8 Horas de Suzuka - Final impróprio para cardíacos e título mundial para a Kawasaki SRC
A Kawasaki festejou duplamente em Suzuka. A equipa Kawasaki SRC conquistou o seu primeiro título no Mundial de Resistência FIM, enquanto a Kawasaki Racing Team, após recorrer dos resultados iniciais, foi declarada vencedora das 8 Horas de Suzuka terminado assim com o reinado da Yamaha Factory Team.
andardemoto.pt @ 28-7-2019 15:20:59
Foi uma longa temporada do Mundial de Resistência FIM que terminou hoje em Suzuka, quando se concluiu mais uma edição das famosas 8 Horas de Suzuka. O circuito japonês, com a famosa Roda Gigante como “pano de fundo”, foi o palco de uma corrida de resistência verdadeiramente épica, muito à semelhança de outras corridas deste campeonato que assistimos na temporada 2018/2019.
Comecemos então a história destas 8 Horas de Suzuka com a luta pela vitória à geral, a batalha que leva todos os anos o quatro fabricantes japoneses a levarem até Suzuka as suas equipas especiais e com um lote de pilotos de nivel mundial.
Partindo da “pole position”, a Yamaha Factory Racing (Michael van der Mark, Alex Lowes e Katsuyuki Nakasuga) chegou a Suzuka com vontade de alcançar um inédito recorde de cinco vitórias consecutivas, mas a Kawasaki Racing Team e a Red Bull Honda, com apoio direto da Honda Racing Corporation, estavam com outras intenções e queriam terminar com o reino da Yamaha no circuito propriedade da Honda.
A Kawasaki Racing Team chamou três dos seus melhores pilotos a nível mundial – Jonathan Rea, Leon Haslam, e Toprak Razgatlioglu – para tentarem repetir a vitória da marca de Akashi em 1993 com os pilotos Scott Russel e Aaron Slight. Já a Red Bull Honda chamou à equipa os japonesesTakumi Takahashi, Ryuichi Kiyonari, e ainda o alemão Stefan Bradl.
Desde os primeiros treinos e testes ficou claro que a vitória na 42ª edição das 8 Horas de Suzuka seria decidida entre estas três equipas. E durante a corrida que fechou a temporada do Mundial de Resistência FIM foi isso mesmo que vimos acontecer.
A Kawasaki Racing Team apresentou-se com a rapidez por volta como a sua grande força, particularmente através do tetracampeão do mundo de Superbike, Jonathan Rea. Por sua vez a Red Bull Honda trouxe uma nova CBR1000RR Fireblade RRW, moto que se mostrou muito rápida, mas particularmente muito poupada no consumo de combustível. Takumi Takahashi era claramente o piloto mais forte do trio da Honda, enquanto os outros dois companheiros de equipa se mostraram sempre muito abaixo do nível exigido. Um erro que a Honda viria a pagar no final da prova.
Sem incidentes de maior entre os três primeiros, a pouco mais de meia hora do final Jonathan Rea alcançava a primeira posição por troca com Takumi Takahashi. A Kawasaki Racing Team dava ordens a Rea para puxar ao limite da Ninja ZX-10R, e o norte-irlandês fez mesmo o novo recorde do Mundial de Resistência FIM em Suzuka, 2m06.911s, e foi amealhando uma vantagem que parecia ser inalcançável para os seus perseguidores.
Depois do último reabastecimento e troca de pneus a Honda #33 começou a perder eficácia, e com a chegada da noite em Suzuka, Takahashi estava em grandes dificuldades. A Yamaha Factory Racing, então já com Alex Lowes aos comandos da YZF-R1 “Tech 21”, estava eficaz e volta a volta cada vez mais perto do segundo lugar que ainda era da Honda. Indiferente a tudo isto, Rea ia passeando a sua classe em Suzuka com os engenheiros e responsáveis do Team Green já prontos a celebrar a vitória.
Eventualmente Alex Lowes conseguiu mesmo apanhar e ultrapassar Takumi Takahashi, e assim parecia que ia ficar o pódio das 8 Horas de Suzuka.
No entanto, e quando já chovia, a cinco minutos do final da corrida um dos candidatos ao título do Mundial de Resistência FIM, a Suzuki Endurance Racing Team, viu o motor da GSX-R1000 partir, largando bastante óleo na pista. A Direção de Corrida decidiu não mostrar bandeira vermelha nesse momento pois caso o tivesse feito isso daria a vitória no mundial à Suzuki SERT. Mas também decidiram não colocar em pista o “safety car”.
Com isso a corrida prosseguiu normalmente até final. Pelo menos era o que esperávamos!
Já na última volta da corrida, a cerca de 1m30s de cruzar a meta e saborear a merecida vitória, Jonathan Rea comete um erro e sofre uma queda. Possivelmente devido ao óleo em pista, mas com a chuva que se fazia sentir em Suzuka a causa da queda pode também ter sido apenas uma perda de aderência devido ao piso molhado e erro do piloto.
