Teste Royal Enfield Meteor 350 - Easy Cruiser
A celebrar os seus 120 anos de existência, a Royal Enfield aposta forte na conquista de um público mais jovem. A nova Meteor 350 surpreende. E aqui contamos-lhe o que vale esta “easy cruiser” indiana.
andardemoto.pt @ 16-7-2021 09:28:00 - Texto: Bruno Gomes
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Royal Enfield Meteor 350 Fireball | Moto | MeteorRoyal Enfield Meteor 350 Stellar | Moto | Meteor
Royal Enfield Meteor 350 Supernova | Moto | Meteor
Com
120 anos de história e o “título” de marca mais antiga do mundo em termos de
produção contínua de motos, a Royal Enfield sente a necessidade, como seria
expectável, de se renovar. Os modelos mais recentes como a Himalyan, neste caso
para um público mais específico que procura aventura, ou as Twins 650 divididas
entre a Interceptor e a Continental, lançaram as bases para a nova geração de
modelos Royal Enfield.
Porém, chegar a um público mais vasto é algo que permitirá à marca indiana
subir mais alguns patamares em termos de sucesso de vendas. E a nova Meteor 350
é precisamente isso, uma cruiser fácil, acessível, descomprometida, e que
mostra tudo aquilo que tem para oferecer logo à primeira vista.
Com a Meteor a Royal Enfield acredita que tem aquilo que é preciso para chegar
a um público mais jovem – principalmente o feminino – e para descobrir se esta
“easy cruiser” tem o que é preciso para convencer, viajámos para Madrid, onde
passámos um dia aos comandos desta novidade que recupera o nome Meteor, modelo
que nasceu nos anos 50 do século passado, então em formato roadster e com um
motor bicilíndrico de 500 cc.
A nova geração Meteor está dividida em três variantes: a versão base Fireball
com pintura de uma só cor e jantes pretas (4.345€), a Stellar com pintura
também de uma só cor mas com guiador e acabamento do escape em cromado e ainda
apoio para as costas do passageiro (4.445€) e, por último, a Supernova que se
destaca pela pintura de duas cores, jantes maquinadas e um para-brisas
dianteiro (4.545€).
Partindo de uma folha totalmente em branco, a equipa de desenvolvimento da
Meteor 350 conseguiu libertar-se dos habituais constrangimentos que aparecem
quando se tem de utilizar uma plataforma derivada de outro modelo.
Ao contrário do motor da Meteor do século passado, a nova Meteor 350 conta com
um motor monocilíndrico de refrigeração ar / óleo. Com 349 cc, este “mono”, coberto
por um acabamento negro e bem conseguido, contribuindo para a estética cruiser,
desenvolve uma potência de 20,2 cv às 6.100 rpm enquanto o binário máximo de 27
Nm é atingido às 4.000 rpm.
Por si só estes números podem não impressionar. Mas a verdade é que o motor
revela-se bastante capaz, com uma disponibilidade bastante interessante nos
baixos e médios regimes.
Com uma entrega de binário linear e bastante progressiva, os condutores menos
experientes vão sentir-se perfeitamente à vontade para conduzir a Meteor 350.
Dificilmente encantará pelas acelerações, mas, por outro lado, a suavidade de
funcionamento concedida pela utilização de um veio de equilíbrio permite
reduzir as vibrações para a quantidade suficiente, de forma a que o motor não se
torne num “pãozinho sem sal”.
A sonoridade emanada pela ponteira torna-se viciante enquanto as rotações
sobem. A este nível não posso deixar de referir que a falta de um
conta-rotações é notada, e temos apenas o nosso “feeling” para nos guiarmos em
relação ao momento em que devemos trocar de caixa, usando para isso o seletor
que engrena cada relação de forma suave e precisa.
É possível usar o pedal de calcanhar e assim evitar sujar ou estragar as botas.
A ideia de usar este componente é boa, mas a sua colocação está mal pensada, e
obriga a posicionar a bota no poisa-pés num ângulo ligeiramente torcido. Não
causa um grande desconforto, mas é o suficiente para impedir movimentar a bota
com total liberdade durante a condução.
E já que referimos a ausência de conta-rotações, convém também referir que a
instrumentação da Meteor 350 adota um design clássico, com mostradores
circulares, informações legíveis mesmo em condições de muita luminosidade, e
onde destacamos o pequeno, mas muito útil mostrador digital dedicado ao sistema
Royal Enfield Tripper.
O Tripper é um pequeno GPS (equipamento de série) e que permite a ligação ao
smartphone do condutor através da app dedicada. A conexão acontece de forma
intuitiva, e a partir daí, e usando por base o sistema Google Maps, o condutor
recebe as indicações de GPS neste pequeno ecrã digital. Um sistema simples, mas
muito eficaz, e que não destoa do conceito mais clássico da Meteor 350.
“Ah, mas o meu telemóvel não tem bateria suficiente!”. Não há problema! Uma
ficha USB escondida no punho esquerdo permite ligar e carregar o telemóvel sem
qualquer problema. E sim, esta ficha USB também faz parte do equipamento de
série. De repente os 4.345€ pedidos pela Royal Enfield para a Meteor 350
Fireball começam a parecer um bom negócio.
Mas esta “easy cruiser” não se fica por aqui. Aos comandos da Meteor 350 a
nossa primeira reação é de que a moto é significativamente maior em termos de
dimensões do que aquilo que as fotos podem fazer acreditar. É uma moto
relativamente grande para a cilindrada “três e meio”. Mas isso tem as suas
vantagens.
