Análise fato Rev’it Akira - Sem falhas

Quatro anos de utilização intensiva permitem analisar em profundidade o fato de uma peça Akira, com assinatura dos holandeses da Rev’it. Um fato que não revela qualquer falha na sua conceção e funcionamento, mesmo após repetidos abusos! Ficámos impressionados com o que o fato Akira oferece.

andardemoto.pt @ 9-6-2019 22:31:27 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: ToZé Canaveira

A marca holandesa especialista em equipamentos para motociclistas tem vindo a conquistar o mercado com as suas propostas mais urbanas, aproveitando da melhor forma a procura por parte dos motociclistas de acessórios mais de estilo urbano para condizer com as suas café racer ou scrambler. Mas a Rev’it não é só equipamentos de estrada de aspeto “cool”.

Tem também uma vasta coleção de equipamentos pensados para quem pretende desfrutar ao máximo da sua moto em pista.

Nesse sentido a Rev’it trabalha afincadamente e de perto com uma grande variedade de pilotos de craveira mundial, o mais conhecido e com maior cartel provavelmente Alvaro Bautista, mas há outros, como o experiente Randy de Puniet, que trabalham para ajudar os técnicos da Rev’it no desenvolvimento dos melhores fatos de pista.

Foi assim que nasceu em 2015 o fato de uma peça modelo Akira. Tive a sorte da Rev’it me enviar um dos primeiros fatos produzidos após os pilotos de MotoGP e Superbike terem dado o seu “OK” final à versão de produção, e ao final de quatro anos de utilização intensiva está na hora de fazer uma análise mais aprofundada ao fato Rev’it Akira que o caro leitor pode ver-me a utilizar nos trabalhos publicados pelos Andar de Moto com motos mais desportivas.

Para início de análise e para ter uma melhor ideia dos tamanhos que a Rev’it fabrica, eu tenho 1.84m de altura e um peso de 84 kg. O meu tronco é mais volumoso, particularmente na zona do peito, pelo que necessito sempre de fatos (e blusões) ligeiramente mais largos para me sentir totalmente confortável quando dobrado em cima das motos.

Por essa razão, e após ter experimentado vários números de fato, a escolha em termos de tamanho recaiu sobre o Akira em tamanho 54. Com a questão do tamanho esclarecida, vamos então analisar o Rev’it Akira de uma forma detalhada.


Quando o recebi em 2015 e o retirei da caixa, a primeira reação foi de que a Rev’it tinha optado por uma pele ligeiramente mais grossa, e consequentemente menos flexível, do que eu já tinha encontrado noutros fatos. A menor flexibilidade inicial foi no entanto sendo substituída por uma flexibilidade natural conforme o Akira ia sendo usado.

Depois de três ou quatro dias de uso em pista, as formas dos braços e pernas já estavam bastante mais flexíveis, e agora, quatro anos depois, mantêm a mesma flexibilidade e não se sente que a pele esteja “quebrada”. Nota máxima por isso para a qualidade da pele usada pela Rev’it.

Conforme disse, eu necessito de fatos de corte menos “ajustado”. Um bom exemplo de fatos de corte “fit” são os fatos da Dainese. No entanto o Rev’it Akira é um pouco mais largo, e isso é um ponto a favor em termos de conforto e liberdade de movimentos, até porque as zonas em tecido elástico, tanto nos braços como nas pernas, permitem movimentar praticamente sem limites os braços e pernas.

Em cima de uma moto, quando estamos em inclinação em curva, esta caracteristica é bastante importante, pois não causa um esforço ou pressão nos músculos. É também por isso fácil encaixar a proteção dorsal sem me sentir apertado em demasia.

Com a qualidade das costuras a revelar-se irrepreensível, tal como os diversos fechos tipo ZIP que continuam a fechar e abrir sem falhar, a Rev’it optou por adicionar uma maior percentagem de pele perfurada na estrutura do fato Akira.

O resultado é que mesmo nos dias de maior calor, e com a moto em andamento, claro, a ventilação interna é bastante aceitável, ainda que a espessura da pele que já referi torne o fato um pouco mais quente do que o habitual. Mais quente, e mais pesado. Mas nada que eu possa considerar como ponto negativo.

Os diversos ajustes a permitirem adaptar o fato Akira às nossas necessidades, por exemplo nas pernas é possível alargar a abertura para fechar o fato por cima das botas de pista. Há no entanto um pequeno detalhe, ou diria dois pequenos detalhes, que, do meu ponto de vista não fazem qualquer sentido neste equipamento da Rev’it.

No interior dos joelhos existem duas zonas com velcro. Servem para fixar duas pequenas peças aborrachadas. A Rev’it anunciava, quando lançou o fato no mercado, que esses elementos permitiam ao motociclista / piloto fixar mais facilmente os joelhos no depósito da moto.

Em teoria isso até seria benéfico, mas na realidade esta solução nunca funcionou corretamente pois as duas peças aborrachadas não têm um efeito assim tão notório e, pior que isso, saltam facilmente ou prendem nas arestas dos depósitos de combustível de alguns modelos de superdesportivas, causando algum incómodo.


Felizmente para mim, infelizmente para si caro leitor que fica sem saber, não sofri nenhuma queda enquanto utilizava o Rev’it Akira. É-me por isso impossível avaliar qual a capacidade de resistência da pele e das diversas proteções em caso de impacto no solo.

O que posso referir é que as várias proteções rígidas – ombros, cotovelos e joelhos – encaixam bem nas formas do corpo e por isso não causam desconforto. A Rev’it utiliza diversas técnicas para criar os seus equipamentos de forma a adaptarem-se ao corpo humano, e é nestes detalhes que isso acaba por se notar.

Aerodinâmicamente, e porque estamos a falar de um fato de uma peça para uso em pista, o Rev’it Akira conta com a indispensável bossa aerodinâmica no topo das costas. Mesmo sendo um fato ligeiramente mais largo do que o habitual, ou seja não fica totalmente “colado” ao corpo, o Akira mostrou-se sempre bastante aerodinâmico, ou melhor, neutro, não afetando a aerodinâmica das motos que testei.

A bossa permite a utilização de capacetes mais arrojados em termos de design da calota (que usem spoilers) sem impedir o movimento da cabeça, mesmo em condução em pista onde temos de nos esconder atrás do pequeno vidro frontal das motos e por vezes o capacete acaba por ficar preso na bossa aerodinâmica nalguns fatos.

Quando foi lançado há quatro anos o Akira era o segundo fato de pista em termos de hierarquia na gama da Rev’it. Acima dele apenas o Replica, fato que replicava os modelos usados em competição pelos pilotos profissionais.

Ao longo dos anos o meu Akira mostrou-se um excelente companheiro em muitas visitas à pista e em incontáveis horas aos comandos de motos durante trabalhos e sessões fotográficas. Apanhou sol, chuva, calor, frio, e acumulou “toneladas” de mosquitos e abelhas! Aguentou tudo isto sem qualquer problema, e apenas necessitei de ter algum cuidado para o manter minimamente limpo.

Atualmente a Rev’it já não comercializa o Akira. Em vez disso a marca holandesa tem agora novos modelos e mais diversificados, e com novas soluções de segurança e tecnologia. No entanto o Akira continua a ser um fato, aos dias de hoje, de gama alta, e que continuarei a utilizar nos próximos tempos.

Galeria fato Rev'it Akira

andardemoto.pt @ 9-6-2019 22:31:27 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: ToZé Canaveira