Teste Ecooter E2 MAX- Pequena mas Atrevida

Uma pequena scooter elétrica urbana para surfar no caótico trânsito urbano.

andardemoto.pt @ 26-4-2021 23:52:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

Passar das grandes cilindradas, com quase inesgotáveis recursos de potência, roncos graves, velocidades de ponta alucinantes com peso a condizer, para os comandos desta pequena e delicada E2 Max é quase uma experiência surreal.

Na verdade, até quem estiver habituado a motos ou scooters convencionais de 125cc, precisa de alguma habituação para começar a desfrutar desta scooter elétrica.

Não só porque ela é mais rápida, mais ágil e transmite mais confiança, mas também pela suavidade de funcionamento proporcionada pelo motor, colocado em posição central, e à transmissão à roda, que é feita por uma correia dentada através de uma geometria desenhada para reduzir ao mínimo o seu desgaste.

O motor reage com extrema previsibilidade ao acelerador e o arranque é fogoso, permitindo facilmente sair destacado nos semáforos, na frente do trânsito. A electrónica permite definir, mesmo em andamento, diversos modos de motor para aumentar a autonomia ou a velocidade de ponta e ainda proporciona uma prática marcha-atrás.

 A direção é bastante precisa e o conjunto reage de forma rápida, mas bastante previsível, tanto na entrada como durante a curva, permitindo ainda manobrar com extrema facilidade.

Para isso contribui o peso muito reduzido, de apenas 78 kg (mais baterias cada uma com um peso de 14 quilos), e a excelente brecagem que permite fazer inversões do sentido de marcha em espaços muito apertados. Na base destas virtudes está o quadro, bastante sólido, fabricado em aço de alta qualidade com soldaduras robóticas totalmente automatizadas e com tratamento anti corrosão.

O sistema de travagem combinada funciona muito bem, podendo ser considerado referencial para uma qualquer scooter, proporcionando desacelerações potentes e uma grande capacidade de dosagem na manete.

A suspensão é também ela muito boa, absorvendo as maiores irregularidades do piso sem qualquer dificuldade, mantendo o conforto a bordo, ao mesmo tempo que em curva reage sem instabilidade às solicitações do punho direito.

A posição de condução elevada não nos faz sentir fora do conjunto e mesmo eu, com os meus 180cm de altura, nem me senti enjaulado nem desprotegido. Há espaço suficiente para os pés, o guiador não “embirra” com os joelhos e é bastante fácil colocar os pés no chão sem nos movermos no assento.

Mesmo com passageiro, que beneficia de um assento confortável e de pegas para as mãos bastante bem desenhadas e colocadas, tal como apoios para os pés bem posicionados, o conforto não desaparece. Os espelhos retrovisores (que não vibram) oferecem uma excelente visibilidade.


Ressalta a qualidade de construção, com bons acabamentos, materiais de qualidade, uma pintura impecável, encaixes perfeitos e uma total ausência de ruídos parasitas. Ideal para nos deixar sorridentes apenas a ouvir o vento.

É verdade que as baterias ainda não têm a autonomia ideal, mas no meu caso pessoal, que não prescindo de uma scooter para fazer a minha vida dentro da cidade, os anunciados 80 quilómetros de autonomia mínima davam perfeitamente para ter que me preocupar com os carregamentos apenas uma ou duas vezes por mês (aliás esta Ecooter E2 MAX tem a mesma autonomia da minha scooter 125cc).

E o carregamento nem sequer constituía problema pois, graças à bateria destacável, poderia perfeitamente levá-la para casa e carregá-la durante a noite, ou para o escritório e carregá-la durante algumas horas do dia, sempre numa tomada normal. 


E regalar-me a pensar que em vez de cinco ou seis euros para abastecer, iria gastar, eventualmente, até menos do que um euro! E a isso ainda acrescentava a poupança em manutenção, sem revisões, nem mudas de óleo, nem problemas de arranque após paragens mais prolongadas!

E assim poderia justificar a amortização do preço de compra que, apesar de elevado (quase o dobro do preço de uma scooter 125cc de qualidade equivalente) é ainda assim mais barata que alguns dos modelos mais prestigiados do seu segmento.

Em opcional, a Ecooter E2 MAX pode ser equipada com uma segunda bateria que lhe permitirá aumentar a autonomia ao utilizar ambas em simultâneo, ou facilitar as cargas já que uma pode estar a carregar e outra em utilização. No caso da utilização de duas baterias fica-se impossibilitado de guardar o capacete no desafogado porta-bagagens existente por debaixo do assento.

 A praticidade é grande. Não falta uma tomada USB, nem um pequeno porta-luvas e até tem um comando à distância para ligar e desligar o imobilizador. Tem ainda uma App associada com módulo GSM que permite controlar os percursos realizados, fazer auto-diagnósticos, alertar para a diminuição da pressão de qualquer dos pneus (opcional) ou mudar os settings do computador de bordo e do display digital cuja cor pode ser alterada, ou ainda configurar um útil alarme anti-roubo e os sinais sonoros que emite durante a utilização, como os dos piscas e o do botão de arranque.

O painel de instrumentos adapta-se automaticamente à luminosidade existente através de uma célula fotovoltaica, sendo bastante legível em qualquer circunstância. Um controlo inteligente sincroniza os dados da scooter em tempo real com a App.


Resumindo, trata-se de um caso sério de mobilidade urbana, sustentável, com um design moderno e prático, que contribui para um ambiente mais saudável e silencioso nas nossas cidades. Tendo em conta que já testei diferentes scooters e motos elétricas, posso dizer que, até agora, a Ecooter E2 MAX foi a primeira a deixar-me francamente bem impressionado e até mesmo interessado.

Se a mobilidade elétrica continuar a evoluir neste sentido, então os modelos de combustão interna concorrentes estão seriamente ameaçados e em vias de extinção, sendo que quem fica a ganhar é mesmo quem necessita de se mover regularmente dentro da cidade e mesmo até nos arredores.

andardemoto.pt @ 26-4-2021 23:52:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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