Indian Chieftain - Líder da oposição
Com as grandes, caras e imponentes Cruisers americanas a serem alvo da muita atenção por parte dos consumidores europeus, a Indian aposta numa moto carismática para fazer frente à concorrência.
andardemoto.pt @ 28-6-2015 20:49:08
A Indian Chieftain insere-se num segmento Custom muito em voga na América, que dá pelo nome de Bagger (uma subespécie de Cruiser, uma moto para viagens que se caracteriza pela frente elevada, traseira baixa e pelas malas laterais). Neste caso concreto, trata-se de uma bagger “old school” em que a roda dianteira não é exageradamente grande, antes a forquilha é que tem um angulo mais acentuado.
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
É a primeira do seu género a envergar o logótipo da Indian, pois aquela que é considerada a mais antiga marca de motos americana (lançou no mercado a sua primeira moto em 1902, um ano antes da Harley Davidson o ter feito), nunca tinha apresentado nenhum modelo com carenagem frontal, ou malas laterais rígidas.
Pormenor que não impede a Chieftain de ser imediatamente reconhecida como um legítimo membro da família, como tivemos oportunidade de comprovar nestes dias que passámos na sua companhia e em que tivemos que fazer mais quilómetros em cidade do que aqueles que queríamos, e menos, muito menos quilómetros de estrada do que aqueles que gostávamos e que até precisávamos. Os vizinhos, transeuntes, outros motociclistas e muitos automobilistas, olhavam-na com curiosidade e muitos manifestaram-se, completamente rendidos ao seu charme.
Motor Thunderstroke 111
Com características idênticas às suas irmãs Chief, a Chieftain caracteriza-se sobretudo pelo maior nível de conforto em viagem devido à sua maior protecção aerodinâmica e capacidade de carga. Com ela partilha, para além do carismático motor Thunderstorm 111 (de 111 polegadas cúbicas), os típicos guarda lamas “Art Deco” e o depósito de gasolina em forma de gota, tudo inspirado na Indian Chief de 1940.
Dar arranque ao Thunderstroke 111 é um momento solene. Os dois grandes pistões põem-se em movimento preguiçosamente, acordando para a vida com um ritmo sincopado que gera uma sonoridade quase musical que em nada fica atrás da de um também americano motor V8. Os escapes de série até nem são muito castradores das notas graves, mas imagina-se que com umas ponteiras “after market” o som deve ser inebriante. E depois conquista-nos pela dinâmica realmente impressionante quando se roda o punho com convicção.
Fruto de engenharia avançada, este motor tem prevista uma utilização livre de problemas para cerca de 1500 milhões de rotações da cambota, o que considerando um regime médio de 2.500 rpm’s, dá para mais de 10.000 horas de condução! Nada mau pois se considerarmos que a esse regime rolamos a aproximadamente 100 Km/hora, estamos a falar de uma longevidade perto do milhão de quilómetros.
Motor
Em termos de consumos, a Chieftain gastou, durante os dias que esteve em nossa companhia, uma média de 6,1 litros aos 100km. Mas em estrada aberta, a desfrutar do sistema de áudio e do “cruise control” regulado para valores compatíveis com o código da estrada, o computador de bordo registava valores abaixo dos 5,5 l/100km.
A caixa de velocidades não é particularmente suave, sobretudo no que diz respeito ao som quando se engrena a primeira relação, mas é bastante precisa e o ponto morto é muito fácil de encontrar, sendo que em andamento quase que se pode prescindir da embraiagem . Além do mais, a disponibilidade do binário do motor é tanta que, na maior parte das vezes e seja qual for a relação engrenada, basta enrolar punho para fazermos qualquer ultrapassagem.
Ciclistica
Para além do motor, o que mais impressiona é a agilidade que esta moto tem. Manobrar a baixa velocidade é bastante fácil, sendo quase uma brincadeira mudar de direção ou fazer uma inversão de marcha. A relativamente grande inclinação lateral que oferece também aumenta o prazer em curva, permitindo andamentos bastante animados sem ir com os poisa-pés a raspar frequentemente no chão.
