A competição está no ADN da Indian Motorcycle
A histórica marca americana tem uma forte ligação ao mundo da competição de motos. A Indian Motorcycle tem presença oficial no flat track, nas corridas de baggers “King of the Baggers” e também no hillclimb.
andardemoto.pt @ 23-6-2021 13:50:40
Mais
conhecida pelas suas grandes cruisers, baggers e customs de dimensões
avantajadas, a Indian Motorcycle tem também uma forte ligação ao mundo da
competição de motos.
As corridas estão no ADN do mais antigo fabricante americano de motos, e nos
tempos recentes, mais do que nunca, a Indian Motorcycle mostrou ser uma empresa
com visão para o desporto conquistando assim os louros (e vitórias!) da sua
aposta.
Longe dos recordes de velocidade e outros feitos através de personalidades
privadas, e depois de regressar em força aos modelos de estrada e com uma gama
alargada desde que foi adquirida pelo Grupo Polaris em 2011, a Indian apresentou
em 2017 uma moto completamente revolucionária a pensar num regresso ao flat track após mais de 60
anos de ausência. Nascia a fantástica FTR750.
A Indian Motorcycle no Campeonato Americano Flat Track
A Indian Scout FTR750 foi apresentada ao mundo no famoso Buffalo Chip, durante o
Sturgis Rally, um dos maiores encontros de motociclistas em todo o mundo.
Perante milhares de fãs, Bobby Hill e Bill Tuman, os dois membros ainda vivos que fizeram parte da formação original da Wrecking Crew, a equipa oficial da
Indian para o flat track, desvendaram os segredos do projeto da marca americana
para o regresso a esta disciplina do motociclismo de competição.
A Indian FTR750 foi desenvolvida para dominar o Campeonato Americano Flat Track
sob a organização da American Motorcycle Association (AMA). Uma moto construída
exclusivamente para a competição, desde o quadro tubular extremamente rígido e leve,
passando pelo poderoso motor V-twin de 750 cc, sem esquecer detalhes como o
sistema de escape elevado e a caixa de ar em posição central.
Foi então formada uma nova Wrecking Crew e a Indian não deixou nada ao acaso:
contrataram três dos melhores pilotos do AMA Flat Track e com inúmeros títulos
conquistados. Os nomes que ficaram ligados ao regresso oficial da marca ao flat
track foram Bryan Smith, Brad Baker e ainda Jared Mees. Juntos somavam um total
de cinco títulos na modalidade.
No ano de estreia, em 2017, a Indian Motorcycle dominou por completo o Campeonato
Americano Flat Track. Jared Mees sagrou-se campeão com dez vitórias e 17 pódios
na sua conta pessoal.
Melhor do que isso, a Indian mostrou que a Scout FTR750
de competição era uma máquina assombrosa, tendo assegurado também o segundo e
terceiro lugares da classificação com Smith e Baker a secundarem o seu líder de
equipa, Jared Mees.
Nesse ano de regresso oficial ao Campeonato Americano Flat Track a Indian
fechou a contagem com um total de 14 vitórias absolutas num total de 18 corridas
realizadas, a que se somaram 37 pódios obtidos pelos seus pilotos.
Depois de um ano de domínio absoluto, e logo na sua estreia, seria difícil
bater a forte concorrência a partir do segundo ano. Mas
2018 ficou novamente marcado pelo domínio da Indian.
Jared Mees da Wrecking Crew assegurou o segundo título para a Indian Motorcycle
com uma performance impressionante. Sempre aos comandos da Scout FTR750, Mees
venceu 10 das 13 corridas realizadas e foi ainda segundo classificado por duas
vezes.
Com uma demonstração de força desta ordem, foi com naturalidade que Jared
Mees repetiu o título do ano anterior, sagrando-se bicampeão do AMA Flat Track,
ajudando mais uma vez a Indian a conquistar o título de
construtores.
E como não há duas sem três, 2019 foi novamente um ano de sucesso para a Indian no
flat track americano.
A FTR750 revelou ser uma moto tão eficaz e superior às rivais que, depois de
dois anos de existência e dezenas de vitórias e títulos, muitos pilotos
privados decidiram começar a competir com a Indian. Se em 2018 sete pilotos
privados terminaram a temporada dentro do “top 10”, em 2019 ainda mais pilotos
decidiram juntar-se à Indian e competir com a FTR750.
Como forma de apoio ao esforço destes pilotos privados a Indian Motorcycle
definiu um plano de prémios bastante “generoso”, se assim podemos dizer: o
piloto privado que ficasse em 1º recebia 10.000 dólares, o 2º classificado
3.500 dólares e o 3º classificado 1.500 dólares. Até ao 10º lugar a Indian
entregava prémios monetários. No final do ano, e caso um destes pilotos
privados fosse campeão, a Indian entregava um cheque de 25.000 dólares.
Com incentivos tão fortes à partida, foi assim que o piloto privado Briar
Bauman, terceiro classificado na temporada anterior, se tornou campeão 2019 do
AMA Flat Track aos comandos da Indian Scout FTR750. Jared Mees passou o
testemunho a Bauman depois de uma batalha titânica que levou os dois pilotos da
Indian ao limite.
