Obituário - Adeus Fernanda Ramos
Ex-piloto e instrutora de condução faleceu
Apaixonada pelas motos, pioneira da competição no feminino, Fernanda Ramos deixou-nos este
sábado.
andardemoto.pt @ 5-2-2024 10:55:36 - Paulo Araújo
Há muitos anos, em 1987, de regresso das corridas de Vila Real, parei num Centro Comercial para recolher fotos que então tinha mandado revelar. Ao meu lado, a fazer o mesmo, estavam duas meninas com quem acabei por meter conversa. A breve visualização das fotos obtidas deu azo a uma conversa, à troca de contactos e ao nascimento de uma forte amizade. Mas a menina, que na altura tinha 19 anos, queria mais, muito mais, do que ver ou tirar fotos de motos.
Começou a seguir o Nacional e o Mundial de SBK e fez amigos no meio. Uns anos depois, levei-a a participar de um Track Day em Braga- A partir dai ficou fascinada e não descansou até fazer a sua estreia em pista, no Troféu CBR.
Neste, o facto de ser a única senhora granjeou-lhe imensa atenção: Apareceu nos programas de TV da manhã, entrou de CBR600 pelo palco do Goucha, deu entrevistas, participou em eventos e tornou-se um símbolo da nova mulher portuguesa, que não receia andar de moto, muito menos ser vista como menos feminina por isso.
Quando a MotoGP se estreou na China, ela estava lá com a sua máquina a registar tudo e só vivia verdadeiramente quando estava perto do ruído das motos.
Durante algum tempo, quase sem que ninguém em Portugal se apercebesse, teve uma relação apaixonada pelo homem responsável pelos 4 títulos de Fogarty nas SBK, Tony Slick. Era o seu segredo, algo mal guardado mas ela agora já não se pode zangar... nem nunca mais!
O namoro implicava viagens regulares à Ilha de Man, mas isso não era problema para a Fernanda, que entretanto chefiava a divisão de formação moto da maior escola de condução nacional, e trabalhava todo o dia, quase todos os dias.
Há uns meses, vivendo a 200 à hora, como sempre, sentiu-se mal e teve de ser internada... consigo imaginá-la, era típico dela, cheia de dores mas a ignorá-las, para continuar com os seus planos, sem procurar tratamento até ser tarde demais... a degradação foi rápida e não mais deixaria o hospital até ao fim...
Melhor que estas palavras, ainda afetadas pela perda duma amiga muito admirada, será deixar-vos com as dela:
“Nasci numa pequena cidade do Norte de Portugal, Vila Real, considerada o equivalente português da Ilha de Man devido à sua tradição em corridas de rua.”
“1997 foi o meu ano mais feliz, corri no Grande Prémio de Macau, com uma Ducati 916 SP. Em 44 anos de corridas no Grande Prémio de Macau, fui a única mulher a correr lá. Também nesse ano, tive a oportunidade de participar numa corrida de resistência de 24 horas em Montjuic-Barcelona.”
Assim media Fernanda a sua passagem pela vida: A pleno gás, com mais planos em mente do que seriam possíveis de realizar por uma só pessoa. Descansa, descansa em paz... um bocadinho de ti fica cá, com todos nós!
andardemoto.pt @ 5-2-2024 10:55:36 - Paulo Araújo
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