A ascensão da Yamaha em 2021

Coincidência, alinhamento dos astros, ou mero acaso? A Yamaha dominou em 2021, vencendo os mais importantes títulos mundiais, da MotoGP às SBK.

andardemoto.pt @ 28-12-2021 02:55:39 - Texto: Paulo Araújo

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Depois de um ano problemático mas auspicioso, em 2020, a Yamaha limpou tudo o que havia para ganhar em 2021.

Na MotoGP a conquista do título de pilotos, pela mão de Fabio Quartararo, serviu de consolação pela perda dos títulos de fabricante e equipas.

Na classe rainha, Maverick Viñales abriu o marcador com uma vitória na primeira prova do ano, no Qatar, mas no resto da época foi Fábio Quartararo o piloto mais vencedor, levando o título, inédito para um francês, por 26 pontos, que representam mais de uma corrida de vantagem.

No mundial de Superbike, Toprak Razgatlioğlu cumpriu a profecia que, há dois anos, o próprio Rea já tinha feito, ao sagrar-se campeão, dominando no seu estilo inimitável com 11 vitórias nas corridas principais, de longe o maior número, já que Rea, a com o seu segundo lugar, contabilizou apenas sete.


A estes títulos mundiais juntaram-se os dos campeonatos de Superbike mais competitivos do mundo: Inglaterra, Estados Unidos, França e Japão, além do título Mundial de Supersport e do título Mundial de Fabricantes na Endurance.

Até em Portugal, Romeu Leite deu o título à marca de Ywata, juntamente com a dobradinha proporcionada por Tiago Cleto, ao superiorizar-se a Ivo Lopes, cuja prioridade em 2021 foi, em boa justiça, o Campeonato ESBK em Espanha, onde, no CEV, Alex Escrig, também granjeou mais uma vitória para a Yamaha, na categoria de Supersport 600.

No panorama doméstico, na classe JSB1000 do All Japan Road Race Championship, não foi surpresa a vitória da marca dos três diapasões com Katsuiuki Nakasuga, pois a Yamaha sempre soube fazer alinhar pilotos extremamente rápidos naquelas motos que podem legalmente incorporar os mais recentes desenvolvimentos da fábrica.

Já no BSB britânico, um dos mais prestigiados Campeonatos Nacionais de Superbike, com regras ligeiramente diferentes do mundial, se a vitória da Yamaha não foi surpresa, foi o piloto que a arrecadou, aos comandos das R1 azuis da MacAms, já que depois do domínio inicial de Jason O’Halloran, acabámos por ver o jovem Tarran Mackenzie, filho do antigo piloto da Yamaha do mundial de 500, Niall Mackenzie, conquistar o título com um final em grande, em Brands Hatchs.



Na Moto América, a Yamaha Attack continuou a tradição começada antes, com Garrett Gerloff e Cameron Beaubier, que desde aí passaram ao Mundial, ao vencer o título com Jake Gagne. Em França, foi Matthieu Gines a dar mais uma vitória em 2021 à Yamaha.

Não é preciso dizer que também no Mundial de Supersport, neste caso pelas mãos da Ten Kate e de Dominique Aegerter, o título foi para a marca dos três diapasões, juntamente com os primeiros quatro lugares no campeonato, com Odendaal, González, este o mais jovem de sempre a vencer nas SSP, e Jules Cluzel.

Em teoria, terá sido uma coincidência, visto que há pouco, ou nada, em comum para lá de uma coordenação global, entre as várias equipas, e certamente menos ainda entre a formação de MotoGP e a Yamaha Pata que alinhou nas Superbike.

De facto, a equipa que venceu com Toprak Razgatlioğlu no mundial de produção é gerida por Paul Denning, que veio para o Mundial originalmente com a Suzuki!

Se em termos dos títulos individuais este rol de vitórias poder ter sido uma coincidência, na MotoGP, o título que foi dominado durante vários anos por Marc Márquez e que passou fugazmente pelas mãos da Suzuki num ano atípico de 2020, regressou à Yamaha fruto das capacidades óbvias do Francês de 22 anos, Fabio Quartararo, de superar os pontos fracos da moto e capitalizar nos fortes.



No entanto, na actualidade, em que não raramente as corridas se ganham por centésimas de segundo, o domínio futuro de Fábio Quartararo não é, de modo algum, um dado adquirido, e o jovem francês irá enfrentar, no ano de 2022, uma dura competição das equipas Ducati, da Honda Repsol e, quem sabe (e esperamos nós!), até das KTM.

Nas Superbike, as coisas foram mais equilibradas, porque tanto Redding na Ducati como Rea na Kawasaki deram muita luta, naquela que alguns já estão a reconhecer como a melhor época de SBK de sempre.

O triunfo de Razgatlioğlu acabou por dever-se à capacidade determinante do Turco em, quando não podia vencer, ficar muito perto dos lugares da frente... de certo modo quase roubando uma página do manual de Rea, que tinha conquistado os seus seis títulos consecutivos anteriores, exatamente da mesma forma.

Quanto ao Campeonato Americano a Yamaha Attack tem um palmarés tal que era quase uma vitória esperada, independentemente de quem eles escolhessem para pilotar a moto.

O mesmo se pode dizer da Ten Kate nas Supersport, que iria escolher sempre o piloto com a capacidade de fazer crescer o seu rol de títulos, inédito na classe.

Não só Aegerter venceu, mas Steve Odendaal, González e Cluzel venceram corridas nas R6, fazendo crer que, se não tivesse sido o Suíço, teria sido um dos outros a levar o título de qualquer modo, numa classe dominada pela marca.

No entanto, no geral, o molde de um piloto dominar ano após ano, retirando, sem qualquer culpa ou demérito claro, algum interesse aos campeonatos, foi quebrado e a incerteza que paira no ar para 2022 só apimenta os preparativos da pré-época.

Costuma dizer-se que é sempre mais fácil conquistar um campeonato do que mantê-lo, e esse é o desafio que a Yamaha centenária tem pela frente ao longo de 2022.


andardemoto.pt @ 28-12-2021 02:55:39 - Texto: Paulo Araújo


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