Teste Capacete Schuberth C5 - De perder a cabeça

Demorou, mas finalmente a Schuberth conseguiu encontrar um digno sucessor para o aclamado modelo C3Pro.

andardemoto.pt @ 10-5-2022 10:58:49 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

É um facto que a anterior versão da gama C dos capacetes Schuberth, mais concretamente o C4, foi bastante polémico por não ter conseguido a simpatia daqueles que, habituados ao excelente desempenho do C3Pro, sentiram que lhe faltava algo que superasse as expectativas.

O C4 não era melhor e nem sequer era mais bonito em termos de design, e revelou alguns problemas logo na sua chegada ao mercado. E nem mesmo a versão C4Pro que lhe sucedeu, bastante melhorada, conseguiu ganhar lugar no coração daqueles que conviveram com o C3 Pro.

Pessoalmente acompanho a evolução dos capacetes Schuberth desde o C3, modelo que me acompanhou durante uns bons milhares de quilómetros, antes de o trocar pelo C3 Pro, que antecedeu um C4 e ainda um C4 Pro, este em versão Carbon, e tenho que admitir que o meu saudoso e bem viajado C3 Pro permanecia, sem dúvida como o meu favorito. 

A sua resistência ao uso, a ventilação esmerada, a enorme visibilidade e a qualidade óptica da viseira, o conforto do seu forro interior, a estabilidade a alta velocidade e a pouca interferência da aerodinâmica da moto com o seu desempenho acústico, eram difíceis de esquecer.

Ao cabo de uma longa espera, recebi finalmente o novo Schuberth C5 que aqui lhe trago. Mal o tirei da caixa revi nele as linhas que me agradavam no C3 Pro, com o seu formato mais convencional.

E não fiquei indiferente à facilidade com que a queixeira tranca de ambos os lados, facilmente, sem necessidade de insistência ou confirmação, nem aos tecidos do forro, extremamente confortáveis e sem costuras, nem à facilidade com que se pode tirar e pôr a viseira para obter uma boa lavagem.

O formato da calota, a meio caminho entre o redondo e o oval, assenta-me na perfeição, contribuindo para níveis de ruído muito baixos e uma grande estabilidade a alta velocidade.

Mas o que mais me agradou foi saber que este novo capacete Schuberth C5 já tem certificação ECE 22.06, a nova norma que vai entrar em vigor em 2023 e que garante níveis de segurança muito mais elevados.

De facto, o C5 é o primeiro capacete modular a conseguir esta certificação. Além do mais, e sobretudo para quem se atreve a sair do nosso jardim à beira-mar plantado, também já tem  homologação P/J e o respetivo trinco, que lhe permite circular legalmente com a queixeira aberta.

Este novo capacete modular da Schuberth reflete o resultado de um processo de desenvolvimento que durou mais de 23.000 horas, a que corresponderam mais de 2000 mil testes realizados em laboratório e 400 horas de condução em condições reais 


Em virtude da nova certificação ECE 22.06, que sujeita os capacetes a testes de impacto muito mais exigentes, a calota exterior, fabricada num compósito de fibra de vidro aplicada por um processo exclusivo desenvolvido pela Schuberth, vê-se agora reforçada com uma camada adicional de fibra de carbono que aumenta a resistência e ajuda a manter o peso controlado.

Por falar nisso, não se assustem os mais céticos, porque o peso algo significativo do C5, cifrado em 1640 gramas para as calotas de tamanho pequeno (existem apenas dois tamanhos de calota para todas as medidas disponíveis)  é compensado pelo excelente equilíbrio e pela bem conseguida aerodinâmica.

O C5, à semelhança dos seus antecessores, continua a apresentar o exclusivo sistema Anti-Roll-Off que garante, em caso de impacto e graças aos quatro pontos de fixação da fita de retenção, que o capacete não rola na cabeça, sendo praticamente impossível que o sistema, equipado com um fecho rápido de ajuste micrométrico, se desprenda.

A calota interior, fabricada em EPS de densidade múltipla, possui igualmente canais de ventilação que garantem uma excelente circulação de ar, e no seu interior tem instalado de fábrica os altofalantes, o microfone, a antena e compartimentos específicos para instalação do intercomunicador e da respetiva bateria.

E se é verdade que ainda não consegui superar as 400 horas de condução com o meu novo C5, os primeiros quilómetros validaram a suspeita de que a sua aerodinâmica era realmente superior, proporcionando uma grande estabilidade a alta velocidade, sem ruidos causados pela turbulência.

Na primeira chuvada, o isolamento da viseira provou ser de nível superior e o Pinlock 120 Max Vision mostrou que, mesmo nos dias mais frios e em situação de esforço, a viseira se mantinha sem condensação, garantindo uma excelente visibilidade em qualquer situação.

As suas grandes dimensões proporcionam uma excelente visibilidade e ajudam a tornar a condução mais segura, facilitando o acesso aos espelhos retrovisores na maioria das motos que tenho testado, sem nunca ser necessário mover a cabeça.


A viseira solar escamoteável tem uma excelente qualidade óptica e um sistema de accionamento extremamente fácil e prático de usar, ao alcance do polegar esquerdo.

E na primeira sessão de fotos, em dia quente, a manobrar a baixa velocidade repetidamente, foi interessante verificar como os forros interiores, antes praticamente ensopados, secavam após poucos quilómetros a rolar a velocidade normal. Além disso, são removíveis para lavagem e fabricados sem qualquer costura para proporcionarem um maior conforto.

Para resumir, se realmente quer investir num capacete modular para viagem, que garanta altos padrões de conforto, então está na altura de perder a cabeça e ir experimentar um Schuberth C5. O seu preço não pode ser considerado um custo, antes um investimento. 

andardemoto.pt @ 10-5-2022 10:58:49 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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