Mundial Superbike admite vir a ter motores quatro cilindros com mais de 1000 cc

Diretor do Mundial Superbike não quer que nenhum fabricante fique fora do Mundial Superbike por causa do limite de cilindrada dos motores de quatro cilindros. Gregorio Lavilla admite agora que poderão ser feitas alterações aos regulamentos para permitir motores tetracilíndricos com mais de 1000 cc.

andardemoto.pt @ 6-5-2020 17:59:51

Sendo um campeonato em que as motos de competição derivam de motos de produção em série, motos que qualquer motociclistas, caso tenha os euros, pode comprar nos concessionários, o Mundial Superbike tem sabido adaptar os regulamentos técnicos de acordo com as necessidades.

Uma das questões que muitas vezes causa debate entre os fãs, é o limite da cilindrada para os diferentes tipos de motor.

Ao longo dos anos diversos fabricantes têm competido com motores com mais ou menos cilindrada do que os rivais. O caso mais habitual num período mais recente, pelo menos até à chegada da Panigale V4 R, foi a Ducati. A marca italiana sempre defendeu o uso do motor bicilíndrico contra rivais que usam motores quatro cilindros.

Mas as motos de estrada nas quais a Ducati Corse baseia as suas motos de competição para o Mundial Superbike, apresentavam cilindradas superiores aos 1000 cc das rivais.




Respondendo às queixas dos fabricantes rivais, os responsáveis pelo Mundial Superbike foram então criando formas de equilibrar a balança, principalmente através de restritores colocados na admissão. Menos ar a entrar para o motor, menos performance.

Atualmente existem regras que impedem ou colocam limites de rotação aos motores, para equilibrar a competição. E de facto temos assistido a corridas bastante empolgantes.

No entanto o mercado das duas rodas tem de se submeter a regras de homologação para que as motos possam circular na estrada. As normas europeias, cuja versão mais recente é a Euro 5, têm apresentando muitos problemas para os fabricantes.

Os motores de quatro cilindros e até 1000 cc das superdesportivas têm muitas dificuldades em passar na homologação Euro 5 e ao mesmo tempo manter a performance. Os motores de dois cilindros continuam a ser permitidos com 1200 cc. Mas atualmente nenhuma superdesportiva conta com um motor deste tipo.




Apesar dos fabricantes japoneses e da BMW Motorrad manterem as suas superdesportivas dentro dos limites de cilindrada, outros fabricantes como a Ducati ou a Aprilia decidiram que as suas motos de estrada necessitam de mais cilindrada para melhorar a performance e cumprir com as regras de homologação.

Por exemplo, a Ducati Panigale V4 e V4 S, apresenta uma cilindrada de 1103 cc. Enquanto a mais recente versão de topo da superdesportiva da Aprilia, a RSV4 1100 Factory, apresenta uma cilindrada de 1077 cc.

Enquanto a casa de Borgo Panigale contornou a situação com a Panigale V4 R, que tem uma cilindrada inferior ao limite dos 1000 cc, para criar a versão especial de homologação para Superbike da Panigale V4, a casa de Noale optou por diferenciar entre a versão base RSV4 RR, que se mantém nos 998 cc, e a já referida RSV4 1100 Factory.

A Aprilia não criou nenhuma variante mais exótica da RSV4 com um motor V4 dentro dos limites impostos pelo Mundial Superbike, e não querendo competir com a versão base da sua superdesportiva, a marca italiana desapareceu desta competição.

Uma marca com o historial da Aprilia, que com a RSV4 assegurou três títulos – dois para Max Biaggi e outro pelas mãos de Sylvain Guintoli -, ficar fora do Mundial Superbike, é algo que para os responsáveis do campeonato não pode acontecer.



Enquanto tentam reorganizar o calendário do Mundial Superbike devido à pandemia Covid-19, os responsáveis estão já a pensar no futuro desta competição.

Gregorio Lavilla, diretor do Mundial Superbike, confirma agora que “Queremos evitar que qualquer fabricante não possa participar porque as nossas regras não o permitem. Ao mesmo tempo, nenhum fabricante deverá ter uma vantagem apenas porque opta por um caminho diferente. Seria justo para aqueles fabricantes que estão a desenvolver os seus modelos de acordo com as regras atuais? Mas também pode acontecer que mais cilindrada não ofereça maior rendimento como acontece nas Supersport 300. Ali, temos um bom controlo sobre as regras para manter o equilíbrio. Estas regras não são fáceis de implementar. Por isso não me quero comprometer com 1100 cc. Até poderiam ser 1200 cc ou mais”.

Lavilla acredita que o Mundial Superbike tem de abordar esta temática sem tabus, pois “será benéfico para todos nós”.

Seja de que forma for, a chegada de motores tetracilíndricos com mais de 1000 cc ao Mundial Superbike parece ainda estar longe de acontecer. Quando (e se) acontecer esta mudança nos regulamentos, deveremos voltar a ter o envolvimento oficial da Aprilia no Mundial Superbike.

Tanto a Aprilia, como até a Ducati, apesar dos bons resultados obtidos com a Panigale V4 R, de certeza irão aplaudir a possibilidade de desenvolverem os seus motores V4 que encontramos nas RSV4 1100 Factory e nas Panigale V4 e V4 S.

Mas o que será que os restantes fabricantes vão fazer? Será que os fabricantes japoneses e a BMW Motorrad, tendo a possibilidade de criar motores de maior cilindrada para as suas superdesportivas e cumprir com as normas europeias, e depois competir com eles, vão ficar-se pelo limite dos 1000 cc como acontece atualmente?

Teremos de esperar para ver.

Mas a verdade é que este posicionamento por parte de Gregorio Lavilla em relação a esta temática, acaba por ir de encontro às informações recolhidas pelo Andar de Moto através de fontes ligadas à Aprilia. Sabemos que está atualmente em curso uma “campanha” nos bastidores do paddock por parte da marca de Noale, mas não só, para que os regulamentos do Mundial Superbike acomodem os motores quatro cilindros com mais de 1000 cc. E o primeiro passo para que isso aconteça parece estar dado.

andardemoto.pt @ 6-5-2020 17:59:51


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