Por exemplo, para condutores de maior estatura, a posição de condução está
perfeita. O assento tem a distância ideal para agarrar os punhos sem ficarmos
com as costas em esforço. Destaco ao nível do conforto o apoio proporcionado
pelo assento “premium” usado na variante Supernova. É ligeiramente elevado na
sua secção posterior, e ao fim de 180 km a percorrer estradas de montanha nos
arredores de Madrid, fiquei fã deste assento.
Como seria de esperar de um motor com pouco mais de 20 cv de potência e que tem
de puxar um conjunto de 191 kg a cheio, as suas acelerações não impressionam.
Ainda assim, a Meteor 350 acelera de forma alegre e a ausência de vibrações é
notada. Rapidamente estamos a rolar a 80 km/h enquanto subimos de caixa usando
a embraiagem leve de acionar. A partir deste patamar de velocidade o ponteiro
demora mais a subir. Entre os 80 e os 100 km/h nota-se uma falta de fôlego,
principalmente nos percursos com inclinação.
Isso faz com que, por exemplo, seja necessário calcular bem o momento de
ultrapassagem de um veículo à nossa frente. Será necessário dar um pouco mais
de espaço para que o monocilíndrico Royal Enfield encha o pulmão e permita realizar esta manobra em segurança. Até porque para lá dos 100 km/h a potência
volta a aparecer, garantindo que atingimos os 125 km/h.
Nota para a transmissão muito longa. Durante o percurso do teste foi possível
verificar que a 3ª relação atinge os 100 km/h, a 4ª chega aos 125 km/h e a 5ª está
ali apenas para garantir uma velocidade de cruzeiro pois a Meteor não faz muito
mais do que esta velocidade.
Como referimos, os 191 kg de peso colocam esta Royal Enfield num lado “pesado”
da balança. O peso nota-se nos momentos de troca de direção e também nas
travagens, quando a pinça ByBre de dois pistões tenta morder com o máximo de
força que tem o disco de 300 mm para conseguir abrandar a Meteor a tempo de
fazermos a curva na trajetória desejada.
A travagem não será uma referência no segmento mas cumpre, desde que não
abusemos de forma repetida, situação em que se vai notar uma certa fadiga e
maior necessidade de apertar pela manete para sentir a potência de travagem.
O centro de gravidade está posicionado bastante perto do solo, e isso, aliado à
boa distância entre eixos, garante estabilidade em linha reta, reações neutras
por parte da direção, e uma boa estabilidade em curva, desde que não abusemos
muito da inclinação pois os poisa-pés rapidamente raspam no asfalto obrigando a
alargar a trajetória se continuarmos à procura do limite.
Também convém destacar que o quadro duplo berço em aço foi desenhado pelos
especialistas britânicos da Harris Performance. Garantia de solidez estrutural
e uma geometria adaptada a uma condução descontraída, mas que não se nega a
alguns momentos mais desportivos numa estrada de curvas encadeadas.
No que respeita às suspensões, não temos muito a apontar. Com um curso de 130
mm, a forquilha dianteira com bainhas de 41 mm revela uma clara tendência a
afundar quando travamos mais no limite. Seguramente que a grande maioria dos
clientes Royal Enfield que comprem a Meteor 350 não vão abusar nas travagens,
pelo que temos de dar uma nota positiva às suspensões que conseguem digerir bem
as imperfeições do asfalto.
Uma última nota para alguns equipamentos que tivemos a oportunidade de testar
nesta apresentação organizada pelo importador da marca, a Motorien.
Na Meteor 350 Supernova – versão que se distingue nas fotos pela pintura de
dois tons em azul e preto – é impossível não dar nota positiva à proteção
aerodinâmica proporcionada pelo pequeno, mas eficaz, para-brisas dianteiro que,
além do mais, consegue dar uma imagem mais bem acabada à zona da ótica dianteira
com luz diurna em LED.
Também na Supernova destacam-se os espelhos retrovisores na extremidade dos
punhos, que oferecem boa visibilidade para trás. O único senão nesta versão com
mais equipamento são os tubos de proteção do motor, que não têm apoios de
borracha, e em andamento causam um ruído bastante notório provocado pela
vibração.
Veredicto Royal Enfield Meteor 350
Esta “easy cruiser” pode não ser a mais impressionante em termos de números que
aparecem na ficha técnica. Mas isso não conta toda a história! Na realidade a
polivalência e facilidade de condução desta Meteor 350 é impressionante se
tivermos em conta que é uma moto que tem de servir as necessidades de condução
de um público mais amplo, inclusivamente as senhoras que irão ficar satisfeitas
com o assento a apenas 765 mm do solo.
A qualidade de construção está uns pontos acima do que esperamos de uma moto
que tem um PVP abaixo dos 5.000€. Na realidade a Meteor 350 parece-nos uma moto
feita a pensar na Europa e que, por acaso, também será vendida na Índia, e não
o contrário, que era o que acontecia com os modelos clássicos que agora saem de
catálogo.
É uma moto para ser desfrutada a ritmos mais descontraídos, e o seu motor com
menor pulmão a isso irá obrigar. Sente-se falta de mais uns 5 cv de potência
para garantir a força extra que permitisse manter a aceleração constante para
lá dos 80 km/h. Uma transmissão mais curta também ajudaria a isso.
Com uma boa relação qualidade / preço, a nova Royal Enfield Meteor 350 está aí
para as retas, e para as curvas. Disponível em três variantes e diversas opções
de cores, a garantia de fábrica de três anos e os muitos acessórios para
personalização são fatores positivos a ter em conta no momento da aquisição.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de segurança
Capacete
– Shark Spartan
Blusão – REV’IT! Hoody Stealth
Calças – REV’IT! Orlando H2O
Luvas – Furygan Spencer D3O
Botas – TCX X-Blend WP
Galeria de fotos Royal Enfield Meteor 350
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