Entrevista Tiago Magalhães - Em busca do título de campeão

Tiago Magalhães está de volta para mais uma temporada no Campeonato Nacional de Velocidade, com o piloto da Aprilia Portugal Racing Team a revelar estar mais focado e preparado do que nunca! Falámos com o piloto no Autódromo do Estoril sobre a nova temporada e as Aprilia RSV4 1100 Factory e Tuono Factory.

andardemoto.pt @ 9-4-2019 22:36:34 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Ricardo Silva

No início de março marcámos presença num track day no Autódromo do Estoril, para participar na apresentação à imprensa das novas Aprilia RSV4 1100 Factory e Tuono V4 Factory.

A box da Aprilia Portugal Racing Team foi a nossa “base de operações” durante esse evento em pista, e foi precisamente ali que conseguimos retirar o piloto Tiago Magalhães dos seus afazeres em pista, e falámos com ele sobre as novidades Aprilia para estrada e também sobre a nova temporada do Campeonato Nacional de Velocidade que se aproxima a passos largos, onde o Tiago Magalhães espera reconquistar um título que já foi seu na categoria Superbike.

Aos 35 anos de idade, feitos recentemente, e com quatro títulos de campeão nacional de Superbike no currículo, para além de ter conquistado títulos em Motocross Infantis, no Mini Enduro e também o troféu Antigas Livres, Tiago Magalhães mostra-se muito confiante no que aí vem.

Começou a competir de moto aos 7 anos de idade e nunca imaginou ter como profissão outra coisa que não o de ser piloto de motos, mas só aos 19 anos é que se virou para a disciplina da velocidade. 2019 apresenta-se como um ano recheado de desafios que o próprio e a equipa acreditam estar preparados para enfrentar, e foi isso mesmo que Tiago Magalhães nos confessou em entrevista exclusiva ao Andar de Moto.

Andar de Moto – Tiveste a oportunidade de ser o primeiro a poder experimentar a nova RSV4 1100 Factory em pista. Conseguiste tirar a goma do pneu e fazer algumas voltas para a rodagem ao motor. O que é que achaste da moto?

Tiago Magalhães – A RSV4 1100 Factory surpreendeu-me bastante pela positiva. O motor realmente vem muito mais potente, a partir das 3000 rpm parece totalmente diferente, melhor do que o motor da antiga RSV4 a que eu estava habituado. Tem mais binário, tem mais velocidade, uma relação de transmissão mais longa para estrada que quase parece igual à minha moto de competição. E achei muito interessante as asas.

Andar de Moto – Sim, aquelas asas são a “coisa” que mais chama a atenção. Sentes alguma coisa de diferente com as asas?

T.M. – Sente-se e ajuda bastante na estabilização da moto. Especialmente nas corridas, nós temos muita dificuldade em colocar a roda da frente no chão, e muitas vezes a direção vai a abanar por causa da potência e das afinações que escolhemos a nível de geometria. Mas esta moto com as asas, não tendo as suspensões preparadas e afinadas, achei que a moto estabiliza logo muito rápido em relação à minha. E isso indica que as asas, pelo menos para mim, fazem efeito.

Andar de Moto – Mas não vais poder as asas em competição...

T. M. – Infelizmente não posso. Tenho esperanças que para o ano que vem a Aprilia faça uma RSV4 1000 cc com asas, igual à que já saiu nos Estados Unidos (n.d.r.: RSV4 RF Limited Edition, versão exclusiva para os Estados Unidos), porque vai ser uma mais-valia para nós pilotos e vai ajudar-nos bastante nas afinações.


Andar de Moto – O que é que pensas que a chegada das asas à competição te vai permitir fazer na tua moto?

T. M. – Para começar vou poder manter a frente da minha moto muito mais levantada, sem comprometer outras coisas como a tração ou a estabilidade à saída da curva, pois quando a frente está muito levantada a moto abana muito em aceleração e com o efeito aerodinâmico das asas a frente vai automaticamente baixar. Por exemplo, em Portimão acredito que vai fazer muita diferença na entrada da reta da meta, que é uma reta onde metemos 4ª e 5ª a fundo, e o vento muitas vezes vem de frente e torna-se muito difícil. Vou poder usar menos “anti-wheelie”, o que é bom, pois apesar do “anti-wheelie” da Aprilia funcionar muito bem, tira sempre potência. As asas vão poder ajudar a eletrónica a não ser tão intrusiva, e vamos ter mais velocidade. Acredito que muita gente não sinta logo o efeito das asas, mas com o tempo vão começar a sentir essa diferença.

Andar de Moto – A RSV4 1100 Factory tem também um peso mais baixo em comparação com a RSV4 anterior. O que é que sentiste?

T. M. – Em relação à minha moto, que experimentei quando a recebi da fábrica, realmente é notório que esta moto é mais leve e que a distribuição de peso está melhor. Até porque esta moto tem de fábrica o Akrapovic em titânio e a minha moto tinha o escape de série homologado que é muito mais pesado do que este. Realmente nota-se que a moto é mais rápida nas trocas de direção. Em relação à minha moto de corrida, que já está mais leve, ainda não conseguiram chegar a esses valores.

