MotoGP – Decisões da KTM deixam Miguel Oliveira a sentir “que não sou digno”

A relação entre a KTM e Miguel Oliveira já viveu melhores dias. Na Austrália o piloto português falou sobre as decisões da KTM em relação a Brad Binder e Iker Lecuona e mostra-se bastante desagradado pela forma como foi tratado pela marca austríaca.

andardemoto.pt @ 24-10-2019 13:47:11

Numa temporada de estreia que podemos considerar bastante positiva e onde se encontra na 16ª posição na classificação de pilotos de MotoGP, Miguel Oliveira, depois de se saber que Johann Zarco não ia competir mais pela Red Bull KTM Factory, tinha claras expectativas de poder assumir uma posição na equipa de fábrica ao lado de Pol Espargaró.

Porém os responsáveis pelo projeto desportivo da KTM não viram Miguel Oliveira como o piloto ideal para ocupar a vaga na equipa de fábrica, e optaram por arriscar e passar Brad Binder – que atualmente milita nas Moto2 com a KTM – para o lugar ao lado de Pol Espargaró, enquanto o espanhol Iker Lecuona vai então ocupar o lugar de segundo piloto da Red Bull KTM Tech3 como companheiro de equipa de Miguel Oliveira.

Estas decisões não foram, de todo, de encontro ao que o piloto português esperava.


Depois de uma temporada bastante consistente e onde teve de lutar contra pilotos mais experientes sem ter as armas que esperava, pois a KTM, ao contrário do prometido, apenas lhe forneceu uma RC16 de fábrica já depois de metade da temporada cumprida, Miguel Oliveira contava estar no topo das escolhas para a equipa de fábrica.

Ao ser preterido por Brad Binder, o “rookie” luso não aguentou mais e falou ao website Motosport sobre a situação que o deixou a sentir “que não sou digno”.

O piloto de 24 anos contou que “a KTM veio ter comigo em Misano, e não me perguntaram nada nem me deram a opção. Simplesmente disseram que o assento (de Zarco) estava livre e que estavam a pensar colocar lá o Mika Kallio. Eu disse-lhes que se era o Mika então estava bom para mim, porque criei uma boa relação com a Tech3 e não fazia sentido mudar”, começa por dizer Miguel Oliveira.


Mas no Japão tudo mudou.

Depois de se pensar que seria Brad Binder a ficar com a segunda moto da Tech3 em 2020, Miguel Oliveira veio a descobrir que final será Iker Lecuona e que o sul-africano terá uma moto de fábrica no seu ano de “rookie” em MotoGP: “Suponhamos que este ano eu teria uma moto de fábrica, e isso nunca aconteceu até há pouco tempo. Quem sabe o que vai acontecer no próximo ano? Isso é o que quero perceber, a relação com a KTM a longo prazo, e o terem escolhido um estreante que tem a minha idade faz-me sentir que não sou digno para estar ali. É a decisão deles e respeito-a. E não altera em nada o meu pensamento de continuar a dar tudo”, diz Miguel Oliveira.

O piloto que Hervé Poncharal fez questão de pedir à KTM que o deixassem ficar na sua equipa Tech3, mostra-se descontente por ficar fora da equipa de fábrica, pois enquanto piloto de fábrica já sabe que à partida contará com uma moto de fábrica e que ao longo da temporada terá ainda a oportunidade de testar e aproveitar muitos componentes novos que, como vimos recentemente no caso do braço oscilante em carbono que foi entregue à Tech3, podem efetivamente significar uma melhoria nos resultados.

A relação entre Miguel Oliveira e a KTM Racing já teve melhores dias, mas a vontade e promessa do piloto português é de respeitar plenamente a decisão da marca austríaca e de continuar a fazer o seu trabalho aos comandos da RC16 da Red Bull KTM Tech3.

andardemoto.pt @ 24-10-2019 13:47:11


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