Botas Ixon Soldier Evo: avaliação após uso intensivo

Companheiras fiéis, durante 9 meses, praticamente 7 dias por semana. Saiba como se comportaram durante este teste!

andardemoto.pt @ 2-6-2020 01:03:09 - Texto: Pedro Pereira

Frequentemente o Andar de Moto testa equipamentos de motociclismo, novos ou usados poucas vezes, e transmite-lhe a forma como se fazem sentir, além de descrevet os tamanhos, os materiais, a componente estética, a evolução face a modelos anteriores, o conforto, mas normalmente falta um aspeto que nem sempre é possível testar: o desgaste após o uso prolongado!

Esta é uma dimensão que interessa muito ao consumidor, porque lhe permite perceber mais facilmente a resistência dos materiais, o comportamento em diferentes situações climatológicas, os seus principais pontos fracos e fortes, em suma, o resultado de uma utilização continuada e no mundo real.

Durante o tempo de uma gestação humana, nove meses, estas Soldier Evo foram as minhas companheiras fiéis praticamente 7 dias por semana. Com elas apanhei chuva (por vezes muita), frio, sol, caminhei bastante, andei em diferentes motos, cheguei a dançar com elas (sim, leram bem) e só faltou praticamente que fossem usadas em TT (não me atrevi a tanto) ou serem usadas em situações mais formais, com fato e gravata!


Primeiras impressões

A Ixon é uma conhecida marca francesa de equipamentos que começou com o génio visionário de Thierry Maniguet, sendo na atualidade conhecida em todo o mundo. Revela um forte empenho na competição, sendo inclusivamente patrocinadora do “nosso” Miguel Oliveira, na verdadeira montra tecnológica que é o MotoGP, palco que os grandes fabricantes não podem ignorar. O actual lema da marca é Ride your Way, e por isso a Ixon tem oferta para diversos estilos: Racing, Adventure, Heritage, Denim, Roadster, Urban…

Representada em Portugal pela Lusomotos, a Ixon tem nestas botas um equipamento de gama média, com algumas caraterísticas bem interessantes, um preço de aquisição atraente e uma estética agradável, sem ser nem muito conservadora nem muito aparatosa.

Disponível em preto, preto com apontamentos a vermelho, a branco ou amarelo a minha escolha foi simples: sou fã da cor preto com apontamentos em branco que com o tempo vai escurecendo, tal como o preto se vai esbatendo também. Resulta bem, mais ainda no médio e longo prazo…

Calço “algures” entre o nosso 43 e 44 e tendo provado ambas as medidas foi simples escolher o 44 para as minhas novas parceiras. Ao fim de duas ou três utilizações já tinham a “rodagem” feita e parecia que nos conhecíamos há já bastante tempo, facto potenciado por não serem nem muito altas, nem muito rígidas.



As Ixon Soldier Evo no seu esplendor original

As Ixon Soldier Evo no seu esplendor original

Chamou-me logo a atenção o facto de não terem atacadores. Sei que estes garantem um aperto mais firme, mas o risco real de se desatarem e de se prenderem onde não era suposto (ficou-me sempre na memória uma queda feia de bicicleta por causa disso) assusta-me um pouco. Ter um sistema de aperto por cabo e rodinha (conhecido por trammel) deixou-me contente, mas receoso que o sistema não fosse robusto e viesse a ter que “improvisar”, caso avariasse…

Hoje, depois de muitas horas de utilização, reconheço que os meus receios eram infundados e revelavam falta de fé no génio humano. O sistema continua robusto e fiável, como no primeiro dia, e nunca me deixou ficar mal. Roda-se no sentido dos ponteiros do relógio para apertar, sendo que o aperto não é tão forte como o sistema de atacadores. Para desapertar, pressiona-se ligeiramente a roda no sentido inverso e já está, que depois alarga naturalmente! Estou a ficar fã do sistema!

