Teste Ducati SuperSport 950 S - A desportiva sensata

A Ducati SuperSport 850 S renova-se e apresenta novidades em vários aspetos. Uma eletrónica mais refinada e um design refrescado são apenas alguns destaques de uma desportiva sensata.

andardemoto.pt @ 23-5-2021 20:58:24 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Ducati Supersport 950 S | Moto | Supersport

Atualmente a Ducati pode ser mais conhecida pela sua superdesportiva Panigale V4 ou pela aventureira “touring” Multistrada V4. Mas os engenheiros e designers da casa de Borgo Panigale sabem como criar motos que ficam a meio caminho entre uma desportiva pura e uma turística. E isso ficou bem patente quando em 2017 a marca italiana reintroduziu a SuperSport, então com o motor Testastretta de 937 cc.

Mas, como em tudo na vida, é necessário evoluir. E a Ducati aproveitou a mudança para as regras Euro 5 para, de uma só vez, atualizar a SuperSport e elevar o nível da sua performance com uma série de alterações que resultam num conjunto muito eficaz e acessível. Este segunda geração da SuperSport 950 não se trata apenas de um “facelift”.

As carenagens adotam linhas mais próximas daquelas que encontramos na poderosa Panigale, e até mesmo os detalhes como as guelras laterais são transpostas para esta “sport-tourer”.


O motor continua a ser o Testastretta. Com 937 cc, este motor é uma evolução do motor usado na Monster 821, mas com uma importante novidade: os rolamentos da cambota. A Ducati optou por usar novos rolamentos de 44 mm, o que por um lado aumentou a fiabilidade, e por outro ajudou a reduzir o ruído mecânico do motor.

Agora com homologação Euro 5, o motor Testastretta que se esconde nas carenagens esculpidas de forma aerodinâmica desenvolve 110 cv às 9.000 rpm, enquanto o binário máximo atinge os 93 Nm às 7.500 rpm, sendo de realçar que a partir das 3.500 rpm grande parte do binário, cerca de 80%, fica disponível para que o condutor possa divertir-se enquanto acelera de uma curva para a outra, aproveitando a generosa entrega de binário nos médios regimes.

Outra novidade mecânica que é facilmente notada em condução é a adoção de rolamentos de agulhas no seletor da caixa de velocidades. Com esta modificação, encontrar o ponto-morto deixa de ser problemático.


Um novo catalizador de maiores dimensões e uma reprogramação dos parâmetros da injeção são as novidades que completam esta versão Euro 5 do motor italiano. O chassis permanece relativamente inalterado.

A nova SuperSport 950 S, versão mais bem equipada e que aqui é testada, conta com um quadro em treliça, cuja construção e geometria se mantém igual à geração anterior. A Ducati refinou ao longo dos anos a rigidez estrutural do quadro tubular, e utiliza o motor bicilíndrico em L para aumentar essa rigidez e garantir um comportamento equilibrado e de certa forma confortável.

Como referi, a moto aqui testada é a variante S. Ao contrário da versão base que usa uma mistura de componentes Marzocchi / Sachs, esta SuperSport 950 S assenta em suspensões Öhlins “premium”, para um comportamento muito mais eficiente e uma solidez a toda a prova. Na frente encontramos uma forquilha com bainhas de 48 mm de diâmetro, enquanto na traseira o monoamortecedor, também da marca sueca, está fixo ao monobraço oscilante que deixa à vista na sua totalidade a bonita jante de 17 polegadas.


As possibilidades de afinação são totais em ambos os eixos. A travagem não foge da receita há muito utilizada pela Ducati. Pinças Brembo M4.32 monobloco de quatro pistões a morderem discos de 320 mm à frente, sendo que, e esta é mais uma novidade bastante relevante, o sistema de travagem é agora auxiliado por ABS com função em curva.

Para esta nova geração da SuperSport 950 S a equipa de desenvolvimento trabalhou num renovado pacote eletrónico que mantém esta desportiva sensata de Borgo Panigale perfeitamente atualizada perante a concorrência. Em estreia encontramos uma plataforma de medição de inércia de seis eixos fornecida pela Bosch.

Esta IMU permitiu utilizar parâmetros muito mais eficazes para cada uma das ajudas eletrónicas, e particularmente o controlo de tração e o ABS passam a funcionar de acordo com o ângulo de inclinação da SuperSport 950 S em curva. Modos de condução à disposição do condutor são três – Sport, Touring e Urban, cada um com intervenção direta e automática no controlo de tração Evo, no “anti-wheelie” Evo, no ABS e na forma como a potência é disponibilizada pelo acelerador eletrónico “ride-by-wire”.



Nos dois primeiros modos de condução a potência é máxima, mas a forma como o motor responde aos nossos “inputs” é mais suave em Touring. No caso do modo Urban a potência desce para os 75 cv e todas as ajudas eletrónicas ficam muito mais alerta e ativam mais rapidamente em caso de deteção de algum excesso que pode levar a uma queda.

Com tanta opção à escolha, a Ducati foi obrigada a instalar na SuperSport 950 S um novo painel de instrumentos TFT a cores, de maior dimensão. Com 4,3 polegadas este painel fornece muita informação, apresentando-a de forma fácil e legível, sendo que através dos botões no punho esquerdo acedemos às diversas opções eletrónicas.

Os primeiros momentos aos comandos da nova Ducati SuperSport 950 S passam rapidamente enquanto nos perdemos na sonoridade viciante que emana das ponteiras duplas tipo “shotgun”. O burbulhar dos 110 cv denota que estão prontos a correr, e assim que rodamos o acelerador e os 210 kg de peso do conjunto se começam a mover, rapidamente descobrimos uma moto equilibrada e acessível.


Com um assento largo a apenas 810 mm de altura do solo, a SuperSport 950 S é uma moto que recebe o condutor com uma posição de condução que pende mais para o lado turístico do que para o desportivo. Até porque os avanços são bastante elevados em relação ao assento. Com os “pops & bangs” audíveis nas desacelerações, o motor L-Twin revela-se muito competente. Em particular nas recuperações.

Não podemos rolar em 6ª a 70 km/h ou o dois cilindros vai queixar-se. Mas se estivermos em 5ª e rodarmos punho as rotações sobem rapidamente, sem soluços. Numa condução descontraída percebemos como os engenheiros afinaram a injeção do Testastretta na perfeição!

O que não é perfeita é a visão para a retaguarda. Os espelhos retrovisores tornam-se inúteis acima dos 40 km/h, e devido às vibrações, visualizar o que está atrás de nós será um problema.

Não vale a pena levar as rotações para lá das 9.000 rpm. A partir desse limiar os 110 cv perdem o fôlego. Onde a SuperSport 950 S se sente mais à vontade é na faixa de rotações entre as 4.000 e as 8.500 rpm, aproveitando os 93 Nm na sua plenitude, trocando ocasionalmente de relação de caixa usando a ajuda do “quickshift” bidirecional.

Neste particular destaco a maior precisão do sistema, mas ainda assim já vi a Ducati fazer melhor ao nível da suavidade de engrenagem de cada relação. Especialmente quando rodamos a velocidades urbanas. Parece que a eletrónica que comanda o “quickshift” não quer funcionar, e as trocas de caixa por vezes são ásperas.


E por falar em velocidades urbanas, tenho de referir que apesar de todo o cuidado da Ducati na criação de linhas aerodinâmicas, e que na minha opinião apenas vieram realçar o que já era uma moto bastante apelativa em termos visuais, alguns pormenores não foram bem pensados.

Nas manobras a baixa velocidade, e com a direção totalmente virada para um dos lados, os dedos ficam entalados nas carenagens laterais. Em estrada mais aberta dei por mim a fluir de curva em curva e a usar uma relação de caixa acima do que uso normalmente nas estradas que percorro todos os dias.

A força disponível é tão generosa que nem dá vontade de abusar da caixa. É um facto que a SuperSport 950 S não nos faz ficar sem fôlego como uma Panigale V4.

Mas também não é uma “molengona”, e apesar dos seus 210 kg de peso, bem distribuidos entre os dois eixos separados por 1478 mm, se notarem nas trocas de inclinação mais agressivas, com o tempo aprendemos a aproveitar melhor a forma como as suspensões Öhlins trabalham na compressão e extensão, e o resultado é diversão.


Não vale a pena pensar que aos comandos da SuperSport vamos conseguir fazer as mesmas trajetórias de uma superdesportiva. A menor altura disponível ao solo rapidamente vai relembrar o condutor de que está no limite da inclinação, e mesmo que os pneus Pirelli Rosso Corsa III consigam agarrar-se ao asfalto, no nosso consciente soa imediatamente o alarme e reduzimos o ritmo imposto de forma natural.

Porém, a forma como as suspensões suecas fazem o trabalho de digerir as transferências de peso, mesmo nas travagens mais fortes, quase que obrigam a conduzir a SuperSport 950 S de uma forma mais desportiva.

É impossível não ficar impressionado com as capacidades deste conjunto da Öhlins. Tanto em compressão como em extensão, sentimos sempre o que a moto está a fazer, e isso traduz-se em maior confiança para ir ao limite, enquanto a direção revelase assertiva e estável, mesmo nos pisos irregulares.



Ao nível da eletrónica não posso deixar de referir que se notam claras melhorias no funcionamento das ajudas. Em particular no controlo de tração.

Preferencialmente os condutores mais experientes vão optar por colocar o controlo de tração entre o nível 1 e o 3. De 4 a 6 será mais do que suficiente para os que se iniciam nestas andanças, e acima disso apenas estaremos a sentir o controlo de tração a intervir cada vez que rodamos o punho direito de forma menos progressiva.

Acima de tudo é notória uma evolução na forma como as ajudas à condução intervêm na condução. Mais suaves, mais precisas. Para ser uma verdadeira “sport-touring” a SuperSport 950 S só sente falta de um “cruise control”, pois a proteção aerodinâmica proveniente do para-brisas ajustável é bastante boa. Até porque na lista de opcionais encontramos malas laterais e os punhos aquecidos.

VEREDICTO


Como eu suspeitava assim que vi a nova geração ser apresentada online no final de 2020, a nova Ducati SuperSport 950 S é uma clara evolução do conceito “sport-touring” de Borgo Panigale.

A adição de uma eletrónica mais evoluída por força do uso da plataforma de medição de inércia da Bosch ajuda a complementar ainda mais a excelência da ciclística italiana, onde se destacam as suspensões Öhlins, mas também o acerto na rigidez do quadro tubular.

Não está isenta de falhas. Os espelhos vibram demasiado, os dedos ficam presos entre as carenagens e o punho, e a autonomia também não é exemplar, ainda que com uma condução mais contida seja possível otimizar os consumos e percorrer distâncias medianas e que podemos dizer aos amigos que fizemos uma viagem!

É uma moto que não deixa ninguém indiferente à sua passagem. Tem uma aura de desportiva como as Ducati têm, a qualidade de acabamentos está no topo do que podemos esperar do segmento, e o motor está bastante mais refinado.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção


Capacete - X-lite X803 RS Ultra Carbon
Blusão - REV’IT! Hyperspeed Pro
Calças - REV’IT! Orlando H2O
Luvas - REV’IT! Chevron 3
Botas - REV’IT! Mission

Galeria de fotos teste Ducati SuperSport 950 S

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