Comparativo Triumph Trident 660 vs Yamaha MT-07 - Uma batalha sem tréguas!

A bem sucedida e renovada Yamaha MT-07 enfrenta aquela que será a mais séria candidata a destronar a naked de Iwata do topo das vendas. Será que a nova Triumph Trident 660 tem o que é preciso para vencer esta batalha sem tréguas?

andardemoto.pt @ 17-5-2021 19:17:45 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Triumph Trident 660 | Moto | Roadsters
Yamaha 2021 MT-07 | Moto | Hyper Naked

O segmento das naked de média cilindrada está mais concorrido do que nunca. De todos os lados aparecem propostas que tentam captar a atenção e o coração dos motociclistas que procuram uma moto que seja divertida, mas acima de tudo polivalente. Uma naked, despida de carenagens que impedem de visualizar toda a sua beleza mecânica, tem de ser hoje em dia uma moto capaz de fazer um pouco de tudo.

E se olharmos para a quantidade de nakeds de média cilindrada que rolam pelas nossas estradas, rapidamente ficamos a perceber a importância que este tipo de motos tem no nosso mercado. As opções à escolha dos motociclistas são muitas, dos mais variados tipos.

Mas há já alguns anos que a Yamaha tem conseguido dominar o segmento com a sua popular MT-07. Uma moto simples em termos de ciclística, mas que tem um motor bicilíndrico que conquistou pelas suas performances. Os números de vendas em Portugal não enganam: a MT-07 é um sucesso!


Com tanta procura pelos modelos naked de média cilindrada mais acessíveis, os engenheiros da Triumph repensaram a sua estratégia comercial para 2021. É um facto que a original Street Triple 675 era uma moto bastante desportiva, mas ainda assim brilhava pela sua polivalência. As gerações mais recentes da Street afastaram-se um pouco desse conceito e abraçaram o lado mais desportivo. De forma brilhante, diga-se.

Por isso, a Triumph tinha de fazer alguma coisa para entrar nesta guerra sem tréguas pelo ceptro da categoria naked de média cilindrada. O resultado foi o desenvolvimento de uma moto nova, a Trident 660. O motor é o tão adorado tricilíndrico em linha que aprendemos a associar à marca britânica. E depois conta com uma ciclística honesta e algumas ajudas eletrónicas.

Antes de começar a colocar a Yamaha MT-07 e a Triumph Trident 660 num frente a frente, convém no entanto referir que neste comparativo queríamos contar com a presença da também renovada Honda CB650R, que em 2021 apresenta diversas novidades. Infelizmente não nos foi possível juntar a refinada quatro cilindros em linha japonesa a este trabalho, pelo que em breve iremos realizar um teste à Honda CB650R em formato individual.


Quanto às duas motos que se enfrentam neste comparativo, por um lado temos a Triumph Trident 660, com o seu motor tricilíndrico de 660 cc, cortesia de cotas internas com pistões de 74 mm de diâmetro a percorrerem um curso de 51,1 mm. Este motor inglês anuncia uma potência máxima de 81 cv às 10.250 rpm, enquanto o binário máximo de 64 Nm é atingido às 6.250 rpm.

Como bom tricilíndrico que é, e para além do uivar da admissão a cada rodar do punho direito, a subida de rotações do motor da Trident acontece de forma linear e agressiva, e o motor é definitivamente mais pontudo, no sentido em que se sente totalmente à vontade quando o levamos para os regimes mais elevados.

Não que isso penalize muito o funcionamento a baixa velocidade, pois também aí a Trident 660 se revelou uma moto muito agradável e suave, embora a nível de consumos seja ligeiramente mais “gulosa” do que a rival japonesa.


Por outro lado, temos a Yamaha MT-07. A naked de Iwata aposta numa motorização com configuração de dois cilindros em linha. O motor CP2, como é conhecido, mantém a mesma tecnologia “Crossplane” que permite uma ordem de ignição característica. Com dimensões internas de 80 mm de diâmetro e um curso de pistões de 68,6 mm, a MT-07 apresenta uma cilindrada de 689 cc.

A potência anunciada:é de 73,4 cv e, em teoria, seria ligeiramente menos performante. No entanto, essa potência aparece mais abaixo nas rotações, nomeadamente às 8.750 rpm. Por outro lado, os 67 Nm produzidos pelo motor japonês batem a Trident 660 por pouco, e estão disponíveis na sua totalidade às 6.500 rpm, ou seja, ligeiramente acima do que a Triumph consegue.

Isto resulta numa entrega de potência muito contundente a baixos regimes e, na passagem para os médios regimes o dois cilindros da Yamaha MT-07 mostra os pulmões bem cheios de oxigénio, respondendo de forma assertiva aos nossos desejos, empurrando o conjunto para a frente de uma forma divertida.

