Teste BMW K1600B - Dar nas vistas

Uma moto alemã para agradar aos americanos, e não só. Luxo e desempenho para um enorme prazer de condução.

andardemoto.pt @ 6-3-2018 04:39:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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BMW K 1600 B | Moto | Tour

A Bagger da BMW está aí! Mas o que é uma Bagger? Genericamente uma “Bagger” é uma moto com malas (bags) laterais! Basicamente uma Bagger é o cruzamento de uma "cruiser" com uma "tourer".

Além das malas, elas são normalmente dotadas de uma posição de condução mais confortável, de assentos dignos do nome, e de uma boa proteção aerodinâmica, para que um motociclista aguente muitos quilómetros, muitas horas seguidas. 

Ainda em prol do conforto em viagem, convém que a direcção de uma “Bagger seja estável a velocidade de cruzeiro, para não exigir muito do físico do condutor. Para o efeito, antigamente, os pioneiros do moto-turismo na América, recorriam ao método de aumentar o tamanho da forquilha, artimanha que, devido à sua maior inclinação, provoca uma série de factores dinâmicos comprovados pela ciência, sendo disso exemplo o aumento da distância entre eixos e o rebaixar da traseira, factos que proporcionam uma maior facilidade de condução (daí o nome “easy-rider”).

Mas isso obrigava a cortes radicais do quadro, ao nível da coluna da direcção, passando a moto a ganhar o epíteto de “Chopper”, que é como quem diz cortada, ou melhor ainda: “esquece lá as curvas que isto é mesmo só para andar a direito!”

Actualmente, a tendência é facilitar as coisas, e as “Baggers” passaram a conseguir o mesmo efeito, de aumentar a inclinação da coluna de direcção, sem cortar o quadro, com recurso apenas a jantes dianteiras de maiores dimensões e a amortecedores traseiros mais curtos.
 
E se no tempo das “forquilhas longas” o máximo que se conseguia em termos de tamanho de roda eram jantes de 21 polegadas, hoje em dia, 32 polegadas é uma medida comum, e para casos desesperados de afirmação de masculinidade, já há jantes de 50 polegadas! Claro que as prestações dinâmicas saem sempre prejudicadas, e para o comum dos mortais, conceber uma “Bagger” é uma tarefa arriscada, morosa e cara. Mais vale comprar uma já feita.

Mas os grandes fabricantes que produzem “Baggers” de série, dificilmente se atrevem a instalar nos seus modelos rodas de medidas superiores a 19 polegadas. Essas motos, perdem um pouco do estilo de “Bagger”, mas ganham em termos de experiência de condução, e os motociclistas que as compram parecem não se preocupar muito com isso!

E depois há os alemães, que à semelhança de outros fabricantes que vão à conquista do mercado americano, pegam no seu modelo turístico de topo de gama, aproveitam a imponente frente da BMW K1600 GT (ou GTL) e o seu motor balístico de 6 cilindros em linha, redesenham a traseira, com duas malas laterais estilizadas e duas ponteiras de escape de dimensões… americanas, e colocam no mercado uma moto que faz na perfeição tudo aquilo que, por definição, as Bagger eram supostas ser capazes de fazer: levar o seu motociclista longe, rapidamente, em segurança, com bagagem e carradas de estilo. 

Na BMW Motorrad não se inibiram em remodelar o conceito, nem de usar uma roda dianteira perfeitamente normal, de 17 polegadas, mesmo depois de pedir conselhos a quem realmente entende o mercado americano: Roland Sands. O preparador americano colaborou na produção do protótipo BMW Concept 101, cuja história também pode ler se clicar aqui, moto que os portugueses puderam apreciar ao vivo, em 2016, durante o Lisbon Motorcycle Filme Fest, no cinema S. Jorge em Lisboa, e que está na génese desta Bagger.

Por isso a K1600B pede meças, sem medo, a qualquer outra moto turística do mercado, e sob os mais diversos aspectos, mas é quando comparada em termos dinâmicos com a sua concorrência directa, que a K1600B se destaca e prova que é uma Bagger de pleno direito, apesar de nem ter uma roda dianteira de grandes dimensões, e ter uma coluna de direcção bastante vertical, cumprindo o seu propósito de forma absolutamente irrepreensível, ou não fosse ela produto da mítica competência teutónica.


Esta Bagger bávara é, na sua essência, em tudo muito semelhante à K1600GTL que recentemente também tive oportunidade de testar nestas páginas (clique para ver como se viaja de moto em classe executiva). Mas a carenagem traseira redesenhada, muito mais baixa e esguia, causa um enorme contraste, fazendo com que a volumetria da dianteira pareça muito maior.

À semelhança de qualquer BMW K1600, o primeiro impacto é dado pelo seu posto de condução (dá quase para dizer cockpit, já que a quantidade de botões é quase assustadora: contam-se 12, apenas no punho esquerdo, sendo que 5 deles têm função dupla). Tal como a informação disponibilizada pelo painel de instrumentos, que é completíssima. 

Em viagem, sobretudo em auto-estrada, não há tédio que resista a tanta regulação nem a tanta informação. Ainda por cima, de forma fácil, com recurso ao “multi-controlador”, o comando circular rotativo, instalado no punho esquerdo, que operado pelo indicador ou pelo polegar, permite alternar os diversos menus de programação, aceder aos diversos instrumentos, e ainda à multimédia e à navegação.

A ergonomia, pelo menos para o meu metro e oitenta, é perfeita: os comandos caem naturalmente nas mãos e nos pés, as pernas não ficam demasiado flectidas, o assento garante um bom apoio lombar, o guiador está numa altura excelente que permite uma extremamente confortável condução em pé, enfim… na raia da perfeição.

Dar arranque ao 6 cilindros é uma verdadeira alegria, e a subida de rotação é excitante e muito rápida, e completamente isenta de vibrações. Os comandos são firmes, precisos e bem pensados. A embraiagem é leve, o pedal das mudanças também, o “quickshifter” integral é viciante e o “auto blipper” do acelerador nas reduções é quase mágico.

A direcção responde como se estivesse ligada directamente ao nosso cérebro, extremamente ágil e responsiva, e as manobras tornam-se fáceis, graças à “marcha-atrás”.

A suspensão é irrepreensível, regulável electronicamente em duas opções, com curso mais do que suficiente para absorver os maiores impactos sem causar dano nas lombares e, graças ao sistema Duolever, praticamente sem afundamento da frente, mesmo sob forte travagem e com passageiro.

O quadro, inabalável, responde às maiores solicitações da suspensão, e mesmo em curvas rápidas a compostura é exemplar, potenciando uma enorme confiança, apenas limitada pela facilidade com que os poisa-pés chegam ao chão...

A travagem poder-se-ia dizer que é de outro planeta, sobretudo tendo em conta o peso do conjunto que, também ele à americana, tem um um peso bruto máximo legal de 560 kg. De efeito combinado a partir da manete, o sistema de medição de inércia calcula electronicamente a dosagem da aplicação do travão traseiro e dianteiro, em simultâneo, optimizando o atrito de ambos os pneus. No entanto, o pedal direito apenas actua sobre o travão traseiro.

A iluminação é excelente, como a de qualquer K1600 dotada de farol adaptativo que, em curva, mantém o foco de luz paralelo à estrada, tal como o nível de acessórios que é extenuante: Digamos para simplificar, que a versão aqui testada contava com "extras" suficientes para envergonhar muito automóvel de gama alta:

Controlo de velocidade, de tração, de pressão dos pneus e assistente de arranque em subida . Suspensão de regulação electrónica semi-activa, punhos e assentos aquecidos, GPS integrado; rádio com leitor mp3, alarme anti-roubo, condução integral sem chave e comando centralizado e à distância do fecho das malas, ecrã com regulação eléctrica de posição memorizada, piscas com cancelamento automático, interface bluetooth para intercomunicadores. E ainda plataformas de pés avançadas para o condutor, protecções de motor e faróis suplementares entre outros.

Traduzido para linguagem financeira, o valor final com todas estas mordomias ronda os 30.000 euros. E a gama de acessórios originais ainda lhe dá a oportunidade de gastar mais uns “trocos”.


Na prática, esta Bagger é uma verdadeira papa-quilómetros. E é preciso dar largas à imaginação para se lhe poder atribuir algum defeito efectivo. No entanto, em consideração da afamada competência teutónica, há uns pontos em que ainda poderiam ter feito melhor:

A pouca altura ao solo em curva poderá ser uma limitação para os condutores mais rápidos.

Os mais perfeccionistas vão achar que já era hora de nestas motos, nas turísticas pelo menos, a BMW ter botões de comando iluminados.

Qualquer pendura ficará indignado/a com a falta de um apoio lombar, apesar de, ainda assim, a boa colocação das pegas do passageiro proporcionar uma viagem relativamente confortável.

E qualquer audiófilo ficará chocado com a pouca qualidade e potência de som do sistema de áudio da K1600B. Sobretudo se já tiver ouvido o som instalado por alguma concorrência.

Falta ainda referir que, quem tiver cabeça grande, vai ter de esquecer a opção de guardar o capacete nas malas. O meu capacete C4 de tamanho M entra mesmo à justa e com muita ciência mas, por exemplo, um Neotech da mesma medida já não entra de maneira nenhuma.


Durante o período de teste, que não chegou a uma semana, tive oportunidade de fazer cerca de 900km, entre Lisboa, arredores e uma ida a Faro, sempre pelas nacionais. Os ritmos de andamento não foram demasiado escandalosos, e o 6 cilindros agraciou-me com uma média de consumos bastante interessante, sendo que o seu depósito de 26,5 litros me concedeu sempre autonomias a rondar os 300km até à reserva.

Por tudo isto, e por mais algumas razões que vai perceber se se tentar a fazer um test-ride a esta moto, a K1600B apesar de não ser a companheira ideal para o dia-a-dia urbano, é uma opção a ter em conta para quem gosta mesmo muito de viajar, andar depressa e fazer muitos quilómetros.

É também a moto perfeita para umas escapadelas terapêuticas. Sobretudo se for do género “lobo solitário”, e gostar de ir longe sem ter de perder muito tempo no caminho! 

O prazer de condução, aliado ao conforto e à elevada confiança que transmite, mesmo em andamentos muito rápidos em estrada de curvas, é o grande argumento desta moto exclusiva que, a única coisa que ela não consegue é: - Não dar nas vistas! É que a sua silhueta e os seus pormenores estéticos e técnicos não passam, de forma alguma, despercebidos.

Equipamento:

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BMW K 1600 B | Moto | Tour

andardemoto.pt @ 6-3-2018 04:39:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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