Teste KYMCO DTX 125 TCS - Alargar horizontes

A Kymco lançou a sua primeira scooter "Crossover Adventure", com potencial para desafiar os limites urbanos em grande estilo e conforto.

andardemoto.pt @ 2-4-2024 11:30:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

A nova DTX 125 é a mais recente proposta da Kymco no mercado das maxi-scooters. Foi concebida de raiz para se tornar um best-seller da marca e uma referência no seu segmento. Destaca-se pela superior qualidade de construção e pela adopção de um estilo “adventure” tão em voga e apetecível, que se destaca pela suas linhas angulosas e agressivas. 

Os relativamente poucos quilómetros que fiz aos seus comandos, pouco mais de duas centenas, surpreenderam-me pela positiva e os comentários que ouvi sobre a sua estética bem conseguida foram elucidativos sobre o potencial sucesso que este modelo vai ter no nosso país.

Pensada para circular pelo asfalto e pela cidade, mas a permitir também incursões despreocupadas por caminhos de terra em bom estado, a nova DTX 125 pretende ser uma proposta de mobilidade pessoal urbana e lúdica, com uma cativante imagem "SUV". Mas não só!

Em andamento, surpreende a disponibilidade do motor que consegue mover com bastante convicção o próprio peso (179 kg) e o dos ocupantes, graças a uma entrega de potência muito linear. Capaz de registar 12,8 cv às 9.000 rpm a partir de um binário máximo de 10,9 Nm às 7.500 rpm, oferece uma entrega substancial logo desde baixa rotação. Um valor suficiente para que o fabricante tenha achado conveniente manter a roda traseira sob a vigilância de um sistema de controlo de tração, para uma maior segurança.

Este sistema é ativado sempre que a diferença de velocidade de rotação da roda traseira for superior a 5 km/h em relação à velocidade de rotação da roda dianteira. Quando ambas as rodas voltam a girar a velocidades semelhantes, o motor volta ao seu mapa de ignição normal e a transmitir toda a potência para a roda traseira. Este sistema TCS (Traction Control System) pode ser ativado ou desativado a partir de um comando existente no punho esquerdo, e pode ser bastante útil em situações de piso muito escorregadio.

A suspender o quadro de aço, e justificando o conceito "Crossover", a DTX tem suspensões de curso generoso (110 mm à frente e 100 mm atrás), apesar de uma afinação bastante rija que promove um bom desempenho a alta velocidade, mas penaliza ligeiramente o conforto sobretudo nas maiores irregularidades do piso. 


Com um bonito desenho, as jantes de liga leve, de 5 raios, estão equipadas com discos de travão recortados (destacando-se o dianteiro pelos seus 260 mm de diâmetro e complementar pinça de 3 êmbolos) e pneus mistos surpreendentemente aderentes, de medidas 120/80-14" na frente e 150/70-13" na traseira. Os pneus CST, com relevo proeminente para uma utilização mista, não comprometem o desempenho em asfalto e oferecem um bom desempenho em terra.

Relativamente à travagem, oferece uma mordida inicial suave, conveniente nos pisos menos firmes, mas com potência suficiente para não causar sobressaltos. O travão traseiro, muito doseável, revela-se um grande aliado nas manobras a baixa velocidade e na correção das trajetórias em curva, nunca acusando cansaço mesmo quando muito solicitado. Também aqui os pneus CST voltam a surpreender pelo seu bom desempenho, sem praticamente nunca proporcionarem a intervenção do ABS.

A posição de condução tem inspiração "trail" com um guiador que, pela sua posição e ângulo, oferece um maior controlo perante as superfícies irregulares, ao mesmo tempo que permite conduzir em pé, ainda que por períodos curtos. O posto de condução é abrilhantado por um amplo painel de instrumentos digital, em LCD, com muita informação disponível mas que, por vezes, em condições de luminosidade e de incidência da luz solar direta sobre ele, se torna menos legível. Existe bastante espaço para as pernas e para o passageiro, e garante uma proteção aerodinâmica apenas razoável, mas com a vantagem de não criar turbulência nem flutuações no capacete. O assento largo acentua os 800mm de altura a que está do chão, tornando mais complicadas as manobras para os condutores mais baixos. 

Com um depósito de combustível com uma capacidade para 12,5 litros e um consumo que na pior das hipóteses ronda os 3,5 litros/100km, a autonomia é grande, sendo mais uma tentação para uns bons passeios ao fim de semana ou de férias, já que a capacidade de carga também merece destaque, pois debaixo do assento podem guardar-se dois capacetes integrais e mais uns pequenos objetos.

Além de perfeitamente apta para transportar um passageiro com todo o conforto, oferece outras vantagens práticas, como o sistema “sem chave”, cujo comando permite destrancar remotamente o acesso ao depósito de combustível e ao compartimento de bagagem sob o assento. Ainda no que à arrumação diz respeito, no escudo frontal existe um grande porta-luvas que incorpora uma de duas tomadas USB, estando a outra colocada de forma engenhosamente concebida e discreta, bem no centro do guiador.

As proteções dos punhos são outro aspecto que confirma a tendência aventureira do conjunto, com a vantagem acrescida de, nos dias de frio e chuva, ajudarem a manter as mãos quentes. Na prática a dualidade desta scooter é incontestável, pois conjuga uma capacidade dinâmica extraordinária em asfalto, com a habilidade para se aventurar com grande à vontade em caminhos de terra, se bem que com algumas limitações impostas pela relativamente limitada altura livre ao solo.


Toda a iluminação é LED, com as ópticas dianteiras e traseiras de grandes dimensões que asseguram uma boa visibilidade. Oferece uma grande confiança desde os primeiros metros, é fácil de manobrar e bastante ágil. Em andamento mais rápido mostra um bom desempenho em curva, com grande estabilidade mesmo a alta velocidade.

Até no meio do trânsito, o avantajado volume das carenagens não compromete uma boa evolução, e com passageiro não se vê afectado o seu desempenho dinâmico, a não ser no que diz respeito ao maior esforço do motor para mover a carga. Afinal de contas, é uma 125cc, mas que não se envergonha disso!

O seu preço, ao nível do de scooters premium de marcas japonesas, pode espantar os mais desatentos, mas não pode ser considerado caro tendo em conta o nível de equipamento, a boa qualidade de construção e a sua versatilidade, isto além de um registo de grande fiabilidade reconhecido em todos os modelos da marca que, ainda por cima agora, conta com um importador e uma rede de concessionários empenhados em alcançar o sucesso que os modelos da fabricante de Taiwan atingiram já em toda a Europa. 



Equipamento:

andardemoto.pt @ 2-4-2024 11:30:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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