Com mais este título de Briar Bauman a Indian Motorcycle conquistou três
campeonatos de pilotos e também de construtores. Podemos dizer que “limpou”
tudo o que havia para ganhar no maior e melhor campeonato de flat track do
mundo. Mais de seis décadas depois a Indian Motorcycle regressa ao topo do flat
track.
Indian Motorcycle vence primeira corrida King of the Baggers
Se, como acabámos de ver acima, o flat track é o cenário onde a Indian Motorcycle
mostra estar mais à vontade e onde tem mais história, a realidade mostrou-nos
já que a marca americana não se atemoriza com outros tipos de competição, mesmo
aqueles que são menos convencionais.
Em 2020, num ano “louco” devido à pandemia global provocada pelo Covid-19,
aconteceu no circuito de Laguna Seca uma corrida verdadeiramente invulgar e que
colocou em pista motos que raramente são vistas neste ambiente.
A corrida ficou conhecida como King of the Baggers.
Corridas de todos os tipos, utilizando veículos de todos os feitios, são
realizadas em vários locais do mundo para regozijo dos fãs que se divertem com
as quedas, ultrapassagens e até vitórias em cima da linha de meta. Mas se há
veículos que provavelmente não pensávamos que seriam apropriados para
competição em circuito fechado, esses veículos são motos do tipo bagger.
Essencialmente cruisers equipadas com malas laterais compactas e uma grande
carenagem frontal, muitas vezes com sistemas áudio que oferecem, gratuitamente,
concertos a todos aqueles que com elas partilham o asfalto, as bagger são motos
para praticar turismo de moto “leve”.
Dos 13 pilotos que aceitaram o desafio e participaram na primeira edição da
King of the Baggers, apenas dois pilotos pilotaram modelos Indian Challenger,
motos que a marca tinha apresentado há relativamente pouco tempo.
As motos, bastante modificadas, principalmente ao nível das suspensões, mesmo
nesta versão de competição pesavam cerca de 300 kg de puro metal, pronto a
raspar no asfalto de Laguna Seca e criar um espetáculo de faíscas para gáudio
dos fãs que puderam assistir a tudo pela televisão e redes sociais.
Conhecedor dos segredos de Laguna Seca, Tyler O’Hara e a sua Indian Challenger
preparada pela S&S Cycle tiveram de lutar até à última volta para bater
Hayden Gillim (Harley-Davidson Vance & Hines) e a outra Indian em pista,
preparada pela Roland Sands Design e pilotada pelo veterano Frankie Garcia.
A apenas duas voltas do fim, com uma espetacular manobra no icónico “Saca Rolhas”
de Laguna Seca, O’Hara assumiu a liderança passando Hayden Gillim (Harley-Davidson),
e levou a melhor conquistando a vitória na primeira edição de sempre da pouco
convencional corrida King of the Baggers.
A Indian Motorcycle bateu em pista a sua grande rival Harley-Davidson. E ainda
para mais conseguiu esta vitória perante o olhar de dois milhões de fãs que seguiram
a corrida através das redes sociais.
O sucesso da primeira edição levou à criação de uma série de corridas
denominada de King of the Baggers. Mas para a história ficará sempre registado
que foi uma Indian Motorcycle que venceu pela primeira vez.
Indian Motorcycle de regresso ao hillclimb
Fundada em 1901, a Indian Motorcycle tem sabido adaptar-se aos tempos mais
modernos.
Porém, os fundadores George Hendee e Oscar Hedstrom sempre revelaram uma paixão
pelo mundo da competição que ao nível do motociclismo adota as mais variadas
formas, como é o caso do hillclimb.
Depois de muitos anos afastada desta disciplina a nível oficial, a Indian
Motorcycle anunciou em meados de 2020 o regresso ao “hillclimb”. Para além de
ter revelado a moto que servirá para tentar assegurar o título, uma FTR750
especialmente modificada, a marca americana escolheu John “Flying” Koester para
ser o piloto a levar o nome e imagem da marca nestas corridas.
Com 10 títulos da modalidade com o seu nome, John Koester e a sua equipa, com
apoio da Indian Motorcycle, modificaram profundamente uma FTR750.
Partindo da mesma versão usada pela Indian Motorcycle nas corridas de flat
track, e que tanto sucesso tem obtido nos últimos anos, John e o seu pai
instalaram um novo braço oscilante alongado, pneus cardados, redesenharam por
completo a traseira, instalaram uma embraiagem Rekluse mais apropriada para
aguentar com as exigências do hillclimb, e ainda trabalharam em conjunto com a
S&S para desenhar um sistema de escape específico para a esta versão da FTR750.
Na temporada de estreia John Koester venceu por duas vezes e fechou o ano 2020
com o vice-campeonato AMA Pro Hillclimb. Um resultado que não permitiu à Indian
Motorcycle adicionar este troféu ao seu museu, mas que certamente deixou os
responsáveis da marca decididos a continuar a sua aposta no hillclimb.
A saga da Indian Motorcycle na competição promete não ficar por aqui! A histórica marca americana está sempre pronta a aceitar novos desafios, e como se viu no flat track, corridas de baggers e também no hillclimb, as Indian, nas suas mais variadas formas e feitios, prometem continuar a amealhar troféus e vitórias que vão abrilhantar ainda mais as prateleiras do museu Indian.
andardemoto.pt @ 23-6-2021 13:50:40
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