Tendo em conta que se trata de uma Cruiser bastante pesada, as suspensões oferecem um comportamento dinâmico bastante bom, proporcionando muita confiança e um elevado conforto. O destaque vai para os amortecedores traseiros a ar, da Fox, que garantem um desempenho muito acima da média em termos de conforto.
Segurança
A travagem é bastante eficaz. Apesar do seu elevado peso, a Chieftain consegue uma desaceleração muito boa mesmo a velocidades mais elevadas, melhor do que a sua concorrência directa, nomeadamente, a Harley-Davidson Street Glide, segundo medições feitas por alguma imprensa americana que revelam que, a uma velocidade de 60 milhas por hora (aprox. 100km/h), a Chieftain consegue parar num espaço substancialmente mais curto, menos 3,35 metros para ser mais exacto.
Já agora, também os mesmos testes revelam que a Indian, em termos de aceleração, é apenas um pouco mais lenta, 0,2 segundos para também ser mais preciso, demorando apenas 5,3 segundos num arranque parado, até chegar às 60 milhas por hora.
Ergonomia
Montados nela, encontramos um amplo posto de condução. No centro de um
imenso guiador cromado, deparamo-nos com um painel “retro tech” em
estilo “Art Deco” mas com ecrã LCD que disponibiliza informação
detalhada sobre a viagem, sobre o motor, sobre a relação de caixa
engrenada, sobre a pressão dos pneus, sobre o rádio ou sobre as
playlists de uma “pendrive”. A informação flui facilmente num menú
acessível através de um simples botão ao alcance do dedo indicador
esquerdo.
Os outros comandos são grandes e facilmente
utilizáveis, mesmo com luvas grossas, e subir ou descer o ecrã através
dos botões elétricos, subir o baixar o volume do som, mudar de música ou
de frequência de rádio, ou ligar e regular o “cruise control” não
obriga a retirar as mãos dos punhos. O guiador praticamente não abana, e
os espelhos não tremem, sendo perfeitamente visível a imagem que
refletem.
As plataformas para os pés são espaçosas permitindo variar ligeiramente a posição durante as viagens mais longas, e o passageiro também encontra uma boa posição, mais elevada mas ainda assim aerodinamicamente protegida.
Claro que andar diariamente no meio do trânsito com uma moto tão grande e tão pesada, não será fácil nem recomendável. Pelo menos para a maioria. Apesar da boa brecagem e do bom equilíbrio proporcionados pelo baixo centro de gravidade e pela boa distribuição de massas, o seu elevado peso coloca-nos em desvantagem tanto nas manobras à mão como no serpentear entre os carros.
Quotidiano
As malas laterais têm uma capacidade relativamente boa e a sua abertura pode ser feita sem termos que desmontar, mas infelizmente não conseguem guardar nada que mereça o nome de capacete.
Por outro lado, as mordomias como o bom som do sistema áudio, o sistema de ignição sem chave e as malas com fechaduras com comando à distância fazem-nos sentir pena de não podermos ir dar uma "voltinha" todos os dias.
Final
Em termos de qualidade de construção, a Chieftain mostra detalhes cuidados e materiais de muito bom nível. Excepção feita a alguns ruídos provenientes da ampla carenagem ao rolar em pisos de calçada ou mais degradados. As demais soluções técnicas, como o sistema de fixação das malas laterais que permite uma instalação rápida e fácil, promovem uma grande facilidade de utilização. O descanso lateral mostra-se bastante firme e a iluminação é muito boa. Concluindo, esta é uma moto exclusiva para quem gosta de grandes passeios, a solo ou com boa companhia, e desfrutar da paisagem.
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andardemoto.pt @ 28-6-2015 20:49:08
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