Teste SWM 440 Silver Vase - Teoria da relatividade
Uma moto de inspiração vintage, para uma utilização polivalente, despreocupada e económica, mas sobretudo cheia de estilo.
andardemoto.pt @ 9-1-2018 05:20:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
Há qualquer coisa de especial, vinda não sei bem de onde, que me fez simpatizar à primeira vista com esta modesta Scrambler de origem sino-italiana.
Talvez o aspecto nostálgico das suas linhas, ou o aspecto débil das suas dimensões, ou até a simplicidade generalizada... não sei!
Num mundo cada vez mais “High-Tech” a simplicidade é uma bênção, e com o dinheiro cada vez mais inacessível, o preço contido é um luxo que não se pode desperdiçar. Menos ainda quando se trata de um instrumento de prazer.
E esta é uma daquelas motos que evocam o espírito do motociclismo de aventura das décadas de 60 e 70 do século passado.
Motos feitas para sofrer, sem darem parte de fracas, e resistir aos mais intrépidos caprichos de homens que tinham o vício da aventura, a paixão pela natureza, e uma séria dependência de adrenalina.
Motas que podiam cair sem que isso representasse avultadas despesas, que se pudessem sujar, sem que isso estragasse a pintura, que permitissem uma manutenção fácil, em qualquer lugar e com poucas ferramentas.
O motor monocilíndrico refrigerado a ar, que debita uns bastante modestos 30cv, causa empatia desde o momento que começa a queimar gasolina, com uma sonoridade realmente interessante e uma resposta pronta ao acelerador, que consegue imprimir ritmos suficientemente alegres para não causar tédio, obviamente desde que não se pretenda fazer tiradas a alta velocidade em auto-estrada.
Nada disso! Até porque a caixa de cinco velocidades e a relação da transmissão final estão mais empenhadas em produzir força do que velocidade.
Apesar do seu aspecto nostálgico, a 440 Silver Vase adapta-se perfeitamente ao trânsito urbano, por mais congestionado que seja, cenário onde apenas a largura do seu guiador pode complicar um pouco as manobras entre as filas de trânsito.
Mas a excelente brecagem, o baixo peso (151kg sem o combustível), o fácil acesso dos pés ao chão, a boa ergonomia e o conforto proporcionado pelas suspensões, tornam a SWM 440 Silver Vase numa moto utilitária e cheia de estilo, para uma utilização diária urbana, que ainda pode, ao fim-de-semana ou de férias, servir de pretexto para um pequeno passeio até à prais, ou a uma aventura pelos campos, até mesmo com passageiro e alguma parcimoniosa bagagem.
A impressionante forquilha de 43mm de diâmetro, os aros raiados, a roda dianteira de 19 polegadas e o razoável curso das suspensões, aliados a uma altura livre ao solo de mais de 19 centimetros, tornam-na perfeitamente capaz de ir a locais inacessíveis a uma vulgar moto utilitária.
E todo o conjunto promove uma enorme confiança em qualquer tipo de piso. Até o assento é bastante confortável, o que a par com a excelente ergonomia, permite longas tiradas sem qualquer vestígio de cansaço.
O painel de instrumentos, composto por dois pequenos manómetros redondos, bem simples e elegantes, conta ainda com um pequeno ecrã em LCD que apresenta informações complementares dos totalizadores de quilómetros e do relógio.
Claro que o baixo preço implica, inevitavelmente, alguns defeitos. Mas no caso da SWM 440 Silver Vase, cujo preço ronda os 4.700€, além de algumas vibrações parasitas, bem identificáveis a alto regime do motor, e de uma travagem que podia ser um pouco mais incisiva, há factores que, pelo contrário, impressionam pela positiva.
É o caso da linha de escape, com ponteiras incluídas, fabricada em aço inox, à semelhança do braço oscilante, das soldaduras do quadro, com acabamento bastante cuidado, das cablagens bem escondidas, causando uma impressão geral de qualidade bastante razoável, comprovada pela quase ausência de ruídos parasitas.
Os consumos de combustível são bastante regrados, a passar ligeiramente dos 5 litros aos 100km, apenas porque o irresistível som do escape provoca a que se lhe dê umas aceleradelas desnecessárias só para o podermos ouvir! Alguém mais contido poderá facilmente diminuir significativamente o consumo.
A autonomia é ainda assim bastante boa, já que o depósito de combustível tem uma capacidade de 23 litros e meio, que equivale a bastante mais de 400km entre reabastecimentos.
E como tudo na vida é relativo, se é verdade que para uns a marca e o preço fazem toda a diferença, o importante para outros é terem uma moto fiável, capaz de lhes dar imenso prazer de condução, sem os obrigar a gastar dinheiro desnecessariamente.
Sobretudo se pretendem uma moto de iniciação ao motociclismo, ou uma segunda moto, mais versátil e prática, para as pequenas voltas do dia-a-dia, ou até mesmo, uma base económica e fiável para um projecto de customização.
A SWM 440 Silver Vase é mais do que à partida pode parecer. É uma genuína moto vintage, construída nos tempos modernos, que conserva o carisma e a simplicidade de antigamente, a par com uma robustez capaz de fazer frente a muita moto moderna.
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Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção:
andardemoto.pt @ 9-1-2018 05:20:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
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