Teste Peugeot Metropolis 400 SW - Parece mas não é
Uma luxuosa alternativa às 125cc para as grandes viagens
andardemoto.pt @ 8-3-2022 02:22:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte
Epá! Parece um carro… -dizia um amigo meu… Pois parece, mas não é... -disse-lhe eu.
Obviamente que não vou tentar sequer convencer nenhum motociclista “da velha guarda” a começar a andar numa moto com 3 rodas. Se bem que não ia ser o primeiro!
Mas quem anda de scooter 125cc sabe perfeitamente que, fazer grandes tiradas, sobretudo em autoestrada, além de entediante, constitui-se como um risco apreciável, tendo em conta a sua tímida velocidade máxima, insuficiente para acompanhar a corrente de trânsito.
Por isso, quem não tem carta de moto mas precisa de alta mobilidade, e também quer fazer longos trajetos em autoestrada e vias rápidas, encontra nos veículos de três rodas inclináveis uma excelente ferramenta para enfrentar o trânsito urbano e, em simultâneo, cobrir longas distâncias com um elevado prazer de condução e muito conforto.
E conforto é o que melhor define a Peugeot Metropolis 400 SW.
Com uma excelente proteção aerodinâmica, um bom desempenho das suspensões, uma capacidade de carga acima da média, um posto de condução bastante bem conseguido, um elevado nível de equipamento e um motor muito agradável de conduzir, esta scooter de 3 rodas foi completamente revista para 2022.
Aos comandos da Peugeot Metropolis 400 SW encontramos um verdadeiro cockpit, com uma ergonomia perfeita, uma grande visibilidade que se alarga à retaguarda graças aos espelhos retrovisores grandes e bem posicionados, e a um painel de instrumentos completo e bastante agradável à vista, em ecrã TFT de 5”, a cores, nitidamente inspirado no dos automóveis da marca.
O avançado sistema i-connect faz a conexão com o telemóvel, permitindo aceder através dos comandos da moto a diversas funções tais como navegação e notificações de chamadas e mensagens, para além de permitir consultar, na App específica, diversas informações sobre a Metropolis.
Para dar arranque não é necessária chave, pois desbloqueia-se automaticamente graças ao sistema “keyless”. O grande ecrã pára-brisas, facilmente regulável em altura, pelo exterior, garante uma excelente proteção contra os elementos.
O assento, colocado a apenas 780mm de altura, revela-se extremamente confortável e inclui um pequeno apoio lombar ajustável longitudinalmente.
A plataforma plana garante imenso espaço para os pés e para suportar sacos ou mochilas, que podem ser suspensos num gancho providenciado para o efeito. No escudo frontal, há dois compartimentos de arrumação, um deles dotado de tomada USB para carregamento do smartphone. Infelizmente nenhum deles tem fechadura.
O passageiro conta com um espaço amplo, de fácil acesso, graças aos poisa-pés escamoteáveis de grandes dimensões, que conferem uma grande sensação de segurança, também promovida pelo encosto proporcionado pela Top Case integrada, ao estilo das grandes tourers, e a pegas para as mãos bastante bem colocadas.
Em termos de condução a Peugeot Metropolis 400 SW proporciona uma experiência agradável, com o motor monocilíndrico, já com homologação Euro5 e a debitar 35,6 cv, a mostrar uma boa resposta desde baixa rotação, que torna os arranques bastante interessantes e as retomas extremamente rápidas, mesmo com passageiro e bagagem. A provar a sua grande capacidade de resposta, está a luz de aviso do controlo de tração, que frequentemente pisca no painel de instrumentos, apesar de praticamente não de fazer notar em termos de intervenção.
O depósito tem uma capacidade para 13,5 litros de combustível, pelo que, considerando consumos médios na ordem dos 5,5 litros/100km graças a uma condução pouco preocupada com a economia, permite autonomias práticas na ordem dos 200 quilómetros.
A direção é, obviamente, mais pesada que a de uma moto convencional, mas a sensação que transmite, em andamentos normais, é muito semelhante, permitindo inclinações com bastante confiança, mesmo quando o piso se apresenta irregular ou pouco aderente, mantendo trajetórias muito precisas e controladas.
A agilidade, que permite encontar caminho entre o trânsito compacto tal como numa moto convencional, é apenas limitada pelo tamanho do conjunto, que apresenta uma distância entre eixos de 1500mm, e pelo seu peso, superior a 270 quilos, em ordem de marcha, mas é compensada pela estabilidade a alta velocidade, mesmo em dias de muito vento.
A suspensão revela-se bastante confortável e apenas perde a compostura quando abusada no limite da inclinação quando o piso é mais irregular.
A travagem, dotada de ABS em ambos os eixos, reflete o peso do conjunto, necessitando de alguma convicção nas manetes para se conseguir uma maior eficácia.
Mas a Metropolis conta com um pedal de travão extra, colocado na plataforma dos pés, que além de accionar as pinças de travão das 3 rodas em simultâneo, proporcionando automaticamente uma maior capacidade de travagem, torna a condução mais simples, sendo este sistema um dos responsáveis pela homologação que permite a este tipo de veículos de 3 rodas, apesar de terem mais de 125cc de cilindrada, serem conduzidos com carta B, a de automóvel. Em caso de forte travagem são ativadas automaticamente as luzes de emergência (4 piscas) para avisar condutores que circulem na retaguarda.
Outra das funcionalidades que tornam esta scooter extremamente prática é o travão de estacionamento elétrico, bem posicionado no centro do guiador e activado por um ligeiro toque.
Em conjunto com o sistema de bloqueio da inclinação da suspensão, permite que se estacione em qualquer local, sem ser necessário recorrer ao cavalete central, já que nem sequer tem descanso lateral. É impossível esquecermo-nos de destravar antes de começar a andar, já que ao acelerar, o sistema corta preventivamente a ignição.
Em termos de capacidade de carga, esta Peugeot Metropolis é a recordista. Com a sua Top Case integrada, consegue disponibilizar 76 litros de volume de arrumação, permitindo guardar no seu interior dois capacetes integrais.
Debaixo do assento ainda existe espaço para objectos menos volumosos, como fatos de chuva ou sprays anti-furo. Não é por isso em vão que a sua denominação SW signifique, precisamente, Station Wagon.
Para abertura da Top Case e do assento também não é necessário utilizar chave. O sistema “keyless” permite abri-los, mesmo sem activar a ignição, através de botões dedicados colocados no escudo frontal.
Apesar de ter muito em comum com os automóveis, o que faz toda a diferença é a sua excitante condução, que poucas diferenças tem da condução de uma moto, e que é incomparavelmente mais satisfatória que andar enlatado. Mesmo num cabriolet!
Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:
Capacete Sena Outrush R
andardemoto.pt @ 8-3-2022 02:22:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte
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