MotoGP Rep. Checa – A melhor corrida de Miguel Oliveira em mais uma vitória de Marquez

Marc Marquez esteve implacável e sai do Grande Prémio da República Checa com mais uma vitória e alarga vantagem no campeonato. Nesta corrida de Brno, o português Miguel Oliveira obteve o 13º lugar mas faz aquela que podemos considerar como a sua melhor corrida em MotoGP e está cada vez mais perto dos pilotos da frente.

andardemoto.pt @ 4-8-2019 15:31:53

O regresso do Mundial de Velocidade, em particular da categoria rainha MotoGP, depois da pausa de verão, não podia ter sido muito mais caótico do que aquilo que vimos nos momentos iniciais. A chuva voltou a fazer-se sentir no circuito de Brno, e o Grande Prémio da República Checa teve de ver a sua partida adiada por mais de meia hora em relação ao horário previsto.

Tudo porque as últimas curvas do circuito checo, a longa reta da meta, e principalmente a zona de travagem para a curva 1 e a própria curva 1 estavam cheias de água. O resto do circuito de Brno não estava molhado, e por isso os pilotos precisavam de competir com pneus slick.

Durante os procedimentos pré-corrida, já na grelha de partida, e depois de terem testado a aderência com pneus slick e pneus de chuva, alguns pilotos falaram com a Direção de Corrida e com a comissão de segurança de MotoGP para alterarem a corrida, pois os pneus slick não podiam garantir segurança na zona molhada do circuito, enquanto os pneus de chuva, que garantem nada menos do que um escoamento superior a 3 litros de água ppr segundo, a velocidades de 300 km/h (!), não iam aguentar o aquecimento que iam sofrer no resto do circuito, degradando-se muito rapidamente.

Consciente dos perigos, a Direção de Corrida adiou então o arranque, pediu aos diversos “safety car” que dessem voltas a Brno para ajudar a secar o asfalto, e mais de meia hora depois estavam então reunidas as condições para se iniciar a corrida, com todos os pilotos então a escolherem pneus slick. Uma decisão um pouco complicada de entender por parte da Direção de Corrida, pois desde que foi introduzida a corrida "flag to flag", o normal seria a prova ser declarada "wet race", como acabou por ser, permitindo aos pilotos começar com um tipo de pneus, possivelmente os de chuva, e quando a pista secasse e os pneus de chuva se degradassem muito, os pilotos poderiam então entrar no pit lane para trocarem para motos com pneus slick.


Arrancando da 16ª posição que obteve na Qualificação 1, o português Miguel Oliveira (Red Bull KTM Tech3) fez um bom arranque, e depois de se safar in extremis do incidente que levou à queda e abandono de Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT) e Joan Mir (Ecstar Suzuki), fruto de um toque entre Morbidelli e Johann Zarco (Red Bull KTM Factory), com o francês a ter um péssimo arranque e a descer de 3º na grelha de partida para estar a lutar por entrar nos pontos, o “rookie” da KTM esteve muito bem ao longo das 20 voltas a Brno.

Apesar do 13º lugar final não ser o seu melhor resultado em MotoGP, a verdade é que este resultado não reflete aquela que foi, sem dúvida, a melhor prestação do Miguel Oliveira neste seu ano de estreia em MotoGP.

Com uma diferença de 22,5 segundos para o vencedor, Marc Marquez, Miguel Oliveira demonstra que as melhorias conseguidas pela KTM na RC16 estão a dar os seus frutos, e o português está a aproximar-se rapidamente dos lugares de acesso ao Top 10, e terminou o GP da República Checa com a distância mais curta de sempre este ano entre si e o vencedor.

Um resultado muito positivo, não apenas pelos três pontos somados, que lhe permitem ter agora 18 pontos na sua conta pessoal, mas porque foi obtido num circuito técnico, com muitas dificuldades em termos das condições climatéricas, mas obtido também com uma corrida em piso seco, quase perfeita, sem erros de pilotagem, e que revela um enorme crescimento do Miguel Oliveira enquanto piloto “rookie” de MotoGP.


Quanto à corrida e à luta pela vitória, não houve grande história.

Marc Marquez, depois de envergonhar tudo e todos com a sua prestação assombrosa durante a Qualificação 2, e que lhe garantiu a sua 58ª “pole position” da carreira na categoria rainha MotoGP, não se assustou em nada com as condições do asfalto de Brno.

O piloto da Repsol Honda sabia à partida que tem uma vantagem confortável na classificação, e por isso não precisava de arriscar em nada. Mas sendo Marquez como é, um piloto que dá tudo o que tem, em todas as condições, o espanhol campeão do mundo em título voltou a fazer uma corrida sempre na liderança, a controlar o andamento dos perseguidores, um grupo de três pilotos composto por Andrea Dovizioso (Mission Winnow Ducati), Alex Rins (Ecstar Suzuki), e ainda Jack Miller (Pramac Ducati).

Ao longo da primeira metade da corrida o grupo de 4 nunca se desfez, mas a partir do equador da corrida Alex Rins e Jack Miller perderam o contacto com Andrea Dovizioso, e por sua vez o italiano da Ducati não conseguia manter a distância de meio segundo para Marquez.

Aos poucos e poucos, décima a décima, e sempre mantendo um ritmo mais rápido e constante, Marc Marquez foi aumentando a vantagem e antes do final, e mesmo depois de passar por um valente susto, em que quase perdeu a frente na curva Schwantz, devido aos ressaltos, o piloto da Repsol Honda voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, com Andrea Dovizioso um pouco mais atrás em segundo a cruzar a linha de meta.

O lugar mais baixo do pódio ficou para o australiano Jack Miller, que nas duas últimas voltas percebeu que Alex Rins estava com dificuldades em termos de desgaste do pneu traseiro na sua Suzuki, com a GSX-RR a patinar imenso na grande subida de Brno, a Horsepower Hill, e assim Miller conseguiu mesmo ultrapassar Rins nos momentos finais e subir mais uma vez ao pódio, relegando Rins para quarto, quando o espanhol já pensava ter assegurado o terceiro lugar em Brno.

Nas contas do título, Marc Marquez, que igualou o número de vitória de Mike Hailwood no Mundial de Velocidade, alarga em cinco pontos a diferença para Andrea Dovizioso, estando os dois separados por 63 pontos (210 vs 147). Danilo Petrucci, na outra Mission Winnow Ducati, continua em terceiro na classificação, com 129 pontos.

Quer saber os resultados completos do Grande Prémio da República Checa e a classificação de MotoGP? Então clique aqui!

A próxima ronda do Mundial de Velocidade é já no próximo fim de semana, 9 a 11 de agosto, no Red Bull Ring, casa da KTM e onde poderemos ver Miguel Oliveira a aproximar-se ainda mais dos pilotos da frente de MotoGP.

andardemoto.pt @ 4-8-2019 15:31:53


Clique aqui para ver mais sobre: Desporto