FIM CEV Estoril – Abertura de temporada em grande!
O mau tempo complicou a vida aos mais de cem pilotos que marcaram presença na ronda de abertura da temporada do FIM CEV, que se realizou este fim de semana no Autódromo do Estoril. Kiko Maria sentiu dificuldades na European Talent Cup, mas faz balanço positivo.
andardemoto.pt @ 7-4-2019 19:35:21
O FIM
CEV trouxe ao Circuito do Estoril alguns dos grandes valores do futuro do
motociclismo a nível mundial. Aquele que é considerado como o campeonato
que serve de ante-câmara ao MotoGP começou mais uma temporada e o traçado luso
proporcionou as condições para corridas muito animadas, com discussões
apertadas até à bandeirada de xadrêz.
Quinto na grelha de partida, Barry Baltus enfrentou a poderosa armada espanhola
que corre no Mundial Junior Moto 3 e bateu a concorrência. Com o piso
molhado, o piloto belga que corre com as cores do Sama Angel Nieto não se
fez rogado e assumiu o primeiro posto logo na segunda volta. A partir daí, e
mesmo perante a forte pressão dos adversários, nunca mais deixou a liderança.
Nos derradeiros lugares do pódio ficaram dois espanhóis. Xavier Artigas foi
quem mais réplica deu a Barry Baltus, mas no final ficou a quase dois segundos
de diferença. A celebrar como se tivesse vencido a corrida terminou José Julian
Garcia. “Foi um excelente início depois de a época do ano passado ter sido tão
má”, exultou o jovem de Valência.
“Foi um fim-de-semana muito bom. Estou muito contente com o resultado alcançado
e com a corrida que fizemos”, afirmou Barry Baltus na conferência de
imprensa que se realizou após a cerimónia de pódio.
Finlandês e italiano impõem-se em Moto2
Niki Tuuli foi o mais frio e calculista dos pilotos que andaram nos
lugares da frente na primeira corrida desta categoria. O finlandês saiu de
segundo e começou por seguir Edgar Pons, o campeão nesta categoria em
2015. Posteriormente, secundou Yari Montella. Foi atrás do italiano que
fez quase toda a primeira corrida. Mas quando o piloto do Team Ciatti ficou
pelo caminho - depois de cair primeiro na Curva Vip e pouco depois na Curva 7
- o finlandês da Stylobike passou para a frente e venceu a contenda que
marcou o início do campeonato em 2019. Pons ficou em segundo, enquanto Ramdan
Rosli fechou o pódio.
Na segunda corrida o vencedor empreendeu uma recuperação impressionante. Saiu
do oitavo lugar e acabou em primeiro. O responsável pelo feito foi Alessandro
Zaccone. Logo na primeira volta conseguiu ultrapassar três adversários. Passou
de oitavo para quinto. A partir daí continuou a olhar para a frente. Saltou
para segundo. Entretanto, desceu para terceiro mas não desistiu. Continuou a
tentar até chegar ao comando.
Depois começou a gerir e deixou o vencedor da primeira corrida,
Niki Tuuli, em segundo. Edgar Pons voltou ao pódio. Depois de ter sido
segundo, desta vez concluiu em terceiro aproveitando o mau ritmo final de
Hector Garzó que esteve na luta com Zaccone mas um erro na travagem para a
Parabólica Interior levou-o a perder ritmo, tal como aconteceu a Niki Tuuli que
mesmo depois de andar na gravilha na mesma curva ainda chegou ao posto
intermédio de pódio.
Niki Tuuli foi o piloto que mais pontos somou na ronda do FIM CEV no Estoril,
mas não estava conformado. “Temos de melhorar, especialmente quando o piso
está seco”, disse o finlandês enquanto Zaccone estava especialmente
satisfeito “pelo ritmo e pela vitória depois de umas épocas complicadas”, ele
que um passado recente passou igualmente pelo Europeu Supersport aos comandos
de uma MV Agusta oficial.
Kiko Maria supera dificuldades na ETC
A primeira corrida do ETC foi imprópria para cardíacos. Kiko Maria saiu do 27º
posto. Logo a seguir à partida, caiu na tabela e, no final da primeira volta,
era 30º. Depois disso, melhorou e subiu, de forma consistente, na classificação
para fechar no 19º posto. Esta ascensão aconteceu não obstante ter corrido
quase sempre com a viseira do capacete embaciada.
A luta pela vitória durou até à linha de meta. José Antonio Rueda, autor da “pole”
foi forçado a arrancar na derradeira posição da grelha depois de ter visto o
motor da sua moto “calar-se” no momento do arranque para a volta de
aquecimento. Após se ter apagado o semáforo vermelho cedo Ivan
Ortolá assumiu o comando.
Mas se a vitória parecia fácil, Fenton Seabright contrariou a tendência.
Apanhou o rival e os dois protagonizaram uma intensa discussão pelo triunfo.
Fizeram-no até à linha de meta e acabaram mesmo por se tocar na recta.
Ortolá saiu imune e venceu, enquanto Seabright segurou o segundo posto, no
chão, deslizando por muitos metros no asfalto molhado que levou o britânico até
quase ao final da linha de boxes, felizmente sem que nenhum adversário lhe
tocasse alertados pela rápida reacção dos comissários que no muro das boxes
mostraram uma série de bandeiras amarelas.
No derradeiro confronto, com o piso do Circuito do Estoril a secar, mais uma
prova não susceptível a pessoas sensíveis. Kiko Maria sentiu mais dificuldades.
Rodou algum tempo a lutar pela 30ª posição mas, com o decorrer da corrida,
cresceu e fechou no 24º posto.
Já entre os primeiros, a corrida foi de loucos. Ivan
Ortolá mostrou quem mandou no Estoril e voltou a vencer. Mas, desta fez,
foi por uma “unha negra”. Os seus compatriotas, Marcos Ruda e David Alonso,
também estiveram muito fortes e concluíram esta prova no segundo e terceiro
lugares, respectivamente. Destaque para os três mais rápidos terem terminado
separados por uma décima de segundo.
“Foram duas provas bastante difíceis. Tivemos problemas em ambas. Na primeira
foi com o capacete. Saí bem, mas devido ao capacete estar embaciado fiz a
corrida quase às cegas. Não via nada. Na segunda, começámos bem. Fizemos uma
boa partida mas embrulhámo-nos na curva um e perdi bastantes lugares. Tive de
recuperar. A pista secou tão rápido que as nossas afinações já eram bastante
macias. Fiquei no limite das afinações da moto. Não conseguia fazer mais. Mas faço
um bom balanço. Andámos em grupo e aprendi muito. Fizemos uma corrida sólida.
Melhorámos bastante. Fizemos tempos próximos dos da frente. Consegui andar no
limite. Estou contente por ter ficado em 24º e sido o melhor da equipa”, afirmou
o jovem português.
O programa competitivo completou-se com a corrida reservada aos pilotos da
European Talent Cup que não conseguiram qualificar-se para a prova principal.
17 concorrentes estiveram em acção, com destaque para Roberto Tinoco Garcia.
Na qualificação foi o mais rápido. Mas, no final, a moto estava abaixo do
peso regulamentar e o espanhol foi penalizado e teve que alinhar nesta
corrida. Saiu do décimo posto mas depressa chegou ao primeiro lugar. Aí se
manteve até ver a bandeira de xadrêz. Jack Hart, que saiu da pole, ficou em
segundo, enquanto Mattia Falzone completou o pódio ao ser terceiro.
Galeria FIM CEV Estoril
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