Técnica Básica - Transmissão Final

Nos motociclos podemos encontrar diversos tipos de transmissão final, aquele dispositivo que transmite à roda, a potência do motor. Vamos ver quais os mais comuns e quais as suas vantagens e desvantagens.

andardemoto.pt @ 15-4-2018 02:49:26 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Sujeitos a enormes forças e normalmente também aos agentes externos (água, pó e areias) os componentes da transmissão final de um motociclo são normalmente vitimas de elevada abrasão e desgaste. Como tal, necessitam de uma atenção e ajustes regulares, para garantirem uma maior longevidade e um bom nível de funcionamento 
Há diversos sistemas de transmissão, e neste caso destacamos os 3 mais comuns:

Transmissão por corrente ou correia (e carretos ou polias)

Sistema de transmissão por corrente

Sistema de transmissão por corrente

Este é o mais popular e generalizado dos sistemas de transmissão final. O seu peso reduzido e o baixo custo de desenvolvimento tornam-no popular, sobretudo nos motociclos de gamas mais económicas, ou nos de características mais desportivas, já que permite substituir tanto o pinhão de ataque como a cremalheira e assim optimizar as relações de caixa de acordo com o traçado da pista.

A potência libertada pelo motor, depois de ter passado pela caixa de velocidades, é conferida a um carreto (pinhão de ataque), que, através de uma corrente, transfere a rotação para um segundo carreto (cremalheira), solidário com a roda traseira.

Pelo efeito do esforço de tensão, as correntes de elos tendem a esticar, tornando-se lassas, e pelo efeito da abrasão e do desgaste, tendem a tornar-se mais fracas e mais vulneráveis, podendo partir, o que caso aconteça, normalmente em andamento, pode originar danos noutros componentes de moto, no condutor ou passageiro, ou pior ainda, ser causa de um acidente grave.

Devem, por isso, ser alvo de frequente verificação e ajuste, para manterem um bom desempenho. No caso das correntes, é ainda necessário proceder regularmente à sua lubrificação. Também se pode recorrer a lubrificadores de corrente automáticos, que facilitam a tarefa de manter a corrente bem oleada, muitas vezes sob pena de um incremento de sujidade em toda a roda traseira e sua vizinhança.

Quando houver necessidade de substituir a corrente, deve-se também substituir ambos os carretos já que estes irão provavelmente estar deformados, e iriam produzir um desgaste acelerado numa nova corrente. Por isso normalmente se fala na substituição do “kit de transmissão”. 


Sistema de transmissão por correia

Sistema de transmissão por correia

A diferença dos sistemas de corrente para os de correia reside basicamente no facto de os sistemas de correia serem menos exigentes em termos de manutenção e mais amigos do utilizador já que, não carecendo de lubrificação, são bastante mais asseados do que os sistemas de corrente. São também mais silenciosos e causam menos vibrações e ruido de funcionamento. No entanto também carecem de ajustes, e a própria correia também tem um tempo de vida limitado, apesar de ser, normalmente, muito superior ao de uma corrente equivalente. Em caso de substituição da correia não é necessário substituir as polias usadas em vez dos carretos doa sistemas com corrente de elos

Como desvantagem, este sistema degrada-se facilmente numa utilização "off-road", pelo que normalmente não é utilizado nas motos de "aventura". É a transmissão de eleição para as motos do tipo 'custom' por não sujarem nem os cromados nem as elaboradas pinturas.

A manutenção é fundamental!

É importante que a corrente ou a correia mantenham uma tensão correta para minimizar o desgaste de todos os componentes do conjunto. A verificação é feita com ambas as rodas no chão e, de acordo com o manual de instruções, a folga indicada deve ser mantida ao longo da vida útil do “kit de transmissão”. Para “afinar” a tensão, a corrente (ou a correia) é normalmente esticada recuando-se ligeiramente a roda no braço oscilante. 

Para o efeito é necessário:

1. Desapertar (ligeiramente) o veio da roda.

2. Puxar o veio para trás, recorrendo aos esticadores. Há-os de diversos tipos, e o manual de utilizador explica o seu funcionamento. O que é importante nesta operação é garantir que a roda fique alinhada, razão pela qual todos os sistemas de esticador incluem uma escala, ou marcas, por onde se pode guiar e ficar com a certeza que a roda permanece alinhada com a da frente.

3. No fim de ter esticado a corrente e garantido que a roda está alinhada, deve voltar a apertar o veio da roda.

4. No final, o binário de aperto do veio deve ser corrigido com uma chave dinamométrica.

Nota: Um veio demasiado apertado pode causar graves problemas, pelo que deve sempre confirmar o valor correto. Os sistemas de correia podem ter dispositivos de afinação diferentes, pelo que deve consultar o manual de utilizador e agir em conformidade.


Transmissão por veio e cardã

Sistema de transmissão por veio e cardan

Sistema de transmissão por veio e cardan

A transmissão por veio e cardan é a solução de luxo para não ter problemas com a transmissão. Indiferente à abrasão causada por elementos externos, este sistema pode perfeitamente ser usado no fora-de-estrada sem estar sujeito a desgaste.

A transferência de movimento é feita por duas engrenagens cónicas, através de um veio rígido, unido por um cardan, ligando a caixa de velocidades à roda traseira.

Normalmente estes veios trabalham dentro do braço oscilante, e alguns funcionam em banho de óleo. À excepção da mudança de óleo em intervalos de tempo bastante dilatados, não há qualquer outra necessidade de intervenção. No entanto, em caso de avaria, situação bastante pouco provável, a sua reparação é bastante mais dispendiosa do que as outras alternativas. Este sistema também aumenta substancialmente o peso final do motociclo.

Transmissão por variador contínuo (CVT)

Sistema de transmissão por variador contínuo

Sistema de transmissão por variador contínuo

Esta solução, frequentemente utilizada nas scooters, acumula as funções de transmissão e de caixa de velocidades automática.

Utiliza normalmente uma correia em “V”, que une dois pares de polias cónicas, uma ligada directamente à cambota do motor, e a outra ligada à roda, através de uma embraiagem centífuga. Com a acção da rotação e consequente força centrífuga gerada, cada par de polias cónicas afasta-se uma da outra, enquanto a correia desliza sobre elas, criando assim uma quantidade infinita de “relações de caixa” que mudam automaticamente com a rotação do motor.

Existem diversas variantes, umas com corrente em banho de óleo, outras com ventoinhas de arrefecimento, e algumas até possuem filtros de ar. Tanto num sistema como noutro, existe desgaste da correia, o que implica substituições a intervalos regulares, relativamente alargados. O manual de instruções do veículo deverá ser bem preciso e as suas indicações devem ser cumpridas.

andardemoto.pt @ 15-4-2018 02:49:26 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira