Comparativo Husqvarna Norden 901 vs Triumph Tiger 900 Rally Pro - Adventure Premium

Confrontámos as duas Trail de média cilindrada mais apetecíveis do mercado. Qual é a melhor?

andardemoto.pt @ 15-3-2022 12:20:45

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Triumph Tiger 900 Rally Pro | Moto | Adventure
Husqvarna Norden 901 | Moto | Travel

Estas são duas das mais equilibradas e versáteis motos do mercado. O seu segmento tem as fronteiras cada vez mais esbatidas, mas poder-se-ia dizer que, tanto em termos de potência como em termos de cilindrada, situam-se a meio do espectro. Por isso, na prática, são Trails de média cilindrada.

No entanto, destacam-se das demais concorrentes pela excelência do desempenho dinâmico, pelo elevado nível de equipamento e funcionalidade e também ainda pelo design. Suficientemente potentes, ágeis e leves para uma utilização do dia-a-dia, anseiam por percorrer longas distâncias, não importando o piso, a meteorologia ou o destino.


A ergonomia bem concebida, os interfaces de utilizador bastante intuitivos, a proteção aerodinâmica eficaz e a boa gestão do calor irradiado pelo motor, aliam-se ao prazer de condução e à confiança transmitida pela ciclística, para tornarem qualquer momento aos seus comandos numa experiência memorável, seja qual for o tipo de utilização.

Husqvarna Norden

Foi em 2019, o último ano de “normalidade”, que a Husqvarna apresentou um protótipo que deixou a comunidade de motociclistas aventureiros (e não só) de olhos arregalados. Impactante, com look que prometia estar pronta para tudo, a Norden 901 aproveitava a base da KTM 890 e elevava-a para outro patamar.

Passados dois anos, apenas ficámos com pena dos farois auxiliares não serem amarelos, porque a marca conseguiu replicar, quase na íntegra, o desenho original.

Ao vivo, a silhueta negra dá-lhe uma presença esquiva, quase enigmática. O farol redondo e as carenagens a fazerem uma ligação entre o ecrã frontal e o depósito alongado harmonizam as linhas. A Norden sente-se compacta, com os volumes bem disfarçados.

A grande diferença ciclística são as suspensões, a forquilha dianteira é uma WP Apex totalmente ajustável com 43 mm de diâmetro e 220 mm de curso e, no eixo traseiro, temos um monoamortecedor WP Apex ajustável na pré-carga e extensão, com 215 mm de curso.

Aqui se revela o seu verdadeiro posicionamento, as especificações das suspensões quedam-se entre a versão mais estradista da KTM 890 Adventure e da mais extrema 890 Adventure R. Tal facto faz com que o assento da Norden se apresente um pouco mais alto (854-874 mm), mas é de longe bem mais acolhedor que o da sua irmã laranja.


Tudo o resto é-nos familiar, o motor bicilíndrico de 889 cc continua explosivo e cheio de carácter, debitando os mesmos 105 cv às 8000 rpm e 100 Nm de binário máximo às 6500 rpm.

A transmissão ganha um quickshift bidireccional, de origem, e o depósito de combustível alongado vê o seu formato ligeiramente alterado (perdendo um litro de capacidade, ficando-se pelos 19).

Não temos ajustes aerodinâmicos (a Husqvarna disponibiliza um ecrã maior na lista de acessórios, mas que também não tem regulação em altura e o painel de instrumentos TFT ganha um novo design, escuro e estilizado, para manter o mote furtivo presente em toda a máquina. 


A electrónica permanece semelhante à KTM 890 ADV, com 4 modos de condução: Street, Rain, Off-Road e Explorer, sendo que neste último podemos configurar a intervenção do ABS (desligável na roda traseira) e dos 9 níveis do controlo de tracção.

Tudo interligado por uma Unidade de Medição Inercial. Existe também a possibilidade de conectividade ao smartphone via app dedicada, permitindo navegação por indicações simples e controlo multimédia.

Todos os comutadores são familiares (incluindo a ausência de indicadores de emergência), assim como a ergonomia caracterizada pelo guiador baixo e curto. Saúda-se a presença do cruise control de série, importante em máquinas que se querem para grandes viagens.