Já a fita superior de velcro que complementa o aperto e inibe a entrada do frio, da chuva, dos detritos… não está a resistir tão bem e o desgaste é bem patente, incluindo algum tecido meio desfiado, visíveis na foto (deixei-as botas deliberadamente sujas, prometo que as vou limpar mais tarde). Ainda assim, continua a cumprir a sua missão, mas não tão bem como no início...

A sola, antiderrapante, garante uma boa aderência ao solo, exceto em piso muito molhado, no qual que se revela algo escorregadia, mas a verdade é que mostrou uma boa resistência ao desgaste, mesmo tendo andado com elas calçadas, diversas vezes, durante o dia inteiro. Calculo que, se a utilização fosse sobretudo em motos de aventura, com poisa-pés metálicos e afiados, o caso seria diferente, mas não foi essa a utilização maioritária, nem é esse o perfil destas botas.

A nível de interiores parecem novas, mas aí sou mais cuidadoso. O desgaste é praticamente inexistente e não foram limpas com um pano húmido mais que 3 ou 4 vezes durante todo este tempo. Ah! E não cheiram mal!


Mais pormenores

As Ixon Soldier Evo são consideradas umas botas intermédias, passíveis de ser utilizadas durante todas as estações do ano, com bons níveis de conforto e segurança. Felizmente que a segurança nunca chegou verdadeiramente a ser posta à prova, que é como quem diz, não chegámos a ir ao tapete nem coisa parecida! Espero que assim continue e desejo-vos exatamente o mesmo!

São referenciadas como sendo à prova de água (e vêm com a indicação water proof na lateral) e confirmo que assim é, mas com um requisito prévio: é fundamental que estejam bem apertadas e as calças têm obrigatoriamente que estar bem vestidas de modo a cobrir toda a zona circular da bota. Se assim não for… a água vai entrar! 

Descobri isso numa viagem mais longa, pouco tempo depois de as começar a usar, em que uma incorreta sobreposição da calça me fez chegar ao destino com um pé molhado… e o outro enxuto! Cheguei até a pensar que era defeito do material, mas afinal o defeito era mesmo meu! Imagino que este tipo de ocorrências não se passará apenas comigo…Deliberadamente não usei nessa viagem umas cobre botas (ou polainas) para perceber a sua real resistência à chuva, e reforço que são uma boa opção, o que não invalida que existam opções mais adequadas para as situações climáticas mais adversas… dentro e fora da marca!

Para o frio (cheguei a usá-las a temperaturas a rondar os 0º), e revelaram-se uma agradável surpresa. Meias quentes por dentro, bem apertadinhas, calças devidamente colocadas em sobreposição e os pés com uma excelente temperatura… o que significa conforto, sensibilidade e, importantíssimo, segurança na condução.

Destaque ainda para a resistência bem patente no pouco desgaste superior da bota esquerda causado pelo seletor de velocidades. Sou (ainda) fã das caixas manuais, uso imenso o pé esquerdo e nunca coloquei a proteção que há quem use para esse efeito. Conclusão, após muitos milhares de movimentos, o desgaste nesta zona é superior ao da outra bota, mas menos do que seria de prever…


Conclusão:

Faltava agora a prova de fogo: circular com as botas com o tempo verdadeiramente quente, incluindo em situações de tráfego intenso. Ou seja, temperatura com valores acima dos 30º, algo que veio a acontecer durante o passado mês de maio, já numa fase de desconfinamento!

Não ponho em causa que o tecido seja respirável, mas é pouco! Ou seja, com temperaturas mais elevadas, estas botas  não são a melhor opção e tenho planos para, durante a época estival, começar a utilizar outras botas que sejam verdadeiramente de verão.

Tudo somado, estas Ixon Soldier Evo têm uma estética muita agradável, um conforto até um pouco acima da média, inclusive para caminhar, resistiram relativamente bem ao uso intensivo, comportam-se satisfatoriamente com o tempo frio e até com a chuva, sendo o seu verdadeiro calcanhar de Aquiles: o tempo mais quente!


andardemoto.pt @ 2-6-2020 01:03:09 - Texto: Pedro Pereira


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