Teste Suzuki GSX1300R Hayabusa - Dona Disto Tudo

Emoções fortes, segurança a rodos e um prazer de condução muito acima da média. A nova Hayabusa mantém-se fiel aos seus princípios, mas está muito mais segura!

andardemoto.pt @ 18-7-2021 18:19:20 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge

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Suzuki GSX-1300R Hayabusa | Moto | Estrada

Desde 1999 que o Falcão Peregrino de Hamamatsu tem traçado uma história impressionante de paixões, transformações, recordes e controvérsias que culminam com este novo e tão aguardado modelo de 2021. Apesar de um mercado completamente diferente do que encontrou à nascença, em 199, a Hayabusa é a prova em como “mais do mesmo” pode ser um elogio!

Efectivamente, a nova Suzuki GSX1300R Hayabusa é tão só uma evolução. O motor foi revisto, é agora mais ecológico mas mantém basicamente as mesmas características. A carenagem também foi alvo de atenção, proporcionado um aspecto mais jovem sem perder as suas características linhas de míssil balístico, permitindo ainda reformular a admissão de ar para melhorar a combustão.

Mas a grande evolução deste modelo de 2021 consiste na adopção de ajudas eletrónicas à condução. São elas que efectivamente trazem para a actualidade uma moto que sempre esteve muito à frente do seu tempo.


Porém não vou aqui falar de características técnicas, uma vez que no Andar de Moto já pormenorizámos todas as actualizações a que que a “Busa” foi sujeita, assim como a sua história detalhada, e até esclarecemos porque usa os pneus Bridgestone Battlax Hypersport S22.

A Suzuki GSX1300R Hayabusa não é uma verdadeira desportiva. É demasiado volumosa, bastante pesada e pouco nervosa para caber folgadamente nessa categoria. Diria que é uma Sport-Tourer que se coloca inquestionavelmente no limite do espectro, para o lado do Sport. 

O conforto e a suavidade são o seu grande argumento. Isto, claro está, para além da facilidade com que atinge velocidades completamente obscenas, sem perder a compostura. 

Não lhe podemos pedir que seja uma rainha da agilidade, mas que ninguém duvide que, em estrada aberta, a Hayabusa revela o seu espírito de predadora e muito poucas presas (ou kits de unhas) lhe conseguirão escapar!

No entanto, na sua criação, a Suzuki não estaria a pensar em picanços, mas antes em cobrir grandes distâncias em pouco tempo, oferecendo sempre uma proteção aerodinâmica muito boa que, em paralelo com o desempenho das suspensões, a excelente ergonomia e o desafogado posto de condução, potenciam o acumular de quilómetros sem grande dificuldade.

O conforto a bordo é muito elevado e as ajudas electrónicas, com um interface descomplicado, muito lógico, ajudam a que os quilómetros passem à mesma velocidade que as suas antecessoras passavam, mas com muito menos preocupações para o motociclista/piloto.

Não que o motor seja bruto, ou explosivo, ou que a ciclística não responda a exigências mais elevadas em termos de inércia, aceleração, ou às irregularidades do piso. Não, nada disso. 

A Hayabusa é uma verdadeira doçura. Mas uma doçura traiçoeira, pois por detrás de uma grande suavidade e de um trato muito fácil, estão 190 cavalos de potência e 150 Nm de binário que, à minima distração, nos empurram com extrema facilidade para velocidades capazes de provocar ataques cardíacos apenas por serem pronunciadas, e que inevitavelmente transformam de forma significativa a relação espaço/tempo!


Com o novo pacote eletrónico pode-se agora sair das curvas, em aceleração, confiantes na segurança que o controlo de tracção e os modos de potência proporcionam, e sempre com a roda dianteira colada ao asfalto, ou entrar em ângulo ainda “pendurado nos travões, com a confiança que o “cornering” ABS e a travagem combinada inspiram.

À conta da unidade de medição de inércia instalada, os travões também se adaptam ao relevo, e automaticamente distribuem a pressão entre os eixos, para evitar que, por exemplo numa descida acentuada, a roda traseira descole do asfalto.

E depois ainda há aquelas funcionalidades a que costumo chamar “mimos”, já que não se destinam diretamente a aumentar a segurança, antes o conforto, como é o caso do Cruise Control, do Hill Hold Control (o assistente de travagem em plano inclinado que segura a moto durante momentos sem que seja necessário estar a pressionar a manete ou o pedal), do Quickshifter, da Iluminação de Berma, do Launch Control, ou ainda do Limitador de Velocidade para o caso de empréstimo a algum amigo menos experiente.

Ao nível dos acabamentos a Suzuki não se poupou a esforços para proporcionar um aspeto requintado e de qualidade. Os materiais mostram uma qualidade acima da média, os encaixes das carenagens são perfeitos, a pintura é densa e profunda e os esquemas cromáticos estão bem conseguidos. 

A ergonomia está bem concebida e, bem ao estilo das motos desportivas, favorece as estaturas mais baixas. E resumo, não desilude e recomenda-se!

Tudo isto foi possível comprovar na apresentação que o importador nacional, a Moteo, promoveu recentemente para a comunicação social, em terras do Além-Tejo, ali para os lados do maior lago artificial da Europa, com o rio Guadiana por pano de fundo. 