A Norden 901 pretende ser um produto premium, uma versão exclusiva da Husqvarna para uma maxi-trail de aventura. Pintar uma tela diferente com tão bom modelo não parece ser um exercício fácil, mas a marca sueca conseguiu-o com distinção.

Galeria de Fotos Husqvarna Norden 901

Triumph Tiger 900 Rally Pro

O motor tricilíndrico de 888cc é um dos grandes trunfos da aventureira britânica. A cambota, com formato em “T” (0º, 90º e 180º) e a ordem de ignição revista com uma sequência 1,3,2 e um desfasamento de 180º, produzem uma entrega de potência engenhosa, com duas explosões rápidas consecutivas, seguidas de um maior intervalo (270º) que antecede a terceira explosão, que por sua vez também é separada por outro intervalo semelhante antes de que o ciclo se repita, assegurando assim uma melhor tracção.

Nesta versão de 2020, com homologação Euro5, a Tiger 900 apresenta uma potência muito doseável, um carácter muito característico com uma resposta imediata e contundente ao acelerador, e uma entrega de potência progressiva.

Conta ainda com uma generosa reserva de binário a baixa rotação, em paralelo com notas de admissão e escape bastante melódicas.


Como a potência não é nada sem controlo, a ciclística e o pacote eletrónico, ambos de elevado nível, mas sem exageros tecnológicos, empenham-se em garantir elevados níveis de confiança que proporcionam um enorme prazer de condução.

Na prática, a Tiger 900 Rally Pro, a mais equipada de toda a família, parece uma menina bem comportada que, quando a mostarda lhe chega ao nariz (que é como quem diz: a gasolina lhe entra abundantemente nos cilindros), parte literalmente a loiça toda, pedindo meças a qualquer outra em termos de desempenho dinâmico.

E se bem que os seus 87 Nm de binário não são, nos moldes actuais, um valor que chame a atenção, é também verdade que poucos serão os motociclistas que, em circunstâncias normais, vão conseguir estar perto de encontrar o seu limite.

No entanto, isso não será por falta de apoio da ciclística, nem das ajudas eletrónicas à condução, pois a simples incorporação de uma unidade de medição de inércia aporta recursos que permitem níveis de pilotagem bastante interessantes, sempre com elevados níveis de segurança.

Os diversos modos de condução, que englobam a regulação das ajudas eletrónicas à condução, apenas pecam por, no caso das configurações Offroad, estas serem automaticamente desativadas de cada vez que se desliga a ignição.

Por razões de segurança, diz o fabricante, que assim garante que o controlo de tração e o ABS estão ligados de cada vez que se arranca novamente, mas uma verdadeira chatice ao longo de um dia de condução fora de estrada.

Esteticamente bem cuidada, ergonomicamente bem concebida e luxuosamente equipada, tem na qualidade dos componentes o seu grande argumento e a razão de ser um produto premium cuja presença não passa despercebida.  

Galeria de Fotos Triumph Tiger 900 Rally Pro

Em estrada

Tanto a Husqvarna como a Triumph são motos que foram concebidas para rolar muitos quilómetros de seguida. As grandes viagens serão a sua praia. Em ambas, o conforto a bordo é elevado, destacando-se a Triumph por uma maior proteção aerodinâmica e uma ergonomia mais focada na posição de condução sentada.

Por outro lado, nas manobras, e graças ao seu centro de gravidade mais baixo, a Husqvarna revela-se bastante mais leve, apesar de efectivamente até registar mais 3 quilos de peso a seco.
Curiosamente, apesar de mais leve, a Triumph até vem equipada com cavalete central, que é mais uma vantagem quando se pretende fazer longas viagens.

E porque a pensar em grandes viagens, não se podem descurar os intervalos de manutenção, nesse caso, enquanto a Tiger 900 requer intervenções a cada 10.000 quilómetros, a Norden só as necessita a intervalos de 15.000 quilómetros.

