Contacto: Gama Touring da Harley-Davidson para 2017
Os novos motores Milwaukee Eight da marca americana já rolam na estrada. Tivemos oportunidade de testar toda a gama Touring. Aqui ficam as primeiras impressões.
andardemoto.pt @ 30-9-2016 11:57:18
Texto: Rogério Carmo Foto: Joan Carles Orengo
Para a Harley, este foi o culminar de um trabalho que começou há 6 anos. O motor Milwaukee-Eight cujos pormenores pode ler no artigo que publicámos anteriormente (clique aqui), é uma obra criada de raíz pelo engenheiro chefe de motores, Alex Bozmoski, um veterano na “Motor Company”, com 34 anos de casa.
Tal como aconteceu com o Project Rushmore, que esteve na base da primeira grande revolução da marca há um par de anos, foram os próprios harlistas que, com a sua opinião nos inquéritos realizados pela marca, definiram as linhas mestras deste novo motor.
E se os clientes pediram um motor, mais potente, que emitisse menos calor e que vibrasse menos ao “ralenti”, claro que sem perder a trilogia sagrada da filosofia da marca: “sound, look & feel” ou seja mantivesse o seu carisma, podemos agora dizer que vão receber bastante mais do que eventualmente estavam à espera.
Longe vai o tempo em que nas apresentações oficiais dos novos modelos Harley-Davidson, se falava praticamente só de cores e pormenores estéticos mais ou menos repescados.
Nesta apresentação, quase nem houve tempo para isso. O que sim houve foi uma grande componente técnica para descrever o novo motor e as novas soluções encontradas pela marca para tornar as suas motos irrecusáveis.
E aí entra inevitavelmente a electrónica. Alguns modelos encerram um nível tecnológico praticamente idêntico aos de marcas reconhecidamente vanguardistas, nomeadamente as europeias.
Centrando-nos nos modelos equipados com os motores Milwaukee Eight 107 (os 114 estão reservados para os hiper exclusivos modelos CVO - Custom Vehicles Operations, tal como até há bem pouco tempo acontecia com as versões de 110ci do Twin Cam), e completamente esclarecidos sobre o facto que os novos motores terem originado indirectamente novas motos, partimos para a estrada.
Road King
A Road King, um modelo mítico da Harley-Davidson deu-nos a honra do primeiro contacto com o novo motor Milwaukee Eight 107.
Os primeiros quilómetros foram suficientes para perceber que, no mundo da Harley, nada mais voltará a ser igual ao que era. Numa estrada estreita, serpenteante e com um piso bastante degradado pelos rigorosos invernos dos Pirinéus franceses, a Road King desenvencilhava-se das curvas com uma quase surpreendente ligeireza.
O novo motor responde com “souplesse” e sem qualquer hesitação logo a partir do “ralenti”, suave e com um nível de vibração notoriamente mais baixo, mas com força suficiente para desenvolver sem ser necessário recorrer frequentemente à caixa de velocidades.
Nessa, a principal diferença que se encontra é a ausência do característico “clanck” quando se engrena a primeira velocidade.
A embraiagem deslizante e com assistência ao arranque, que agora equipa o Milwaukee Eight é de uma suavidade de accionamento e de uma leveza na manete quase impressionantes relativamente ao que estávamos acostumados. E isso resulta numa poupança de energia significativa, sobretudo em estradas retorcidas .
Street Glide Special
A segunda moto que pudemos “sentir” foi a recordista de vendas da marca, a lindíssima Street Glide. Talvez a moto mais ágil da gama Touring, ela é a que mais beneficia do melhor comportamento dinâmico imposto pela nova suspensão Showa que se mostra muito superior à da anterior versão, apesar de manter os mesmos cursos de amortecimento.
Na traseira, a nova solução permite uma regulação hidráulica da pré-carga no amortecedor da esquerda. Um pequeno senão, é que essa operação implica a remoção (agora muito mais fácil e simples devido ao novo sistema de encaixe) da mala do lado esquerdo, para se poder aceder ao manípulo de regulação.
O seu equilíbrio dinâmico, a ergonomia mais reactiva e a facilidade de condução, a par com a sua boa protecção aerodinâmica, tornam-na apta para qualquer uso. Com ou sem passageiro, a Street Glide está à vontade tanto em ambiente urbano como em estradas retorcidas, e sente-se no paraíso em qualquer auto-estrada.
