MotoGP – Está “congelado” o desenvolvimento dos motores e aerodinâmica
As regras de homologação de motores e pacote aerodinâmico foram clarificadas. O desenvolvimento dos motores, tal como do pacote aerodinâmico, está “congelado” e os fabricantes que não têm concessões devem enviar para a FIM os motores e esquemas para homologação das peças.
andardemoto.pt @ 24-3-2020 11:30:21
Tal
como o Mundial de Velocidade está parado, agora ficámos a saber que o
desenvolvimento de motores e dos pacotes aerodinâmicos também está “congelado”,
e nenhum fabricante pode alterar a configuração dos motores e respetivos
componentes.
A única exceção são as equipas ao abrigo das concessões, que esta temporada
apenas são a Aprilia e a KTM, que assim podem continuar a evoluir o motor V4
dos protótipos RS-GP e RC16.
As regras técnicas de MotoGP dizem que todos os fabricantes que não estão ao
abrigo das concessões, têm de entregar para homologação a versão final do motor
a usar durante toda a temporada nos dias antes do primeiro Grande Prémio.
O pacote aerodinâmico também tem de estar “desenhado” nesse momento e também
está sujeito a homologação. Mas no caso das asas e spoilers aerodinâmicos,
todos os fabricantes podem apresentar durante a temporada (e numa data a fixar)
uma segunda versão do pacote aerodinâmico para nova homologação.
O
processo de homologação dos motores permitia aos fabricantes escolher a forma
que queriam para realizar a homologação: entregar o motor montado, entregar o
motor desmontado e todas as peças, ou então entregar esquemas detalhados de
todos os componentes do motor.
Isso permite à Federação Internacional de Motociclismo verificar se os motores
estão ou não a cumprir com as regras, e ao longo da temporada verificar se os componentes
usados são os que estão na ficha de homologação do motor.
Mas a pandemia Covid-19 baralhou as contas da FIM, da Dorna, da MSMA –
Associação de Fabricantes e da IRTA – Associação de Equipas de Competição
Independentes.
Com as restrições de viagens devido à pandemia global nos dias anteriores à
realização daquele que foi o primeiro GP do ano, no Qatar, apenas a Honda conseguiu
entregar no circuito de Losail a versão final para homologação do motor 2020 da
RC213V. Mais nenhum fabricante (Yamaha, Ducati, Suzuki) conseguiu disponibilizar
o motor ou as peças para homologação.
CLIQUE AQUI PARA VER A APRESENTAÇÃO DO MUNDIAL DE VELOCIDADE 2020 COM GALERIA DE FOTOS DE TODAS AS EQUIPAS E PILOTOS
Como a
corrida de MotoGP não se realizou em Losail, e os motores dos fabricantes que
não estão ao abrigo das concessões não foram homologados, abriu-se uma porta
para que todos pudessem continuar a trabalhar nos motores até aquela que será a
primeira corrida de MotoGP.
Neste caso até aos dias imediatamente antes da realização do GP de Espanha em
Jerez, a 3 de maio, embora esse seja um cenário que deverá alterar em breve
devido à situação de emergência que se continua a viver em todo o mundo, mas
especificamente em Espanha e Itália.
Mas depois de diversas indefinições, a FIM, a Dorna, a MSMA e a IRTA,
finalmente chegaram a um entendimento e decidiram clarificar esta parte do
regulamento técnico de MotoGP.
Deste acordo resulta que todos os fabricantes devem enviar para a FIM os
esquemas técnicos detalhados dos seus motores. Em simultâneo, o diretor técnico
da FIM em MotoGP, Danny Aldridge, deverá receber os esquemas e cópias digitais
das carenagens de cada protótipo e da primeira versão do pacote aerodinâmico.
Os fabricantes ficam obrigados a enviar tudo isto o mais rápido possível, e
assim a homologação será feita à distância.
A
partir de agora as equipas ficam a saber que não podem continuar a trabalhar nos
seus motores, mas a Federação Internacional de Motociclismo permite que
continuem a trabalhar nos componentes que não estejam sujeitos a este tipo de
homologações.
Em termos práticos, isto não deverá representar grandes problemas. Os
fabricantes não sujeitos às concessões já teriam escolhido qual a especificação
do motor a usar em 2020, enquanto a Aprilia e a KTM continuam a poder trabalhar
no seu V4 sem problema ao longo do ano.
Talvez o maior problema se coloque à Honda.
A marca campeã de MotoGP percebeu em conjunto com os seus
pilotos, como Marc Marquez e Cal Crutchlow, que a versão 2020 do seu pacote
aerodinâmico é a causa dos problemas em curva na RC213V. Não podendo trabalhar
mais na aerodinâmica, a Honda deverá então optar por manter o pacote
aerodinâmico de 2019, apresentando a meio do ano uma nova versão.
Aqui fica o comunicado divulgado para clarificar o desenvolvimento de motores e
pacote aerodinâmico:
“A FIM, IRTA, MSMA e a Dorna fazem todos
os esforços para se centrar na simplicidade, tanto para os fabricantes como
para o aplicar das regras. MotoGP nunca considerou um período de paragem em que
todas as fábricas têm de parar todo e qualquer desenvolvimento num determinado
período de tempo, em qualquer altura do ano, principalmente devido à
dificuldade de fiscalizar uma regra destas. O desenvolvimento de outras peças
das motos que não estejam sujeitas a homologação pode continuar, como acontece
todas as temporadas”.
andardemoto.pt @ 24-3-2020 11:30:21
Clique aqui para ver mais sobre: Desporto