Em termos de autonomia, a vantagem, apesar de curta, fica do lado da Husqvarna, cujos 19 litros de capacidade do depósito, aliados a um consumo anunciado de 4,5 litros/100km, conferem intervalos de reabastecimento teóricos de 420 quilómetros, enquanto a Triumph, com uma capacidade para 20 litros de combustível, face a um consumo anunciado de 5,2 litros/100km, apresenta uma autonomia teórica de 380 quilómetros.

Ambas as interfaces de utilizador são bastante lógicas, com a Husqvarna a mostrar-se mais simplificada em termos de operação por ter menos botões, apesar de os modos de motor e as intervenções do Controlo de Tração e ABS exigirem uma regulação separada, enquanto os modos de condução da Triumph englobam todos os parâmetros.

Aos seus comandos, as sensações são muito semelhantes. A potência e capacidade de dosagem de travagem, a estabilidade tanto na entrada como na saída das curvas, a contundente resposta ao acelerador, o elevado conforto proporcionado pela boa ergonomia e pela excelente suspensão, além de um posto de condução desafogado são ingredientes que, presentes em ambas, são basicamente tudo o que se necessita para se desfrutar de um elevado prazer de condução e momentos inesquecíveis.

Apesar de, para este comparativo, estas motos estarem equipadas com pneumáticos completamente diferentes, para utilizações distintas, não deixou de ser curioso o excelente comportamento apresentado em asfalto pela Husqvarna, equipada com pneus Pirelli de tacos, que ombrearam sem qualquer reserva com os asfálticos pneus Bridgestone montados na Triumph.

A qualidade de construção é muito boa em ambos os modelos aqui testados. No entanto, a Triumph apresenta pormenores de requinte como o ecrã pára-brisas regulável em altura, mesmo em andamento, e defletores aerodinâmicos, além de punhos e assentos aquecidos de série, que conferem uma melhor qualidade de vida a bordo, sobretudo em condições meteorológicas adversas.

No Offroad

Tal como referimos anteriormente, as unidades ensaiadas calçavam gomas distintas. Tivemos de aprofundar as características ciclísticas que poderiam ser mais relevantes quando o terreno se torna mais desafiante, e a relativização do contacto com a máquina ao solo nunca é um exercício fácil.

Todavia, se a Norden mostrou ser capaz de cumprir as exigências de atrito que o asfalto lhe propôs (montando uns Pirelli Scorpion Rally), agora era altura de colocar a Triumph em pontas dos pés. Trabalho a dobrar para os Bridgestone A41!

Neste quotidiano electrónico, qualquer aventura começa com a parametrização da máquina a preceito, o trabalho efectuado pelos engenheiros de software não merece ser menosprezado por supostos heróis que rapidamente deixam de o ser quando tudo corre mal.

E com máquinas a passarem os 200 kg e a rondarem os 100 cv, as coisas podem correr mal muito depressa!

A Tiger Rally Pro apresenta dois modos exclusivos para o fora de estrada: o Off-Road e o Off-Road Pro. Sendo que o segundo é a total ausência de ajudas, decidimos que o dia estava bonito demais para abusarmos da sorte…

No modo Off-Road, o ABS fica desligado no eixo traseiro e o controlo de tracção fica “distraído, porém atento”, permitindo derrapagens bastante controladas.

A confiança ganha com a boa ligação do punho direito ao pneu, um motor linear e intuitivo e sobretudo uns pneus mistos que deixavam antever o seu limite, permitiram bons momentos de diversão… a Triumph não se torna brusca nas reacções e dá tempo ao condutor para se adaptar à situação.

Grande parte deste brilhantismo advém do comportamento exemplar das suspensões. As Showa são incansáveis na sua progressividade. Têm um contacto inicial que se adivinharia mole mas, surpreendentemente, conseguem aumentar a carga de forma muito constante, quase suave na sua acção.

Nunca perderam a compostura nos ressaltos mais agressivos, nunca desistiram nas frequências mais ondulantes e, se o nosso cepticismo em relação à falta de taco na borracha nos pedia cautela, elas garantiam segurança e sobretudo confiança.


