A visão na MotoGP

Um estudo recente registou o impacto que as corridas têm sobre os olhos dos motociclistas

Se a visão já de si é um sentido crítico, imaginem quando viajamos a 360 Km/h, ou mais de 100 metros por segundo, como um piloto de MotoGP.

andardemoto.pt @ 17-1-2022 09:26:32 - Paulo Araújo

Uma empresa farmacêutica italiana, a SIFI, realizou um estudo com a colaboração da LCR Honda para estudar o impacto que as corridas têm sobre os olhos dos motociclistas profissionais.

O estudo concluiu que os pilotos de MotoGP não são propensos a olhos secos e irritados, apesar da exposição a condições stressantes como os ventos de proa e os raios UV. Mais importante ainda, a SIFI descobriu que os pilotos de MotoGP piscam os olhos menos vezes do que a média das pessoas, mesmo quando estão apenas a passar o tempo, entre treinos ou corridas.

Um dos pilotos testados passou nove minutos sem pestanejar, de acordo com um dos relatórios. Apenas como referência, o intervalo normal para a maioria das pessoas é de quatro a seis segundos entre pestanejos.



Os pilotos que competem em Moto2 e Moto3 passaram facilmente o intervalo normal de 4-6 segundos, mas os pilotos de MotoGP venceram os seus companheiros da divisão inferior. É quase como se houvesse uma correlação entre a potência das motos e o tempo entre piscadelas.

Um dos investigadores do estudo afirma que os pilotos de MotoGP podem ter ultrapassado o reflexo de piscar os olhos com a mesma frequência que as pessoas normais para sobreviverem, dadas as altas velocidades a que são submetidos durante as corridas. A estas velocidades, pestanejar é como voar às cegas, como nota o artigo:

Na primeira ronda da temporada 2021 de MotoGP, o piloto da Ducati Pramac Johann Zarco estabeleceu um novo recorde de velocidade máxima em pista de 364 Km/h. A essa velocidade, os pilotos cobrem 100,6 metros num segundo.

Uma piscadela demora, em média, 0,15 segundos, pelo que quando os pilotos conduzem a essa velocidade máxima, ficam efectivamente cegos durante quase 16 metros em pista.


Nestes testes, conduzidos ao longo de seis épocas do MotoGP (2015-2021), os investigadores examinaram pela primeira vez Cal Crutchlow no GP de Valência de 2015. Em 2018, o colega da LCR Takaaki Nakagami juntou-se ao estudo, e em 2019, o inquérito expandiu-se a outros pilotos de MotoGP, Moto2, e Moto3.

 Durante cada avaliação, os pilotos de Grande Prémio seriam submetidos a testes antes da corrida e 30 minutos após a bandeira de xadrez. O método de duplo teste revelou que os tempos de reação dos pilotos e o desempenho das pupilas permanecem em "Race Mode" durante um período prolongado.

No entanto, todos os pilotos excederam facilmente o intervalo normal de 4-6 segundos sem pestanejar. Apesar das condições stressantes, nenhum dos sujeitos exibia olhos vermelhos, secos ou inflamados. 

Os resultados podem ser fascinantes, mas o co-proprietário da Sifi, Carlos Chines, acredita que este é apenas o início de um estudo mais amplo e a longo prazo. "Queremos basicamente cntinuar a investigar as diferenças entre os olhos 'normais' e os dos pilotos de MotoGP", revelou o Dr. Chines. "Também queremos investigar a relação entre a concentração e a taxa de pestanejar. A partir destes resultados, esperamos compreender se podemos trabalhar com pequenos truques, exercícios, ou gotas oculares para contrariar a fadiga, olhos secos ou doridos, e deterioração da visão".

É claro que os pilotos de Grande Prémio já treinam física e mentalmente ao longo de todo o ano. Armados com os dados e análises da Sifi, o treino visual pode tornar-se uma parte do regime de treinos de pilotos em ascensão.

"Estão a ser planeados métodos de treino explícitos para os olhos para 2022 e 2023", acrescentou o Dr. Chines. "Além disso,  queremos criar uma percepção diferente dos "cuidados com os olhos" na sociedade e sensibilizar as pessoas para a prevenção".

andardemoto.pt @ 17-1-2022 09:26:32 - Paulo Araújo


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