Contacto Benda LFC 700 / Chinchilla 500 / Napoleon Bob 500 - Inspiração rebelde

Uma Sport Cruiser, uma V-Cruiser e uma Bobber são os modelos com que a Benda se apresenta a Portugal.

andardemoto.pt @ 18-11-2025 16:50:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge

A Benda, marca fundada em 2016 e propriedade da Hangzhou Saturn Power Technology Co., Ltd., é uma empresa de alta tecnologia que está equipada com avançados sistemas de design e inovação para o fabrico de motores e veículos de duas e quatro rodas, com uma gama de motorizações entre os 125 e os 1000cc, e que acaba de chegar a Portugal pela mão da Multimoto.

Numa espécie de trilogia familiar, a Benda, apresenta três modelos que podem perfeitamente fazer as delícias de uma família completa. Para o pai, está disponível o imponente modelo LFC 700, para a mãe, o mais polivalente modelo Chinchilla e, para os filhos, a estilosa Napoleon Bob. As razões passo-as já a descrever.

Benda LFC 700


A LFC 700 é uma moto impactante, dona de um aspeto imponente e de uma atitude dominadora expressa num arrojo tecnológico e estético que não deixa ninguém indiferente.

O seu caráter é fortemente marcado pelo exagerado pneu traseiro, de medidas 310/35-18, e pela utilização pouco convencional de um motor tetracilíndrico de 16 válvulas com comando DOHC e refrigeração por líquido, cuja cilindrada de 677cc debita uma potência de 84,5cv às 10.300rpm, a partir de um binário máximo de 61Nm às 8.600rpm, capaz de, segundo o fabricante, atingir uma velocidade máxima de 160km/h.

A assinatura luminosa frontal e a ponteira de escape são outros aspetos que não vão passar despercebidos e que aumentam o impacto visual. 

Aos seus comandos, passada a necessária habituação ao comportamento do amplo pneu traseiro, a condução é aprazível, proporcionando uma experiência de condução pouco comum mas que pode ser extremamente gratificante e desafiante, mostrando-se no entanto mais ágil do que à partida poderia parecer. 

Com uma boa capacidade de travagem, garantida por material de fricção Brembo e um motor suficientemente disponível para uma condução despreocupada, o aspeto menos positivo surge do limitado conforto oferecido pela suspensão que não consegue absorver as maiores irregularidades do asfalto, sobretudo a velocidades mais elevadas.

Mas com os seus 287kg de peso a seco e uma distância entre eixos de 1720mm, esta é uma moto que não se predispõe a circular em maus caminhos. Como tal, a manobrabilidade também sai prejudicada, agravada pela pouca brecagem, tendo a seu favor apenas o bom equilíbrio do conjunto e a pouca altura do assento ao chão, que permite um bom apoio dos pés, mesmo para condutores de baixa estatura.

É sem dúvida uma moto máscula que requer algum empenho na condução, retribuindo o esforço com uma elevada sensação de orgulho.

Chinchilla 500


A Chinchilla 500 assenta numa filosofia mais convencional que aposta no conforto e facilidade de condução. 

O seu motor V-Twin de 475,6cc, com 8 válvulas e árvore de cames simples à cabeça (SOHC) oferece 47cv de potência e 42Nm de binário, capazes de, segundo o fabricante, atingir uma velocidade máxima de 145km/h. 

Aos seus comandos, o destaque vai para a sonoridade do escape fabricado em aço inox e pelo conforto que oferece graças a uma ergonomia bem conseguida e uma suspensão bastante confortável que é potenciada pelos pneus gordos que também são um dos seus principais traços de caráter. A forquilha invertida oferece uma boa leitura do piso e os amortecedores traseiros, apesar do seu curso pouco generoso, são condescendentes com o fundo das costas.

Com um peso de apenas 215kg, uma altura ao solo de tão só 710mm e um depósito com capacidade para 16 litros de gasolina, a Chinchila pode navegar com muito à vontade no meio do trânsito urbano, mas também pode proporcionar umas boas escapadelas estrada fora.

A delicadeza que revela na condução torna-a uma moto perfeita para as senhoras, sobretudo as de estatura mais baixa e as iniciantes, mas também pode perfeitamente ser uma moto para qualquer motociclista que pretenda elevada mobilidade e extrema facilidade de condução, mas com muito estilo. 

Napoleon Bob 500


A Napoleon Bob 500 é a mais radical da gama. De linhas muito bem conseguidas, reproduz fielmente o princípio do estilo: reduzida ao essencial para deslumbrar ainda que à custa de conforto e facilidade de condução. 

As suas linhas, inspiradas numa postura felina (daí as pegadas de gato que encontramos no topo das baínhas da forquilha convencional) são marcadas pelo assento único flutuante, pela traseira minimalista e pelo amplo guiador "Flying Wing".

Partilha o motor V2 com a sua irmã Chinchila, mas proporciona uma experiência de condução diferente graças à ergonomia mais radical que incita a uma atitude mais comprometida com o asfalto.

 Além da estética exemplar, merece reconhecido o facto de oferecer uma suspensão muito mais confortável do que outras “bobber” de marcas consagradas disponíveis no mercado.Ideal para umas curvas terapêuticas, exige no entanto um maior empenho físico na condução, que será facilmente compensado cada vez que é admirada numa qualquer esplanada.

Conclusão:

Todos estes modelos estão equipados com ABS de duplo canal, embraiagem deslizante e controlo de tração desligável. As manetes são ajustáveis, os botões de comando são facilmente acessíveis, os paineis de instrumentos são minimalistas mas de fácil leitura, mesmo sob sol intenso, e incorporam bastante informação.

Facilmente acessíveis existem ainda duas tomadas USB (A e C). Enquanto a LFC700 utiliza uma corrente convencional na transmissão final, as Benda Chinchila e Napoleon Bob utilizam uma correia dentada que diminui substancialmente as vibrações e o ruido de rolamento.

No entanto, apesar de não se notarem ruidos parasitas, todos os modelos apresentam um substancial aumento de vibrações do motor nos regimes de rotação mais elevados.

Comum a todos estes modelos é a qualidade de construção que não fica atrás da de outras marcas conceituadas, sendo que o nível de pormenor dos acabamentos pode ser considerado referencial, bastando reparar no desenho dos descansos laterais, nas mesas de direção e até na qualidade dos plásticos utilizados.


A pintura, sobretudo nos modelos Chinchila e Napoleon Bob, é de grande nível e a decoração muito bem conseguida, com os contrastes entre preto baço e brilhante rematados a dourado a enaltecerem as linhas e a definirem os volumes.

Em todos os modelos a travagem está perfeitamente ao nível do conjunto e a suspensão, tendo em conta as limitações impostas pelo estilo, é suficiente para garantir uma condução despreocupada, segura e relativamente confortável. 

O curto contacto que foi possível ter com cada modelo, durante o dia de teste realizado na zona de Sintra, proporcionado pela Multimoto, não permitiu confirmar os consumos de combustível, que a marca indica serem de 5,8L/100km na 700 e 4,5L/100km nas 500cc.

Tampouco foi possível determinar a qualidade da iluminação, nem o conforto a bordo em grandes tiradas, mas deu para perceber que a Benda aplicou um grande esforço em conseguir motos extremamente apelativas, perfeitamente capazes de uma utilização aprazível, por preços extremamente baixos, sobretudo quando comparados com modelos equivalentes de marcas concorrentes consagradas.

A Benda LFC 700 tem um preço base de 10.990 €, a Chinchila de 6.190€ e a Napoleon Bobber 6.490€.

andardemoto.pt @ 18-11-2025 16:50:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge


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