Outra das grandes melhorias, tem a ver com a menor largura do novo motor e do primário de transmissão. A base do quadro ficou muito mais estreita. E se para uns a grande vantagem vai ser um mais fácil acesso ao chão, para manobrar mais descansado, para outros, a maior (bem grande mesmo) vantagem, será poderem desfrutar de uma maior velocidade em curva.
Isto porque agora, tanto nesta Street Glide como nos restantes modelos da gama Touring, o ângulo de inclinação lateral aumentou substancialmente. E, a menos que se adoptem ritmos que não tenham absolutamente nada de turisticos, nenhuma destas Harley-Davidson vai raspar no asfalto. Pelo menos a “solo”, não serão muitos, nem vezes muito frequentes, que vão conseguir fazê-las tocar no chão.
E para acabar, em termos de ciclística, temos a travagem, que beneficia directamente do melhor comportamento das suspensões. Esse facto ainda permitiu que o ABS fosse regulado de forma mais minuciosa, sendo agora bastante menos intrusivo e de accionamento muito mais suave.
A mordida é potente sem ser demasiado incisiva inicialmente, e o sistema de travagem combinada actua agora de forma muito mais suave, sendo uma boa ajuda em viagens grandes e em estradas retorcidas, que exijam uma condução defensiva e grandes níveis de concentração, pois pode-se praticamente dispensar a utilização da manete, sendo possível controlar perfeitamente as entradas em curva (mesmo em andamentos muito vivos) apenas com recurso ao pedal direito, reduzindo o esforço e consequentemente o cansaço, garantindo ainda mais conforto ao passageiro.
Glide Ultra Limited
A Glide Ultra Limited é o exponente máximo do conforto e do requinte. É concebida para ser uma exclusiva “Globetrotter” cheia de charme, capaz de proporcionar incríveis viagens a condutor e passageiro.
Prima pela protecção aerodinâmica, pela capacidade de carga, pelo nível de equipamento, e tem agora, neste novo motor, um grande aliado. Vê com ele o conforto aumentado por via de uma emissão de calor muito reduzida, uma maior autonomia, um nível de ruído e vibrações quase imperceptível.
O som emitido pelo escape está muito mais próximo do imaginário dos motores da velha guarda, a emitir distintamente a nota de escape característica: “potato potato potato”. E se não parece tanto quando se está ao guiador, quem a houve passar recebe uma vibração muito apelativa. Mesmo com os escapes de origem.
Talvez o único defeito, ou pormenor menos interessante, seja o facto de, com o ralenti significativamente mais baixo do Milwaukee Eight, ser mais fácil deixar o motor “ir abaixo” ao manobrar a baixa velocidade.
Mas isso não é irremediável já que, quem instalar o Screamin' Eagle Pro Street Tuner, uma espécie de “power commander” da marca, tem acesso a, entre outras funcionalidades interessantes, regular o ralenti da forma que quiser.
O facto de o motor ser uma unidade refrigerada por líquido não lhe confere nenhuma diferença perceptível relativamente às versões refrigeradas por óleo.
Road Glide Ultra
A mais carismática das turísticas de Milwaukeee, facilmente reconhecida pela sua carenagem frontal “shark nose” (nariz de tubarão) também estava disponível para teste.
Muito semelhante à Glide Ultra Limited em termos de equipamento, e a partilhar a mesma versão do motor com refrigeração de precisão por líquido, a sua condução é, no entanto, bastante diferente.
Tivemos oportunidade de rolar alguns quilómetros com ela, mas uma avaliação mais detalhada ficará para breve, num próximo contacto já em território Luso.
Conclusão:
Discover More é o mote que pretende inspirar os clientes da marca.
Em Milwaukee têm estratégias bem consolidadas para continuar a deslumbrar motociclistas, por lá e pelo mundo inteiro. E o novo motor é uma arma de arremesso contra qualquer eventual argumento que possa vir dos lados da concorrência.
Apesar de não parecer, as novas Harley estão cada vez mais tecnológicas, mais ágeis e mais fáceis de conduzir.
Proporcionam mais conforto, consomem menos e têm mais potência. E o prazer de condução que proporcionam, além de único, é cada vez maior.
andardemoto.pt @ 30-9-2016 11:57:18
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