Moto2 – Kiefer Racing fora da temporada 2020 devido a redução de motos em pista

Equipa alemã recebeu o aviso que não tem o lugar garantido para a próxima temporada do Mundial Moto2. A Kiefer Racing não concorda com a decisão da IRTA e da Dorna, e promete não se render tão facilmente a uma decisão que parece ser um facto consumado.

andardemoto.pt @ 7-8-2019 15:10:48

O Mundial Moto2 vai enfrentar uma importante mudança na próxima temporada, com a Dorna e a IRTA (associação de equipas de competição) a decidirem que o paddock da categoria intermédia do Mundial de Velocidade tem de reduzir em tamanho. Esta decisão vai implicar redução no número de motos em pista, de 32 passaremos a ter 26 ou 28 Moto2 em pista, e aparentemente esta decisão tem a ver com a chegada da Taça FIM MotoE de motos elétricas.

O paddock do Mundial de Velocidade é uma autêntica cidade em ponto pequeno, e muitos circuitos não têm o espaço disponível para acomodar as motorhomes cada vez maiores que cada equipa vai trazendo para os circuitos.

A chegada de um espaço exclusivamente dedicado às motos elétricas MotoE – que ardeu ainda na pretemporada no circuito de Jerez e entretanto foi reconstruído -, que teve um custo suportado pela Dorna a rondar os 3 milhões de euros, veio deixar ainda mais apertado o paddock do Mundial de Velocidade.

A solução? Diminuir o número de motos em pista em 2020, para já na categoria Moto2.


A equipa alemã Kiefer Racing, que já conquistou títulos em Moto3 e em Moto2, respetivamente com Danny Kent e com Stefan Bradl, foi a primeira equipa a receber a má notícia.

De acordo com Jochen Kiefer, irmão de Stefan Kiefer, e que tomou as rédeas da equipa após o fundador da Kiefer Racing ter falecido em 2017, o diretor e proprietário da equipa alemã recebeu a comunicação durante o Grande Prémio da República Checa, numa reunião onde estiveram presentes Mike Trimby (responsável da IRTA) e ainda Carmelo Ezpeleta (CEO da Dorna).

Para Jochen Kiefer esta decisão não faz qualquer sentido.

O proprietário da Kiefer Racing, que esta temporada decidiu competir apenas com uma moto e com o piloto Lukas Tulovic, confessa que a equipa está desolada com esta decisão de os excluírem do Mundial Moto2, até porque, afirma Jochen, a equipa já garantiu inclusivamente o financiamento necessário para competir na próxima, e novamente com duas motos em pista, deixando ainda alguns recados no ar sobre as escolhas de equipas para o Mundial de Velocidade

“Eles (Trimby e Ezpeleta) disseram-me que não me podem dar um lugar na grelha no próximo ano. Não me deram qualquer opção. Eles fizeram com que eu ficasse desempregado. Não existem muitas equipas alemãs no paddock. São praticamente todos espanhóis ou italianos, e alguns dos quais trabalham de uma forma dúbia – mas não quero estar a nomear ninguém. As equipas pequenas e honestas levam um murro na cara”, começa por referir Jochen Kiefer.


Jochen Kiefer diz que “é absolutamente incompreensível que tenhamos de ir embora no final da temporada. É óbvio que equipas com uma só moto são uma espinha encravada para a Dorna e IRTA, e por isso procurámos competir em 2020 com duas motos. Estamos prontos a mostrar que temos o financiamento para dois pilotos para a próxima temporada. Mas de momento somos uma equipa de um só piloto, e que tem de ser desmantelada. É incível como é que uma equipa com tanta tradição do Mundial de Velocidade seja expulsa!”.

Ainda assim, a Kiefer Racing não vai desistir de lutar para se manter em competição em 2020: “Não nos vamos render tão facilmente. Pode ser que alguém na Alemanha se dê conta disto e faça com que os responsáveis do Mundial alterem a sua decisão. Também estamos surpreendidos pelas reações desde que se soube desta decisão. Não sabíamos que tínhamos tantos fãs. É bom saber que temos esse apoio”, conclui Jochen Kiefer.

Se de facto a Dorna e a IRTA pretendem reduzir o número de motos em pista no Mundial Moto2 já em 2020 para 26 ou 28 motos, e se a decisão de excluir se baseia em quais são as equipas que atualmente competem apenas com uma moto / piloto, então há mais algumas equipas bem conhecidas que estão ameaçadas: Federal Oil Gresini, Petronas Sprinta Racing, ou ainda a Tasca Racing.

Concorda com a decisão da Dorna e da IRTA em excluir estas equipas, muitas com história no Mundial de Velocidade, e que mesmo tendo financiamento garantido deixam de poder marcara presença nas Moto2?

andardemoto.pt @ 7-8-2019 15:10:48