Teste Harley-Davidson Road King - Rei da Estrada

Sentir o potente pulsar do “big-twin” entre as pernas dá vontade de partir tranquilamente em direcção ao pôr-do-sol. E se o fizermos, esta cruiser / tourer cumpre o propósito na perfeição.

andardemoto.pt @ 7-3-2016 00:02:13

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Harley Davidson Road King | Moto | Touring

Texto: Rogério Carmo         Foto: ToZé Canaveira
                           

Longe vai o ano de 1994 quando a primeira “Road King” saiu da fábrica de Milwaukee. Então estava equipada com um “big-twin” Evolution de 1340cc ainda alimentado por carburadores. Fazia a ponte entre as Cruisers e as Tourers, tendo a sua polivalência encantado uma legião de motociclistas que procuravam mais conforto para as suas viagens.

Nesta versão de 2016, o enorme ecrã, o grande farol, os guarda-lamas avantajados são reminiscências do passado. Um passado bem longínquo se avaliarmos o grande salto tecnológico que o tão badalado “Project RUSHMORE” imprimiu a esta emblemática moto da Harley-Davidson.

E quem não tem andado atento à verdadeira revolução que tem acontecido, sobretudo na gama “Touring” da casa de Milwaukee, vai seguramente ficar espantado com tudo aquilo que vai ler abaixo.

Uma das grandes vantagens da radical mudança que a marca americana está a efectuar nas suas motos, ao abrigo do dito projecto que visa ir ao encontro das exigências de uma clientela cada vez mais refinada, é que esta Road-King já vem equipada com o motor High Output Twin Cam 103™.

Com uma cilindrada de 1688cc e acelerador electrónico (ride-by-wire) ligado por um sistema HDLAN, na prática muito semelhante ao CAN-Bus da Bosch, e também ele gerido por uma unidade de processamento electrónico, a ECM (Engine Control Module), este motor, quando comparado com as últimas versões do“Twin Cam 98”, mostra-se mais rápido a subir de rotação, menos “roufenho” em termos de “feeling” e bastante mais “vivo” no que à entrega de potência diz respeito. Até o som dos escapes de origem parece outro...

A nova caixa de velocidades também se apresenta mais suave e menos barulhenta, sobretudo no que ao típico “clanck” da engrenagem da “primeira” diz respeito, e oferecendo seis relações bastante longas que visam precisamente melhorar os consumos em viagem. Ainda assim, o binário disponível mostra-se mais do que suficiente para fazer ultrapassagens folgadas seja em que mudança for.

Em termos de embraiagem a Harley também surpreende, dotando este bloco com a sua nova “Assist & Slip Clutch Pack”, deslizante e com comando hidráulico, mostrando-se uma grande ajuda a digerir o binário negativo causado pelas reduções, evitando o bloqueio da roda traseira. O comando hidraulico é uma vantagem para quem tenha que circular mais em meio urbano, já que torna a manete esquerda muito mais leve.


Ao nível dos travões a Road King também já conta com o sistema Reflex-ABS, de acção combinada, que reparte a potência de travagem pelas duas rodas, permitindo que se use apenas o pedal do travão, contribuindo para uma viagem muito menos cansativa, sobretudo em estradas de curvas.

O material de fricção está todo a cargo da Brembo, e a capacidade de travagem das pinças de 4 pistões é agora verdadeiramente impressionante, mas no bom sentido! Os pneus de medidas “convencionais” fabricados pela Dunlop também se apresentam muito mais aderentes, por serem Multi-Tread (bicomposto), e mais reactivos ao guiador devido à sua nova construção interna.

Ainda assim o “180” traseiro tem dificuldade em se manter colado ao chão caso se rode o punho direito impiamente. E em piso molhado é mesmo preciso ter cuidado, a não ser que goste de fazer longos “power slides”. Por isso não admira que esteja para breve a inclusão de controlo de tração nas Harley’s.

Para além de mais potência, a Road King apresenta uma nova forquilha de 43 mm de diâmetro que confere mais precisão em curva e um melhor desempenho em mau piso. Não sendo referencial em termos de comportamento dinâmico, ainda assim esta suspensão representa uma melhoria significativa relativamente aos modelos anteriores, sobretudo no que diz respeito ao conforto.

Na traseira mantém-se os amortecedores a ar, com possibilidade de serem facilmente regulados através de dois “pipos” de acesso fácil (entre as malas e o assento), onde se pode aumentar ou diminuir a pressão para uma condução mais firme ou mais confortável.

A suspensão também é ligeiramente mais alta, conferindo um maior e sempre bem-vindo ângulo de inclinação lateral.

O assento é extremamente confortável, e tem muito bom aspecto; pena que as costuras deixem passar água e que o estofo fique ensopado, pois após uma pequena chuvada, fica a molhar as nossas calças durante alguns dias. O passageiro além de enfrentar o mesmo problema de humidade residual, também goza de uma boa posição e conforto.

Os comandos dos punhos apresentam-se bastante diferentes do esquema convencional. Primeiro é preciso habituação e depois o comando das luzes, concretamente o comutador de máximos e médios está muito fora do alcance do polegar esquerdo.

Para compensar, o selector do controlo automático de velocidade (cruise control) está muito bem posicionado e o seu uso é muito intuitivo e a ligação muito suave.

O painel de instrumentos é de fácil leitura e no pequeno display digital que incorpora, apresenta a informação básica necessária em viagem, com dois contadores de quilómetros parciais, relógio e rpm's com indicador da mudança engrenada.

Os espelhos retrovisores estão bem posicionados oferecendo uma visibilidade muito boa, As plataformas dos pés são bastante confortáveis e filtram bem as vibrações do bloco. A qualidade geral de construção é boa, com bons acabamentos e alguma atenção ao detalhe. No entanto, alguns parafusos do quadro apresentam uma tendência para oxidar precocemente e algumas das ligações eléctricas mostram pequenos e delicados cabos à vista.

Manobrar esta moto, que pesa praticamente 400 kg, não é fácil e obriga a que se esteja bem atento ao sítio onde se põem os pés e às irregularidades do piso. As protecções laterais são um grande factor de confiança nesse aspecto, pois descansa-nos a consciência e poupa-nos a carteira se, por acaso, se chega a perder o equilíbrio.

Mas nada disso impediu que, em estrada aberta, com o sol na cara e o vento no peito, eu me sentisse efectivamente o Rei da Estrada.


A posição de condução confere segurança. A protecção aerodinâmica é boa, sobretudo no que ao tronco e cabeça diz respeito, mas a alta velocidade o capacete sofre de bastante instabilidade devido à turbolência que causa o enorme e quase vertical ecrã.

No entanto, este pode ser facilmente removido, tal como as malas laterais que, à conta do dito "project RUSHMORE" agora já se conseguem abrir e mesmo aceder ao seu interior, sem ser necessário sair do assento. Apesar de tudo ainda lá não cabe um capacete digno desse nome!

Além do estilo e do carisma da marca, que deslumbra quem vê passar esta brilhante Road King, o sistema "sem chave" continua a ser um dos grandes requintes com que a Harley-Davidson brinda os seus clientes. Um sensor guardado no bolso e apenas um botão para ligar e desligar a moto e o alarme, revela-se muito prático, sobretudo numa utilização urbana e em dias de chuva.

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