Neste momento a Direção de Corrida decide então mostrar as bandeiras vermelhas e dá por concluídas as 8 Horas de Suzuka.
E quem foi então o vencedor?
A classificação final da prova ficou definida pelas posições na última passagem da linha de meta antes das bandeiras vermelhas. Isso daria vitória à Kawasaki Racing Team. Mas, supostamente, as regras dizem que o piloto terá de levar a moto até ao parque fechado até um limite máximo de 5 minutos depois de mostradas as bandeiras vermelhas.
Infelizmente para a marca de Akashi, Jonathan Rea não consegui levar a sua Ninja ZX-10R para o parque fechado dentro deste tempo limite, pelo que a equipa foi desclassificada.
Assim, a Yamaha Factory Racing foi declarada, inicialmente, como vencedora das 8 Horas de Suzuka, com o trio composto por Michael van der Mark, Alex Lowes, Katsuyuki Nakasuga, a conquistarem então o que seria a quinta vitória consecutiva nesta prova icónica da resistência para a marca de Iwata, um novo recorde, sendo que para o trio de pilotos seria a terceira vitória, também consecutiva.
No entanto, a Kawasaki Racing Team apresentou um protesto no qual recorreu da decisão de declarar a Yamaha como vencedores. A equipa oficial da casa de Akashi recorreu do resultado apontando para que não há nas regras do Mundial de Resistência FIM nenhuma alusão aos tais cinco minutos de tempo máximo para colocar a moto em parque fechado.
O protesto foi aceite, e assim a vitória nas 8 Horas de Suzuka vai mesmo para a Kawasaki Racing Team, com a Yamaha Factory Racing a ser segunda classificada, enquanto a Red Bull Honda, novamente sem conseguir vencer no seu circuito, tem de se contentar com o terceiro lugar nesta última prova do Mundial de Resistência FIM que decidiu quem é o novo campeão!
E é precisamente do Mundial de Resistência FIM e dos campeões que falamos agora.
Conforme referimos anteriormente, a Suzuki SERT, liderada pelo carismático líder da equipa francesa Dominique Méliand, que este ano deixa a liderança da SERT que foi por si criada em 1980, estava a cinco minutos de festejar o título de campeões do Mundial de Resistência FIM.
A GSX-R1000 pilotada por Vincent Philippe, Etiénne Masson, e Gregg Black estava pronta a recuperar o título para as mãos da SERT, mas o motor quatro em linha da “Gixxer” com o #2 nas carenagens não aguentou mais e entregou a alma ao criador. Um final inglório para Dominique Méliand, visivelmente emocionado na box da equipa enquanto assistia ao desastre pela televisão, impotente para alterar o que estava a acontecer.
Com a SERT fora de ação, a Kawasaki SRC pilotada por Jérémy Guarnoni, Erwin Nigon, e David Checa, terminou as 8 Horas de Suzuka na 11ª posição a sete voltas dos vencedores. Com isso a Kawasaki SRC somou os pontos necessários para garantir o seu primeiro título no Mundial de Resistência FIM.
Nas equipas independentes do Mundial de Resistência FIM os melhores foram a Wepol Racing, enquanto o título de construtores fica nas mãos da Yamaha.
Chegou assim ao fim mais uma temporada do Mundial de Resistência FIM. Uma temporada espetacular, com corridas decididas apenas nos últimos momentos, grandes espetáculos em pista, batalhas épicas, e a certeza de que a disciplina de resistência tem muito para dar aos amantes das corridas de motos no futuro.
Uma última nota precisamente para falarmos no futuro do Mundial de Resistência FIM.
Nestas 8 Horas de Suzuka o presidente da Federação Internacional de Motociclismo, o português Jorge Viegas, marcou presença para não apenas entregar os prémios aos vencedores, mas principalmente para trabalhar em conjunto com os promotores deste campeonato na elaboração de alterações aos regulamentos.
Se os novos regulamentos não foram ainda anunciados, com Jorge Viegas a confirmar que apenas entram em vigor na temporada 2020/2021, o presidente da FIM confirmou a chegada de várias novidades já na próxima temporada 2019/2020.
A primeira é a entrada no calendário de uma corrida no circuito malaio de Sepang. A segunda novidade, e talvez a mais interessante, é que a Ducati vai marcar presença regular no Mundial de Resistência FIM!
Serão nada menos do que três as formações a usarem a Panigale V4, duas formações de “topo”, de acordo com Jorge Viegas, que terão bastante apoio da fábrica de Borgo Panigale ainda que não sejam equipas de fábrica. A terceira equipa estará um degrau abaixo ao nível da performance ou pelo menos ao nível do equipamento que vai receber da Ducati.
Boas notícias para os fãs da resistência.
Veja aqui a galeria de fotos das 8 Horas de Suzuka
andardemoto.pt @ 28-7-2019 15:20:59
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