MotoGP – Morreu Phil Read
Com 83 anos, era um dos mais velhos Campeões
A seguir a Agostini, Nieto, Rossi, e Márquez, Read, nascido a 1 de Janeiro de 1939, era o homem com mais títulos Mundiais
andardemoto.pt @ 8-10-2022 10:00:19 - Paulo Araújo
Phillip William Read, que agora faleceu aos 83 anos, era um piloto
inglês de motociclismo dos mais titulados na MotoGP, pois detém 8 títulos
Mundiais, e agraciado com a Medalha do Império Britâncio MBE.
Apesar de ter sido
muitas vezes ofuscado pelo seu contemporâneo, Mike Hailwood, Read tornou-se o
primeiro a vencer campeonatos mundiais nas classes de 125, 250 e 500.
Nascido em Luton, um
pouco a norte de Londres no Condado de Bedfordshire, Read era um aficionado das
motos e trabalhou como aprendiz na Brown and Green, um fabricante de maquinaria
industrial.
A sua primeira máquina de estrada foi uma Velocette KSS que começou
a usar com a idade mínima legal do Reino Unido aos 16 anos em 1955, seguida por
um BSA Gold Star DBD32.
Depois, começou a correr
em 1958 numa BSA Gold Star. Em 1960 venceu o Grande Prémio Júnior Manx num Manx
Norton a velocidade recorde, seguido da corrida TT Junior (350cc) em 1961.
Pilotando uma Norton Manx, ficou em segundo lugar nas corridas de 350 e 500 no
North West 200 de 1961 na Irlanda do Norte.
Foi duas vezes vencedor
da corrida de resistência das 500 Milhas de Thruxton em 1962 e 1963, pilotando
as Norton Dominator 650SS de Syd Lawton.
Em 1963, Read foi
temporariamente convocado para preencher a ausência de Derek Minter na equipa
de Grande Prémio Gilera Scuderia Duke, (de Geoff Duke, o dos vídeos da Ilha de
Man) uma vez que Minter tinha sido gravemente ferido num acidente em Maio em
Brands Hatch.
Ao disputar a corrida
Senior TT da Ilha de Man em Junho, a equipa reivindicou 2º com John Hartle e 3º
com Read atrás da MV de Mike Hailwood.
A seguir, no TT Holandês em Assen, Read
foi 2º na classe de 500, pois Hartle ganhou e Mike Hailwood desistiu com uma
avaria.
Read foi de novo segundo atrás de Hailwood na corrida de 500 da
Bélgica, mas depois Minter regressou e, de qualquer modo, a equipa de Grande
Prémio da Gilera foi dissolvida no final de 1963, com a marca em dificuldades
financeiras que levariam à sua falência pouco depois.
Em meados da década de
1960, a Yamaha teve prolíficos pilotos em Read, e no canadiano Mike Duff (que
mudou de sexo posteriormente e hoje é Michelle) e mais tarde com Bill Ivy.
Em
1964, Read deu à Yamaha o seu primeiro título mundial quando ganhou o Mundial
da classe de 250. Repetiria como campeão no ano seguinte.
Em 1966, a Yamaha introduziu
uma nova moto de 4 cilindros de 250, mas problemas de juventude com o novo
motor fizeram-no perder a coroa para Hailwood.
Em 1967, iria defrontar Hailwood
na Honda de seis cilindros até à fase final. Acabariam empatados em pontos, mas
Hailwood levou a coroa por ter cinco vitórias para as quatro de Read.
Em 1967, Read, sempre um
defensor da segurança dos pilotos, também assumiu o cargo de representante da
Associação de Pilotos de Grande Prémio.
De facto, a minha
primeira memória pessoal dele é ter-me dado um enorme raspanete quando me viu
chegar ao paddock de Brands Hatch com o pneu da frente da minha BMW um pouco
gasto…
A temporada de 1968
revelou-se controversa para Read. A fábrica da Yamaha queria que Read se
concentrasse em ganhar o título de 125 e escolheu o seu companheiro de equipa
Bill Ivy para conquistar a coroa de 250.
Depois de ganhar o campeonato de 125,
Read decidiu desobedecer às ordens da equipa e lutar com Ivy pelo título de
250. Terminaram a época empatados nos pontos e Read foi premiado com o
campeonato com base nos tempos.
Foi uma decisão dispendiosa, pois a seguir Ivy
morreu num acidente, nunca tendo a hipótese de se tornar Campeão, e a Yamaha
nunca mais ofereceria outro lugar a Read na equipa oficial.
