Teste Harley-Davidson Softail Sport Glide 2018 - Turístico-desportiva à americana

Novidade de Milwaukee para 2018, esta é uma moto polivalente que encanta logo desde um primeiro contacto, sob todos os aspectos. Nunca uma Harley foi tão ágil, tão fácil de conduzir nem tão polivalente.

andardemoto.pt @ 30-1-2018 04:34:49 - Texto: Rogério Carmo

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Harley Davidson Sport Glide | Moto | Softail

À primeira vista, e para os menos entendidos, esta é sem dúvida uma Harley, como tantas e tantas outras. Exibe os mesmos cromados, a mesma linha baixa e longa, um motor V2, e aparenta o mesmo peso e a mesma solidez de construção de tantas outras. Proporciona ainda, e também, uma posição de condução descontraída com uma atitude indolente e relaxada.

No entanto, e mesmo para quem conhece e já fez bastantes quilómetros em praticamente todos os modelos da marca americana, esta nova Sport Glide é sobretudo desconcertante.

Confesso que desde a primeira vista de olhos que lhe deitei, fiquei impressionado. A qualidade de construção e o pormenor dos acabamentos é de um nível elevado e praticamente irrepreensível, com as soldaduras do quadro cuidadas, as cablagens bastante bem escondidas e sem fios descarnados à mostra, e o acabamento negro das cabeças dos cilindros é impecável. Não há peças a vibrar ou a chocalhar, e em andamento o conjunto mostra-se sólido e firme. Esteticamente o meu destaque vai para o bonito desenho das jantes.

Ainda há poucos dias tinha tido o primeiro contacto com a gama Softail de 2018 da Harley-Davidson, quando tive a oportunidade de testar a “Dynatail” Fat Bob (pode ler as minhas conclusões sobre ela se clicar aqui), mas nada me deixava antever que a marca americana tinha conseguido elevar a fasquia do prazer de condução para patamares tão elevados! É que a Fat Bob, além de ter um motor mais potente, uma ciclística vincada pelos pneus grossos e uma posição de condução mais radical, esconde a agilidade do novo quadro e o potencial que ele encerra.


Por isso, mal me sentei nesta nova Softail Sport Glide, fiquei rendido aos seus encantos. Qualquer semelhança com uma Harley de há mais de 10 anos é pura coincidência estética, e a diferença para os modelos de há apenas 3 ou 4 anos é abissal. Recordo bem motos como a Switchback, a Heritage Softail ou até mesmo a Road King e, para falar francamente, nem sequer há comparação!

Esta nova Sport Glide é um exemplo de polivalência, e como o título que escolhi para este trabalho sugere, ela é efectivamente uma turístico-desportiva... à americana. Equipada com malas laterais e uma carenagem do tipo “batwing” de dimensões reduzidas, facilmente removíveis sem recurso a ferramentas, a Sport Glide pode transformar-se de Cruiser em Tourer com grande rapidez.

As malas laterais, com fechadura, são do tipo concha, e oferecem uma capacidade total ligeiramente superior a 25 litros, sendo que a do lado direito é ligeiramente mais pequena por causa da ponteira do escape, e ambas podem ser facilmente acedidas desde a posição de sentado. Precisamente por isso, contam com um pequeno amortecedor interior que evita que abram com violência.

A pequena carenagem frontal é facilmente desmontável, com recurso a dois grampos de aperto rápido que a fixam nas bainhas da forquilha. Se está a pensar que ela pode ser facilmente “levada” por qualquer amigo do alheio, pois esqueça, já que quando se tranca a direcção, é impossível aceder ao sistema de encaixe. O pequeno ecrã oferece uma protecção aerodinâmica razoável, suficiente até velocidades na ordem dos 130km/h, sem causar qualquer tipo de turbulência no capacete. Como opcional está disponível um ecrã de maiores dimensões.


Explorando ainda o tema da polivalência, este não se resume ao mero conceito estético ou utilitário. A Sport Glide pode efectivamente ser desfrutada tanto em estrada aberta, em toadas calmas, como em percursos de montanha em ritmos mais excitados, e mostra-se ainda bastante competente em troços de auto-estrada onde se pode desfrutar do conforto do controlo de velocidade automático (cruise control), e mesmo com passageiro, é desconcertantemente eficaz no meio do trânsito. Nas pequenas voltinhas do dia-a-dia, ainda oferece a vantagem do sistema "keyless", sem chave.

Manobrar é extremamente fácil, primeiro devido ao peso bastante contido (afinal uma Harley com 317 kg a cheio é um peso pluma), à leveza da manete da embraiagem, ao centro de gravidade extremamente baixo, e a uma altura de assento (680mm) que permite, mesmo aos condutores de baixa estatura, colocar os pés bem assentes no chão. O painel de instrumentos, instalado na consola central por cima do depósito de combustível é bastante legível, com o velocímetro analógico e um pequeno ecrã digital que reúne a informação básica necessária, incluindo o indicador de mudança engrenada, relógio, termómetro e taquímetro. Por debaixo do depósito, do lado esquerdo, encontramos ainda uma tomada USB.

Em andamento, o quadro bastante rígido, a relativamente boa capacidade de inclinação lateral, a eficácia das suspensões, a boa ergonomia, a excelente brecagem e a leveza da direcção, quase que nos fazem esquecer que estamos aos comandos de uma Cruiser, ou mesmo de uma Tourer, sobretudo pelo nível de confiança que a Sport Glide nos transmite.