O dia foi dividido em 3 partes: Um passeio matinal, com mais ou menos 220 quilómetros, diversas pausas para sessões de fotos e abastecimento de combustíveis e um fabuloso sunset na BA11, ali paredes meias com o famigerado aeroporto de Beja, para finalmente podermos enrolar o punho e fazer o gosto ao capacete! 

O primeiro contacto aconteceu entre olival, sobrado e água a perder de vista. Com os quilómetros a somarem-se por retorcidas (e algumas bem degradadas) estradas de interior que, apesar de não permitirem explorar os predicados do tetracilíndrico a alta rotação, iam proporcionando a descoberta da quase inacreditável suavidade do motor a baixos regimes, do seu potencial para responder de forma convicta a qualquer rotação e em qualquer relação de caixa, além do comportamento inabalável da ciclística que prima por uma distribuição de peso igual em ambos os eixos.

A suspensão revelou-se extremamente competente, tanto a proteger o fundo das costas dos passageiros, como a colar os pneus ao asfalto, ou ainda a manter o conjunto impressionantemente estável em curva, mesmo quando o ritmo passava para lá do sensato!

É realmente impressionante como apesar do peso e da longa distância entre eixos, a Hayabusa se mostra tão estável e intuitiva em curva, parecendo que vai sobre carris.

A travagem foi revista, contando agora com material de fricção Brembo, e exibe pinças Stylema e discos flutuantes de 320mm, que lhe proporcionam uma excelente capacidade de desaceleração, que muitas vezes é bastante superior à capacidade de atrito dos pneus, fazendo o ABS intervir mais cedo do que seria expectável. Isto apesar de a eletrónica dosear com extrema eficácia a pressão efectuada na manete, por ambos os eixos.

Durante as sessões de fotos deu para comprovar a excelente brecagem (tendo em conta a sua vocação desportiva) e o bom desempenho do travão traseiro, sobretudo no que respeita a manobras e à correcção das trajectórias.

Foi também a altura do dia em que melhor deu para perceber que o isolamento térmico ao condutor foi relativamente bem conseguido, sendo muito pouco o calor que chega às pernas ou ao resto do corpo em caso de paragem com o motor em funcionamento.

Deu ainda para apreciar a boa colocação dos comandos e o seu bom tacto, e ir navegando por entre os diversos menus que permitem configurar a Hayabusa de acordo com as preferências de cada utilizador e de cada tipo de utilização.


Depois de um breve interregno para meter gasolina no depósito e alguma comida no estômago, foi hora de trocar de equipamento e partir para o tão aguardado momento de soltar a cavalagem numa larga recta com mais de quatro quilómetros de comprimento.

Esclarecido sobre o modo de funcionamento do Launch Control, que tem 3 regulações e que basicamente o que faz é garantir que, apesar do punho do acelerador estar trancado no fim, o regime de rotação não passa do limite pré-definido selecionado (4, 6 ou 8 mil r.p.m), permitindo libertar toda a atenção para a largada da manete da embraiagem. 

Com ou sem ajudas eletrónicas ligadas, o sistema requer alguma habituação e é uma daquelas “features” que soam melhor quando são mencionadas na esplanada do que quando são accionadas no mundo real. Pelo menos para mim.

Afinal, não é todos os dias que temos uma pista de aviação ou um circuito de velocidade à nossa disposição.

Da experiência, fica a memória da impressionante aceleração, que permite fazer arranques de 0-100 na ordem dos 3 segundos e pouco, de 0-200 em cerca de 7 segundos, registando uma velocidade máxima superior a 280 km/h (o limite do velocímetro) mas que se adivinha superior já que o conta-rotações continua a subir durante mais um bom bocado, estimando-se que atinja a fasquia ds 300 km/h.



Infelizmente não nos foi disponibilizado equipamento que pudesse registar o feito. Não me fez muita diferença, pois o entusiasmo de ver subir o ponteiro tão rapidamente, até aos 280 km/h, passa logo de seguida devido ao desconforto causado pela vibração que se faz sentir a quem, como eu, não se conseguir encaixar completamente por detrás do pequeno ecrã pára-brisas.

Apesar de tudo, não deixou de ser impressionante, mais ainda quando tinha a oportunidade de ouvir o som emitido à passagem das motos dos demais colegas de outras publicações e que mais parecia o de um avião a descolar, do que o de uma moto a rolar.

Realmente impressionante e inesquecível. Uma nota positiva também para o desempenho dos travões, que apesar de fustigados no final de diversas passagens a alta velocidade, nunca deram o mínimo sinal de fraqueza.


No final do dia, não tinha qualquer dúvida em admitir que, somando tudo, o seu inegável charme, a sua mística universal, a sua invejável longevidade, a incrível estabilidade, o desconcertante conforto, o fabuloso motor e a velocidade com que as primeiras unidades esgotaram nos concessionários, a Hayabusa é que é mesmo a Dona Disto Tudo!

E por isso, apesar de entender que seria possível melhorar alguns aspectos, nem sequer me atrevo a fazer qualquer apreciação negativa. Seria a mesma coisa que atribuir defeitos a Gandhi ou à Madre Teresa de Calcutá.

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Suzuki GSX-1300R Hayabusa | Moto | Estrada

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