Não vale a pena puxar pelo CP2 acima das 9.000 rpm, mas até esse ponto, a MT-07 acompanha a Trident 660 em aceleração e velocidade (desde que o condutor consiga manter a roda da frente colada ao asfalto, coisa que na MT07 é tarefa muito difícil).


Fizemos vários testes lado a lado para verificar qual será a melhor em aceleração. E os resultados, depois de várias tentativas, mostram que tanto a MT07 como a Trident 660 estão muito equivalentes.

Nos arranques de 2ª, as duas naked saem lado a lado, sem grandes diferenças. Mas assim que as rotações sobem, também se nota a tendência da MT-07 subir a roda dianteira, e é aí que a Trident 660 salta para a frente e ganha vantagem.

Não deixa de ser interessante que esta tendência da Yamaha em levantar a dianteira em aceleração seja tão notada, e o mesmo não se possa dizer da Triumph. Até porque, enquanto a MT-07 tem uma distância entre eixos de 1400 mm, a Trident 660 tem 1401 mm.

Isto diz-me claramente que a distribuição de pesos na naked japonesa coloca mais peso no eixo traseiro, enquanto a naked britânica terá um pouco mais de peso sobre a roda dianteira para ajudar a contrariar essa tendência.

Ao nível do motor, sem dúvida que a MT-07 quase que nos obriga a conduzir ao melhor estilo “hooligan”. Tem uma grande disponibilidade em baixas, e depois os 67 Nm conseguem mostrar-se sempre prontos a entrar em ação, principalmente nas recuperações, o que não obriga a tantas trocas de caixa.

A Trident 660, embora não seja uma “molengona” na faixa mais baixa de rotações, sentese melhor quando a conduzimos depressa, mantendo as rotações lá mais acima e na sua zona de conforto onde os 81 cv se revelam no seu melhor.



E as diferenças continuam depois nos componentes da ciclística. Embora usando ambas um quadro em tubos de aço, a verdade é que o desenho de cada estrutura é bastante diferente. No caso da Trident 660 os tubos apresentam um diâmetro bastante mais generoso, utiliza menos tubos aproveitando mais o motor como elemento de reforço estrutural, sendo que as placas laterais que unem o quadro e o pivot do braço oscilante são também de maior rigidez.

Já a Yamaha MT07 aposta em tubos de aço de menor diâmetro, sendo que o motor, por ser bicilíndrico e mais compacto, levou os engenheiros de Iwata a criar uma estrutura que conta com maior quantidade de tubos para conseguir a rigidez considerada ideal pela marca japonesa.

Com isso, a MT-07 ganha alguma flexibilidade e torna-se mais condescendente em termos de absorver os excessos de condução, mas a Trident 660 revela uma solidez estrutural muito superior que permite explorar a moto de uma forma mais desportiva.


Quando começamos a “apertar” o ritmo nota-se claramente o quadro da MT-07 a chegar ao seu limite, torcendo-se para conseguir acompanhar as trocas de inclinação. Já a Trident 660 mantém uma compustura assinalável e uma estabilidade a toda a prova. Mas isso também se deve à melhor qualidade das suspensões.

A Yamaha, para manter o preço da MT-07 mais baixo, opta por um conjunto de suspensões que, embora sirvam o propósito de uma naked polivalente, acabam por se mostrar menos eficientes do que as suspensões Showa que a Triumph selecionou para equipar a Trident 660.

A forquilha telescópica da MT-07 revela uma afinação equilibrada para ritmos urbanos, conseguindo digerir facilmente alguns impactos ou os ressaltos dos pisos mais degradados das nossas cidades. Mas basta chegar a uma estrada de montanha com curvas encadeadas e que obrigam a travagens mais fortes para rapidamente chegar ao seu limite de compressão.


É nesse momento que o condutor da MT-07 se vê obrigado a reduzir o ritmo, sendo de realçar o monoamortecedor. Com uma afinação a pender para o conforto, beneficiando uma condução descontraída, acaba por não aguentar o esforço sob aceleração e baixa a traseira à saída das curvas, aliviando a dianteira, o que inevitavelmente leva a alargar as trajetórias. Em condução, a MT-07 revela limitações ao nível das suspensões. E isso obriga o condutor a ter de trabalhar mais com movimentos do corpo para conseguir manter o equilíbrio. Torna-se uma moto mais desafiante do ponto de vista da condução.

Já a Triumph Trident 660, tal como acontece com o quadro, usufrui de suspensões bastante mais sólidas e eficazes. A marca britânica optou pela forquilha invertida Showa SFF (funções separadas) e um amortecedor também da mesma marca. O resultado é uma capacidade de leitura do asfalto muito boa, que a coloca no topo do segmento das naked utilitárias.

A Trident gosta de ser espicaçada para mostrar aquilo que é capaz, e a posição de condução coloca o condutor mais “dentro” do conjunto, garantindo assim um domínio mais preciso dos movimentos da moto.