Read também se envolveu
como consultor de desenvolvimento, pois as motos de origem da época tinham
sempre problemas de motor, quadro ou suspensão, e colaborou com a Metisse e a
Rickman a desenvolver um quadro com tubo Reynolds construído por Ken Sprayson.
Depois de ter ficado
fora a maior parte das temporadas de Grande Prémio de 1969 e 1970, quando as
principais fábricas japonesas se retiraram dos Grands Prix, concentrou-se nos
principais encontros internacionais britânicos e europeus, onde como Campeão
convidado ganhava muito dinheiro.
Era vulgar chegar na sua própria avioneta Cessna aos
circuitos, e o seu camião foi precursor dos patrocínios modernos, ostentando nos
lados a sigla “Castrol Read Team” em grandes letras.
Read regressou a tempo
inteiro ao circuito de Grand Prix em 1971 numa Yamaha de competição-cliente
muito especial, desenvolvida sob a direção do holandês Ferry Brouwer,
posteriormente bem conhecido importador da Arai para a Europa.
A moto tinha potência
melhorada graças aos escapes de Brouwer, travões de disco duplos Lockheed, e
aerodinâmica melhorada, e fora desenvolvida com a ajuda de Eric Cheney no
quadro, do piloto de sidecars Helmut Fath numa embraiagem seca e de Rod Quaife
com uma transmissão de seis velocidades, mas sem apoio de fábrica.
Nessa moto
conseguiu vencer os três primeiros Grandes Prémios da temporada e conquistou o
seu quinto título mundial.
Em 1972 Read aceitou uma
oferta para correr para a equipa de fábrica da MV Agusta no Campeonato do Mundo
de 350. Em 1973, pilotando nas classes de 350 e 500, conquistou o título de
500, o primeiro Campeonato do Mundo ganho usando travões de disco Lockheed.
Defendeu com sucesso a sua coroa em 1974, naquele que seria o último campeonato
mundial para a lendária marca italiana.
Seria também a última vez que uma
máquina de quatro tempos ganharia um título até ao advento da classe de MotoGP
em 2002.
Read também teve lugares
de piloto “convidado” como parte da equipa Norton JPS em 1972, terminando em
quarto nas 200 milhas de Daytona.
Na MV, deu à Yamaha de Agostini uma forte
luta pelo campeonato de 500 em 1975, mas terminou em segundo lugar.
Apercebendo-se de que as
máquinas de quatro tempos já não eram competitivas, deixou a empresa italiana
para fazer campanha com uma Suzuki RG500 privada na temporada de 1976, e
depois, já com 37 anos, retirou-se das corridas de Grande Prémio.
Read ainda entrou em
provas do TT da Ilha de Man a partir de 1977, vencendo a corrida de Fórmula 1
TT nas Honda CB750 SOHC oficial e a corrida Senior na Suzuki.
Novamente na
Honda F1 para 1978, teve uma desistência mas foi 4º no Senior Clássico. Estas
corridas levaram a Honda a produzir uma edição limitada de 150 motos ‘Phil Read
Replica’ baseadas na CB750F2 com acessórios Seeley nas cores da Honda Britain
de azul e vermelho.Ainda competiu no TT de
1978 contra Mike Hailwood, que fez um famoso regresso montando uma Ducati 900SS
da Sports Motorcycles de Manchester.
A última corrida de Read foi na Ilha de
Man TT em 1982, aos 43 anos. A FIM nomeou-o uma “Lenda” de Grande Prémio em
2002.
Um aspeto menos
conhecido da carreira de Read foi o seu envolvimento em corridas de
Resistência. Nestas, montou um Honda oficial na corrida de 24 horas do Bol d’Or
em Le Mans, e foi duas vezes vencedor da corrida de resistência Thruxton 500 em
1962 e 1963.
Em 1967, Read residia no
paraíso fiscal da Ilha de Guernsey, onde tinha um negócio de venda de barcos, e
durante o período a partir de de 1970, começou a distribuir a sua marca de
capacetes Premier e deu o seu nome a uma gama de roupas de motocicleta, incluindo
a comercialização de um capacete integral ‘Phil Read Replica’ com o conhecido
esquema de preto com três tiras brancas e xadrez à volta da queixeira.
Read
também abriu um concessionário Honda em Surrey e mais tarde em Leytonstone, no
Leste de Londres, em 1979.
Nos anos 80, apoiou os
filhos Graham e Roki em carreiras na competição que nunca passaram da fase
inicial.
Ultimamente, Phil Read,
condecorado com a Medalha do Império M.B.E. vivia em Canterbury, Kent, passando
os verões visitando pistas de corrida em toda a Europa e demonstrando algumas
das motos da sua carreira de piloto. Ainda há pouco esteve em Portugal num evento de clássicas.
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