Teste Ducati 959 Panigale - Pequena Maravilha
A “pequena” Panigale encanta com as suas linhas, a sua leveza e a sua potência. Andámos a ver como se comporta “no mundo real”.
andardemoto.pt @ 11-12-2016 19:58:24
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Performance é a palavra de ordem. Sem concessões nem contemplações, a mais pequena das Panigale, as superdesportivas de Bolonha, apesar de “só” debitar 157cv, é uma verdadeira moto de corrida.
Tudo nela evoca a competição: o peso contido, a posição de condução radical, a suspensão muito firme, a travagem soberba e o som emitido pela tão polémica ponteira dupla, por onde gritam os dois cilindros de pistões de curso superquadrado que dão ao motor o nome de Superquadro!
Um motor “quadrado” é aquele cujo diâmetro do pistão equivale à medida do seu curso, sendo que neste caso a relação é de 1,64:1 ou seja, cada pistão tem 100mm de diâmetro e apenas 60,8mm de curso, por isso super quadrado, facto que potencia a capacidade física de subir de rotação de forma muito rápida. Mas adiante.
O Superquadro provém do que já era usado na agora descontinuada 899 Panigale, tendo sido revisto no sentido de ficar compatível com a famigerada directiva Euro4, a mesma que é responsável pela instalação dos dois “canhões” laterais que culminam a linha de escape, e que, segundo os mais dados às questões estéticas das motos, desfeiam o conjunto.
O principal problema, na minha opinião, não será estético, mas sim técnico, já que apesar de terem sido tomadas medidas no sentido de aligeirar outros componentes, nomeadamente o motor de arranque, que agora beneficia de um sistema de descompressão para não “esfalfar” a sua reduzida capacidade, ainda assim a moto é 7 quilos mais pesada que a sua antecessora.
Para compensar a ficha técnica, os engenheiros da Ducati conseguiram, apesar de todas as limitações de emissões de gases, espremer mais 9 cavalos dos 955cc de cilindrada. Mas peso é peso, independentemente da potência.
Uma das vantagens da 959 Panigale, relativamente à sua antecessora, é a conveniente embraiagem deslizante, uma aliada importante numa condução mais desportiva. O “quickshifter” poderia ser outra, mas a versão instalada da 959 não é bidireccional e apenas funciona para subir nas relações.
É boa para impressionar em arranques canhão, com um som absolutamente delicioso e a dar a entender que quem vai a conduzir é um verdadeiro profissional, mas nas reduções, apesar da caixa muito precisa e macia, é preciso ou recorrer à técnica ou à manete da embraiagem.
Claro que a potência do motor é mais do que suficiente para quem apenas andar em estrada. Curiosamente, em cidade, a 959 viu o seu comportamento bastante melhorado, sendo muito fácil de levar a baixa rotação, comparativamente com modelos “desmo” anteriores.
Esta pequena Panigale oferece uma ciclística irrepreensível, com suspensões de topo (rijas é certo), uma travagem de grande nível, potente e muito doseável, e uma enorme facilidade em mudar de direcção.
A isso não deve ser estranho o quadro monocoque, em fundição de alumínio, apoiado directamente nos cilindros do motor que serve de elemento estruturante, e que engloba o subquadro e a caixa do “Ram-Air”.
Mas nem tudo são rosas. Para começar, as motos desportivas deviam ter tamanhos como as roupas ou como o calçado. E para um tipo de 1,80m com 85kg de peso, deveria haver uma Panigale de tamanho L ou até mesmo XL.
À semelhança das roupas apertadas, o conforto proporcionado pela Panigale 959 foi practicamente nenhum.
Não tinha espaço para me encolher atrás do ecrã a alta velocidade, os avanços estavam lá em baixo e obrigavam a uma posição de quase estátua para não desequilibrar o conjunto, sobretudo em curvas a alta velocidade, e a baixa velocidade, os pulsos sofreram em cada desnível da estrada, em cada travagem e a cada segundo que estive aos seus comandos.
No entanto há um aspecto ainda pior. Seja grande ou pequeno, o condutor tem que enfrentar o calor irradiado pelo motor. Um “assador de castanhas” está escondido debaixo do assento, e mesmo nos dias mais frios, segundos depois de o motor começar a funcionar, o calor chega a ser quase insuportável.
E mesmo a alta velocidade, sentem-se as ondas de calor a subir pelas costas, sempre que se sobe um pouco mais o regime do motor. O ideal é usar calças de cabedal, grossas, e botas de cano alto, pois as pernas recebem quantidades assustadoras de calor.
Mas o assento é muito confortável e os comandos permitem afinações. A qualidade dos acabamentos é muito elevada, e a atenção ao detalhe é grande. O painel de instrumentos é completo, potenciando a descoberta de uma electrónica que permite personalizar diversos parâmetros da moto, desde a intensidade de intervenção do controlo de tracção com oito níveis, à entrega de potência, servida em diversos modos.
No entanto limitei-me a usar o modo Sport, já que o mais radical, Race, desliga o ABS da roda traseira, e a opção Wet, apesar de por várias vezes o S. Pedro ter ameaçado, nunca chegou a chover.
Como balanço final, abstendo-me do desconforto causado pelo meu próprio tamanho, a pequena Panigale proporcionou-me alguns bons momentos de condução, tendo muito mais potencial do que eu tive coragem para me atrever a descobrir os seus limites.
Conclusão
A quem é que posso recomendar esta moto?
Bem, a quem for um incondicional aficionado da marca, que pretenda uma superdesportiva civilizada mas com prestações respeitáveis, com um design tipicamente italiano e uma qualidade de construção acima da média, mas que não tenha mais de 1,70m de altura e que de preferência não seja encalorado e pretenda sobretudo uma moto exclusiva para fazer uns "track days". Ou para experimentar sensações fortes!
Neste teste usámos equipamento de segurança composto por:
andardemoto.pt @ 11-12-2016 19:58:24
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