A Tiger não é uma moto pequena. A sua acessível altura do assento permite milagres, o guiador largo garante estabilidade, mas o centro de gravidade sente-se nas manobras mais técnicas. Sobretudo se a máquina ao lado tem por característica justamente o oposto.

Por isso nos surpreendeu a capacidade de tracção no ataque inicial ao acelerador do tricilíndrico, muito recompensador quando o usamos para corrigir a postura e salvarmos qualquer situação delicada.

O T-plane é um híbrido estranho, que se mostra linear e cheio nos médios regimes, mas compassado o suficiente para nos dar a sensação de que estamos com pulsações motrizes típicas de outro motor. Na práctica? Resulta. 

Do outro lado da barricada, a furtiva sueca ria-se do perigo. Primeiro porque estava bem calçada, e em segundo porque este era o seu território. Assumidamente, seja pela especialização electrónica, seja pela atípica distribuição de peso, a Husqvarna nasce com um pendor mais extremo, e não tem pejo em demonstrá-lo.

Os 9 níveis de controlo de tracção permitem jogar com a nossa intenção de querermos ou não dominar a máquina. A Norden e o seu motor intempestivo colocam à prova a nossa vontade de medirmos onde está o limite das nossas capacidades, porque tudo acontece de modo fácil e, sobretudo, muito rápido.

É uma exigência recompensadora, porque quanto mais lhe pedimos, melhor ela se comporta, e temos de estar à altura do acontecimento.

As suspensões não têm a “finesse” das da Triumph, são mais responsivas e directas, mas o seu casamento com uma geometria mais compacta e ágil, moldam-lhe a atitude e elevam a fasquia.

Este binómio de assertividade das mesmas, aliado à agressividade do motor, leva-nos a aumentar o ritmo, mesmo não querendo ou não tendo aptidões para tal. Felizes são as máquinas que nos desafiam…

Nas manobras mais técnicas, conseguimos perceber que o baixo centro de gravidade é um bónus, há uma sensação de menor inércia a vencer e neste jogo de desequilíbrios constantes, esta característica é, sem dúvida, uma mais-valia.

O guiador está mais próximo do condutor e é bem mais curto, e aqui entram as preferências ergonómicas de cada um, sendo que a precisão do mesmo é alavancada pelo facto de montar de série um amortecedor de direcção.

As diferenças esbatem-se mais do que se avolumam e se a Triumph seria a escolhida para fazermos uma viagem, com um nível de requinte aventureiro superior, a Husqvarna seria a eleita para acompanhar uns amigos com motos com metade da cilindrada e surpreendê-los com a sua capacidade endurista…

Conclusão

Vamos tentar organizar melhor este jogo das diferenças. Porque os preços são comparáveis mas as abordagens são bastante diferentes, a Triumph e a Husqvarna terão o seu público-alvo bem definido. Enquanto  na Norden imaginamos uma moto de fora de estrada, capaz de fazer turismo de aventura, a Tiger mostra-se com uma imagem mais clássica de uma trail.

O engraçado é que as suas personalidades se misturam, o motor da Tiger e as suas suspensões conseguem o brilhante feito de termos vontade de a sujar, de a desafiar, algo que a sua postura de qualidade de vida a bordo (típica de uma viajante) não daria a entender.

Por outro lado, a agressividade latente da Norden, o seu motor mais explosivo e as suas suspensões mais assertivas tornam-na muito divertida numa estrada de curvas, mas para ser pilotada de faca nos dentes. É mais rude na atitude, mas nem por isso menos recompensadora!

Tendo ergonomias completamente distintas, acreditamos que esse será um elemento diferenciador, sendo que no capítulo da electrónica e de equipamento a Triumph leva uma pequena vantagem (reflectida também no preço).

O que a Triumph tem de sofisticação, a Norden compensa com uma forma mais crua de viver a aventura. Ambas são motos que os levarão ao fim do mundo, na certeza de que, quando terminarem, vão querer repetir a proeza.

Veja em baixo o video que fizemos para si:

Comparativo Husqvarna Norden 901 vs Triumph Tiger 900 Rally Pro - Adventure Premium

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Husqvarna Norden 901 | Moto | Travel

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