada no Alentejo, já com terreno aberto e rolante, o meu companheiro António Carrilho, manda-se logo para velocidade acima dos 3 dígitos, eu começo a pensar: “se me enrolo com a mota, não se aproveita nada”, e vou com mais calma. O percurso é fácil, já no final, fiz uma abordagem muito rápida a uma zona de areia muito solta e fui parar à valeta, felizmente, sem quaisquer danos, e assim chegámos à meta sem dificuldades, um prato de sopa e de feijoada, arroz doce, e estrada para Lisboa nas calmas.


O “circo”, onde o lema é a camaradagem e a entreajuda.

Para mim é gratificante pertencer a este “circo”, onde o lema é a camaradagem e a entreajuda. O parque de motas é formidável, é só maquinas! Destaco a equipa da Royal Enfield, uma mota que quando a vi a achei feia, e agora acho-a bonita. Estive a falar com a companheira que levava a bandeira dos Açores na mota, que me disse maravilhas desta máquina. Acho que é uma excelente mota de aventura, ideal para atravessar um continente. Vi pelo menos 2 AJP, uma mota que ando a seguir com interesse (e não sei não!).

As velhinhas Africa Twin, com 20 e tal anos, ali andam elas, sempre a bombar, com os seus orgulhosos proprietários. Salta à vista a armada da Jomotos, com muitos pilotos. Ouve-se falar a língua Castelhana, diversos pilotos de Espanha, os habituais: David “Klim” Valentin, Pedro Carvalho, João Jorge, João Paulo de Oleiros, Sérgio “Chega Primeiro”, Diogo,  Luis Ferreira, Valério da Beiramoto, Videira,  Fouto,  Marreiros “500”, José Guimarães, Nelson Jorge. Recebemos a visita dos Algarvios: Alexandre “o Grande” e Luís Pires e este ano faltou, por motivos de saúde, o Mestre das reportagens de aventura, o Rad Raven (eu se hoje, adoro o off road, para isso, muito contribuíram os seus vídeos, e não devo ser o único; as melhoras companheiro).

Este ano, a Honda foi um dos patrocinadores do evento. Eu, enquanto cliente da marca, tenho 2 carros e 3 motas Honda, todos pagos com o fruto do meu trabalho (estou à vontade para falar), fico algo decepcionado quando me é entregue o saco com as ofertas do evento e da Honda recebo… uma brochura/panfleto dos novos modelos!!!!!!!!!! Não havia um porta-chaves, uma manga, um boné, uma t-shirt, uma esferográfica? Já sei que isso é marketing de mercearia, pois, mas o pessoal gosta de receber as ofertas. A Garmin ofereceu uma manga/pescoço e um porta-chaves que dão muito jeito.

No lobby do hotel estavam os novos modelos da Honda. Eu gostaria de ter alguém da marca no local que pudesse dar informações acerca das motas. Estou interessado em ver o novo ecrã, funcionalidades GPS, emparelhamento de telemóveis, se o banco novo dá para o modelo antigo, pois quero comprar um e nunca lá vi ninguém que me pudesse esclarecer. Acho muito estranho este tipo de marketing.

Foi um excelente evento, tudo devidamente organizado por companheiros sempre simpáticos e prestáveis. Os meus parabéns e agradecimentos à Longitude 009/Touratech. Em 2021, lá estarei novamente.

Quando chegar a minha vez de fazer a grande, definitiva e irreversível viagem, gostaria de ser bem velhinho e estar rodeado de carinho com a minha família, mas se o Criador me chamar abruptamente, não me importava de partir aos comandos da minha Honda.

As minhas sinceras e respeitosas condolências às famílias dos companheiros : António Veloso e Paulo Gonçalves

Um abraço a todos os Motociclistas!

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