Teste Triumph Bonneville Street Twin - Reinvenção de um clássico
A mais emblemática e versátil moto da gama de modernas clássicas da Triumph foi remodelada. Qualquer semelhança com o modelo anterior é mais do que coincidência. É pura imaginação.
andardemoto.pt @ 6-5-2016 10:23:00
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira Colaboração: Luís Ferreira
As linhas não enganam! É uma Bonnie. Mas as semelhanças ficam por aí! A nova Street Twin é mais moderna, mais leve, mais fácil de conduzir e sobretudo mais segura.
A inconfundível silhueta do motor esconde avanços tecnológicos que, para uma Bonneville original eram pura ficção científica. A embraiagem deslizante e assistida, o controlo de tracção proporcionado pelo acelerador “ride-by-wire”, o ABS e o farolim traseiro em LED, eram conceitos desconhecidos em 1959 quando a primeira Bonneville saiu para o mercado.
Na época, as “Bonnies” saíam dos stands repletas de superficies brilhantes, mas agora, o mais parecido com cromado, é o aço escovado dos escapes, e de alguns outros poucos pormenores. Segundo dizem, as novas gerações não gostam de coisas brilhantes… gostam de coisas práticas! E por isso a nova “Bonnie” é simples e despretensiosa.
Claro que a Street Twin é um modelo de entrada de gama. Para já é a única da sua linhagem a utilizar o novo motor bicilíndrico paralelo de 900cc, com 8 válvulas, refrigerado por líquido e com ignição avançada a 270º, pensado de raiz para uma utilização despreocupada, libertando binário suficiente em qualquer uma das cinco relações de caixa, mesmo a baixa rotação.
Logo nos primeiros quilómetros que fizemos aos seus comandos, apercebemo-nos de que é uma moto essencialmente urbana, fácil de conduzir, fácil de manobrar, confortável e inspiradora de muita confiança. A direcção é intuitiva, a travagem é bastante doseável, os comandos têm um tacto leve, e o motor responde sem hesitações sempre que solicitado.
A suspensão responde bem aos desafios de uma cidade esburacada, sendo que os amortecedores traseiros são, por vezes, insuficientes para ultrapassar confortavelmente as maiores crateras.
O depósito de combustível, evocativo do da versão anterior, é bastante mais pequeno, apresentando uma capacidade de apenas 12 litros. E se realmente parece pouco, o baixo consumo imposto pelas restrições de emissões de poluentes da norma Euro4 com que a Steet Twin já é compatível, confere uma autonomia sempre superior a 200km, podendo, alguém com um espírito tranquilo, alargar os intervalos entre os reabastecimentos para distâncias de quase 300km.
Alguém com uma estatura física superior a 1,70m poderá achar a nova Bonneville um pouco acanhada, e uma escassa protecção aerodinâmica, e quem tiver as pernas mais longas vai encontrar uma posição que poderá ser desconfortável em tiradas superiores a uma hora. A contrapartida é que, quem tiver uma estatura inferior vai sentir-se no céu, aos comandos das Street Twin.
Esta nova Triumph vem preparada para agradar a quem tem gostos simples, mas também a quem queira refinar as suas linhas, já que a gama de acessórios original da marca oferece uma série de opcionais fáceis de instalar.
Mas quem tentar encontrar nela algo da velha Bonnie vai ter uma grande desilusão, já que não há nada que suscite dela qualquer memória. Nem o trabalhar do motor...
Equipamento
Neste teste, o Luís Ferreira usou o seguinte equipamento:
Capacete Nexx X.G10 Purist
Goggles Biltwell
Blusão Rusty Pistons Rutland
Luvas de cabedal MCS
andardemoto.pt @ 6-5-2016 10:23:00
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