As prestações dinâmicas vão muito para além daquilo que se pode esperar de uma moto deste género, e provavelmente muito para além do atrevimento da maioria dos motociclistas. A forquilha invertida e os discos de travão flutuantes são um parceiro estratégico do motor Milwaukee Eight de 107 polegadas cúbicas que, aliviado em quase 60kg relativamente a uma Street Glide ou a uma Road King, parece ganhar uma nova alma, e mostra a raça dos 145Nm de binário que é capaz de debitar. E graças ao escape 2 em 1, brinda-nos ainda com uma sonoridade deveras interessante, sem nos dar cabo dos tímpanos.


A Harley-Davidson faz questão de omitir a cavalagem disponível, mas alguma comunicação social europeia, que submeteu o V-Twin a bancos de ensaio, revela valores que variam entre os 84 e os 96cv, omitindo no entanto a quilometragem a que as medições foram feitas, sendo certo que motores com menos de 3.000km não revelam o seu potencial completo, que vai “crescendo” ao longo, e mesmo depois da rodagem. No entanto, as motos que agora tive a oportunidade de testar (havia unidades com e sem carenagem e malas e nas diversas cores), e todas elas com quilometragens inferiores a 500 quilómetros, já se mostraram com potência mais do que suficiente para uma condução bastante agradável, mesmo quando os ritmos são os típicos de um grupo de jornalistas de motos com egos inflamados!


O conforto a bordo é elevado. Mesmo ao fim de um dia de teste, que somou um pouco mais de 220km pelos mais diversos tipos de estradas de montanha, com diversas sessões de fotos pelo meio, que obrigaram a consecutivas manobras e inversões de marcha, a fadiga mantinha-se inacreditavelmente em níveis mínimos, mesmo com alguns saudáveis “picanços” com os colegas jornalistas, e apesar das baixas temperaturas que se faziam sentir, sobretudo nos troços de altitude superior a 2.000 metros com que a ilha de Tenerife brinda os seus visitantes, e que proporcionam as paisagens fabulosas que serviram de cenário às fotos (e vídeo) que pode ver neste artigo.

Essa é a prova da grande evolução das novas Softail. A boa suspensão, com regulação fácil da pré-carga do amortecedor traseiro, a direcção muito responsiva, a travagem assertiva, tolerante e bastante doseável, a eficácia do ABS, a fantástica resposta ao acelerador proporcionada pelo elevado binário, o bom escalonamento da caixa de velocidades e a suavidade das passagens de caixa (que quase dispensa a utilização da embraiagem) permitem que se passem cerca de oito horas aos seus comandos, sem qualquer problema.

Os únicos pontos sobre os quais não me posso aqui pronunciar são dois: o consumo de combustível e a Iluminação. O primeiro, porque o abastecimento, feito ao final do dia, foi colectivo, e as motos, apesar de todas ainda indicarem um nível de combustível confortável, mudaram frequentemente de mãos e muitas foram “azeradas” diversas vezes, e conduzidas também por diversas pessoas, com andamentos distintos, e algumas, andaram frequentemente em ritmos dificilmente reproduzidos por um utilizador normal. Serve por isso com única referência o consumo indicado pelo fabricante, de 5,3 l/100 km, o que tendo em conta o depósito de 18,9 litros, garante autonomias teóricas superiores a 300 quilómetros, o que é bastante bom.

O segundo ponto, relativo à iluminação, cuja especificação de LED integral ainda não tinha referido, não foi me possível testar pois todo o teste decorreu durante o dia.


Como pontos negativos, tenho que referir a falta de fechadura do tampão de gasolina, a falta de regulação das manetes, a falta de pegas minimamente cómodas para o passageiro, e, à semelhança do que já tinha apontado no teste da Fat Bob, o comutador de luzes continua bastante afastado do polegar (os dois modelos partilham os mesmos comandos).

Ainda, e apesar de a Sport Glide ter instalada uma versão mais “soft” do motor Milwaukee Eight, o 107 ci, em dias de chuva, ou em pisos de calçada, um sistema de controlo de tracção podia também proporcionar uma ainda melhor experiência de condução, por via do aumento da confiança.

Para resumir, esta é provavelmente uma das melhores e mais versátil Softail alguma vez fabricada, e apesar do preço algo significativo, tendo em conta que se trata de uma Harley-Davidson, talvez nem seja tão cara como à partida poderá parecer.

Veja o vídeo de apresentação da Harley-Davidson Softail Sport Glide


A quem é que recomendo esta Harley-Davidson Softail Sport Glide?

Pois a qualquer motociclista que goste do género Custom, que queira ser o orgulhoso proprietário de uma Harley, e que pretenda fazer viagens confortáveis, esporádicas ou frequentes, rápidas ou longas, com ou sem passageiro, e que eventualmente também lhe pretenda dar uma utilização diária urbana.

Mesmo os menos experientes não vão ter dificuldade em dominar a cavalagem e fazerem-se à estrada. E se os de maior estatura vão encontrar espaço suficiente para se acomodarem, serão os condutores de estatura mais débil que vão encontrar neste novo modelo de Milwaukee uma verdadeira benção. Todos podem ainda beneficiar da alargada gama de acessórios oficiais que permite desde aumentar a capacidade de carga, ou a protecção aerodinâmica, até ao simples embelezamento e personalização.

Se ficou minimamente curioso, não hesite em contactar um dos concessionários Harley-Davidson e marcar um Test-Ride. 

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 30-1-2018 04:34:49 - Texto: Rogério Carmo


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