Andar de Moto – Entrando agora na competição, que é a tua “praia”. Conta-nos um pouco do que é que foi alterado na equipa Aprilia Portugal Racing Team para esta temporada?

T. M. – Sim, este ano temos os três pilotos na classe Superbike. Vamos passar a estar todos juntos na classe rainha da velocidade nacional, e isso é sinal positivo, é um passo lógico, sinal de que temos estado a trabalhar bem. Temos também a chegada muito importante para nós, pois é uma clara mais-valia, que é o Bernardo Sá Vasconcelos, um excelente técnico. Tanto de competição como de eletrónica é uma pessoa que tem uma experiência enorme, já do tempo do Miguel Praia no Mundial Superbike. Já começámos a trabalhar e a desvendar o APX (n.d.r.: APX é o sistema eletrónico específico da Aprilia Racing) e já conseguimos dividir o circuito em 25 partes, e temos estado a trabalhar muito nesse sentido, e agora estamos a afinar a moto curva a curva, o que é uma loucura, algo a que não estávamos habituados pois é uma ferramenta muito profissional. Tanto eu como o Bernardo estamos muito motivados, estamos a adorar trabalhar com esta moto, e acho que os resultados vão aparecer rápido.

Andar de Moto – Vais competir este ano apenas em Portugal? Vais competir em Espanha? Como é que vais dividir o tempo em pista?

T. M. – Vou fazer o máximo número de provas em Espanha e que não coincidam com as provas em Portugal. Vamos começar já nos testes e primeira corrida do Campeonato Espanhol de Velocidade (CEV) em Jerez, onde o intuito é fazer um bom resultado, claro, mas será mais para ganhar ritmo e uma boa preparação para o campeonato nacional. Todos os anos tem-nos faltado uma boa pré-época, rodar com a moto.

Andar de Moto – Pois... já vais entrar no terceiro ano com esta moto e queres de certeza obter bons resultados.

T. M. – Sim, claro. Até porque curiosamente estamos em 2019 e 19 é o meu número. No primeiro ano o projeto era totalmente novo, uma novidade para todos, tínhamos pouco conhecimento desta moto que tem muita eletrónica e trabalha de maneira diferente do que estávamos habituados. É uma moto mais complexa, mais profissional. Já não é qualquer um que mexe nela. Conclusão: de origem a moto funciona muito bem, mas com o sistema “racing” já tem de ser uma pessoa totalmente dedicada a 100% à moto e eletrónica.

Andar de Moto – E quais são os objetivos que fixaste para ti esta temporada?

T. M. – O objetivo é, obviamente, ganhar sempre. É voltar a conquistar o ceptro mais importante do CNV que me tem escapado nos últimos dois anos. Espero conseguir este ano, que é o ano 19! Temos tudo para conseguir ser campeões este ano, pois temos uma boa moto, boa estrutura, temos técnicos a trabalhar connosco, estamos todos motivados. O ano passado realmente não correu como eu queria, não consegui fazer uma boa pré-época. A corrida de resistência (3Horas do Estoril) foi o nosso primeiro teste com a moto, foi à chuva, não conseguimos o que queríamos. Na primeira corrida do ano caí, tive uma lesão grave nas vértebras, e depois quando estava a voltar novamente à forma e a ser rápido, com o novo asfalto do Estoril voltei a cometer um erro, caí outra vez, parti mais três vértebras, fora o resto. Isso condicionou a minha condição física, ganhei peso, não estava ao meu melhor nível. Este ano estou a tentar corrigir todos esses erros, e por isso espero que este ano 19 seja o meu ano.


Tiago Magalhães e novo técnico Bernardo Sá Vasconcelos

Tiago Magalhães e novo técnico Bernardo Sá Vasconcelos

Andar de Moto – Quem é que tu vês que são os teus maiores adversários para a temporada que se avizinha?

T. M. – Para já o meu maior adversário será o campeão nacional em título que é o Ivo Lopes. Está forte, motivado, são três anos seguidos sem parar e sem lesões, tem estado a rodar em Espanha e Portugal a ganhar ritmo, está muito forte fisicamente, a confiança está boa e ele está a rodar muito bem mesmo. Depois temos sempre pilotos com muita experiência como o Rui Reigoto, o André Pires, um piloto sempre a ter em conta pela experiência em circuitos convencionais e até mesmo nos citadinos, muito lutador, vamos ter a chegada do Pedro Nuno que está de volta depois de muito tempo de recuperação, dois anos muito difíceis para ele, quer mostrar que é piloto. Temos também o Rui Marto que tem feito um trabalho de longa data com a BMW, que vai estar mais forte que nunca. Um Ricardo Lopes que vai estar com a Kawasaki e que já está a fazer bons tempos e perto dos pilotos da frente.

Andar de Moto – Esperas por isso uma temporada muito competitiva do Campeonato Nacional de Velocidade?

T. M. – Acho que podemos esperar uma boa temporada de velocidade, espero que seja assim, porque se eu conseguir o meu objetivo de ser campeão, se for contra adversários desta valia, será um título com mais valor e um regresso em grande para mim.

Galeria de fotos Tiago Magalhães - Aprilia Portugal Racing Team

andardemoto.pt @ 9-4-2019 22:36:34 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Ricardo Silva


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