Gostei bastante da forma honesta como transmite tudo o que está a acontecer, percebemos claramente e de forma antecipada quando estamos a chegar ao limite da aderência, e será muito fácil, mesmo para os menos experientes, explorar as capacidades dinâmicas da Trident. Mesmo em inclinações limite a Trident 660 não perde estabilidade.

E isso nem posso atribuir ao facto das motos contarem com pneus diferentes, pois ambas saem equipadas de fábrica com pneus Michelin Road 5, que garantem bons níveis de aderência, desde que consigamos manter a temperatura da borracha elevada.

Curiosamente, e apesar de tantas diferenças na sua conceção, o assento de ambas está posicionado a 805 mm de altura do solo.

A Yamaha redesenhou o assento para esta geração atualizada da MT-07, está mais esguio, o que facilita bastante chegar com os pés ao solo. A Trident 660 tem um assento mais largo, particularmente na secção posterior. Neste particular tenho de confessar que fiquei mais satisfeito com o assento e a posição de condução da Yamaha.

Com o guiador mais largo a permitir adotar uma postura mais de estilo “motard” de braços bem abertos, o assento unido ao depósito mais esguio deixa o condutor movimentar-se de forma mais livre. Mas é impossível não gostar da forma agradável e confortável como a Trident 660 recebe o condutor aos seus comandos. Principalmente ao fim de um dia inteiro a andar de moto essa será uma mais-valia para a proposta britânica.


Esta batalha sem tréguas continua com a análise ao poder de travagem de cada uma.

Aqui, mais uma vez, a Triumph opta por selecionar componentes mais vistosos, se assim podemos dizer. As pinças Nissin de dois pistões mordem discos de 310 mm. Com um sistema de ABS muito eficaz e pouco interventivo, o que nos permite travar mesmo no limite, a Trident 660 apresenta maior progressividade do que a rival, embora o “feeling” seja menos imediato.

A Yamaha pode não levar a vantagem em termos de “hardware” de travagem da MT-07. Os discos são de menor dimensão, apenas 298 mm. Mas compensa com uma mordida inicial mais incisiva, e o tato na manete é igualmente progressivo como na rival, pelo que podemos prolongar o momento de travagem sem receios já com a moto inclinada na trajetória.

Em termos de design, não poderíamos estar na presença de duas propostas mais distantes entre si.

Enquanto a Triumph seguiu uma opção clássica ao melhor estilo naked roadster, com a Trident 660 a apresentar linhas orgânicas e menos agressivas visualmente, a Yamaha vai aprofundando um design de inspiração nos desenhos manga japoneses.

A MT-07 com a sua dianteira futurista não será uma moto que facilmente conquiste os corações dos motociclistas, mas confesso que quanto mais tempo passei com ela, mais me fui habituando ao seu design agressivo.



Por último, gostaria de abordar a temática da eletrónica.

Em nakeds útilitárias de média cilindrada como a MT-07 ou a Trident 660, o preço é um fator extremamente relevante. Uma das formas de manter o preço em níveis mais baixos é não utilizar um pacote eletrónico muito evoluído. Aliás, no caso da Yamaha não existe qualquer ajuda eletrónica para além do ABS.

Logo aí a moto japonesa fica a perder numa comparação direta.

Já a Triumph instala na Trident 660 dois modos de condução – Rain e Road – e um controlo de tração para garantir que mesmo nos pisos com menor aderência podemos desfrutar desta moto com total confiança. Trocando entre cada modo de condução sentimos claramente uma diferença na forma como o motor entrega a sua potência, sendo que o controlo de tração se mostra bastante intrusivo quando em modo Rain.

VEREDICTO - Comparativo Triumph Trident 660 vs Yamaha MT-07


Como em todos os comparativos, chegamos ao momento em que temos de escolher a vencedora. Neste caso, e como poderá ter percebido ao longo do texto, a Triumph Trident 660 mostrou-se uma opção mais válida no sentido de que faz de tudo e faz melhor do que a Yamaha MT-07.

A novidade da Triumph conta com melhores componentes e uma eletrónica que a Yamaha MT-07 pura e simplesmente não tem. Sim, não posso deixar de referir que a MT-07 é a mais divertida de explorar, mas tem várias limitações dinâmicas devido à sua ciclística simplista. O fator de diversão é definitivamente melhor na Yamaha.

Mas a Triumph Trident 660 é a naked de média cilindrada que, sendo um pouco mais cara do que a Yamaha, apresenta melhores argumentos ao nível do conforto, qualidade de acabamentos, motor polivalente e suave, embora mais “guloso”, e uma imagem mais consensual.

A Trident 660 consegue ser a mais equilibrada e evoluída, e isso traduz-se numa vitória neste comparativo.

Galeria de fotos Triumph Trident 660

Galeria de fotos Yamaha MT-07

Galeria de fotos Triumph Trident 660 vs Yamaha MT-07

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Yamaha 2021 MT-07 | Moto | Hyper Naked

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