Triumph Tiger 1050 Sport - Cada vez melhor
É gratificante reviver bons momentos. Sobretudo se são a andar de moto. Já tinha sido muito feliz aos comandos de uma Tiger 1050 quando do seu lançamento em 2007. Agora tive oportunidade de voltar a usufruir de bons momentos de condução com esta nova versão Sport. Vou aqui partilhá-los consigo.
andardemoto.pt @ 21-6-2015 21:45:00
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Com os gostos cada vez mais refinados e uma especial apetência por tecnologia, o consumidor médio está cada vez mais longe das puras sensações de condução que um veículo de duas rodas pode proporcionar. Talvez por isso a Triumph, uma marca cujos pregaminhos revelam uma história de sensações puras de condução e que no seu catálogo oferece uma gama de modelos clássicos, mantenha em produção uma moto que, à luz dos padrões actuais pode até parecer obsoleta.
Sem gadgets eletrónicos, apenas o ABS e a ignição eletrónica aportam um modesto conteúdo tecnológico. Não há controlo de tracção, nem modos de motor ou suspensões electrónicas. Mas o objectivo da Triumph, com a Tiger 1050 Sport, é precisamente o de transmitir sensações em estado puro.
Simon Warburton, o “Product Manager” da Triumph, dizia por altura da apresentação oficial do “makeover” deste modelo, que o trabalho feito para redesenhar a Tiger 1050 Sport tinha sido demasiado para se desperdiçar num modelo de curta vida. Aquele que actualmente é o modelo mais antigo da sua gama (sem contar com as clássicas), irá, por isso, ficar no catálogo da marca por um futuro alargado. Foi um risco calculado. Até podiam ter descontinuado a produção, mas ele pessoalmente acredita que vai continuar a haver motociclistas interessados em motos polivalentes, e que não queiram qualquer conotação com o fora de estrada, e que percebam que nem um controlo de tracção nem um acelerador electrónico fariam da Tiger 1050 Sport uma moto melhor. O que iam era torná-la mais cara!
Motor
Efetivamente este tricilindrico da Triumph é uma pérola. Suavidade,
elasticidade, resposta imediata e, se necessário for, economia. Agora
com mais dez cavalos que a versão anterior, e o binário ligeiramente
melhorado, esta Tiger oferece sensações ainda mais fortes em qualquer
estrada de curvas. As retomas são contundentes e a subida de rotação é
também muito rápida.
Apesar do incremento da potência, não se
regista um aumento do calor irradiado pelo motor, fruto de uma combustão
mais eficaz comprovada pelas novas entradas de ar colocadas na
carenagem. Para ser mesmo “picuinhas”, o acelerador mostra-se, por
vezes, um pouco hesitante. Sobretudo logo após o ralenti.
O consumo, se conseguirmos resistir aos encantos da aceleração, cifra-se em valores bem modestos, a passar ligeiramente os 5,5 l/100km em percurso misto e a respeitar o código da estrada. Mas caso contrário podem facilmente chegar a valores superiores que, comparados com os custos de uma muito provável multa por elevado excessso de velocidade. são praticamente irrisórios.
Enquanto
o motor não aquece bem, notam-se algumas irregularidades no funcionamento que
se desculpam e nos recordam que estamos aos comandos de uma moto que
quase parece analógica, o que não é necessariamente mau. Faz-nos sentir
mais… Machos?
Também o escape, completamente redesenhado, além de dar o seu contributo neste capítulo, garante um som envolvente e forte. E para que a resposta aos nossos instintos seja ainda mais rápida, foi acrescentado um dente à cremalheira, garantindo assim uma mais rápida subida de rotação.
A caixa de velocidades foi revista e a sua precisão foi melhorada. No entanto ainda se mantém longe de ser um dos pontos fortes do conjunto, penalizada sobretudo por alguma rigidez no accionamento. Por seu lado, a manete da embraiagem afigura-se algo dura, mas o comando é por cabo, o que agrada aos mais puristas.
Ciclistica
O quadro também foi revisto. Apesar de não apresentar grandes diferenças a olho nu, relativamente ao da versão anterior, foi reforçado para garantir uma maior capacidade de carga e uma consequente rigidez estrutural que se pode comprovar sobretudo na entrada em curva e na estabilidade a alta velocidade. Outro dos objetivos foi o de conseguir diminuir a altura do assento. O sub-quadro, esse, foi completamente revisto. É agora mais baixo e mais forte, enquanto proporciona uma linha mais esguia.
O braço oscilante também é novo. A Tiger 1050 Sport ostenta agora um escultural monobraço, desenhado especificamente para se mostrar desportivo e para permitir a montagem do escape mais perto da moto, garantindo um maior espaço para bagagem.
A suspensão é toda nova. A forquilha, agora invertida, é uma Showa com 43mm de diâmetro completamente ajustável e capaz de proporcionar um curso de 140mm. O mesmo aconteceu com o amortecedor traseiro, também da Showa, e que garante um curso de 150mm permitindo regular a pré-carga da mola. As jantes de alumínio fundido são agora 1,3 kilos mais leves, garantindo uma maior agilidade, e vêm calçadas com pneus Pirelli Angel GT. O comportamento dinâmico é bom, sob todos os aspectos.
Na entrada de curva, mesmo pendurado nos travões, o conjunto mostra uma grande compostura, permitindo atrasar a travagem até bastante tarde. O mesmo acontece na saída da curva, onde apenas se nota alguma ondulação se não dermos um “jeitinho” na pré carga da mola do amortecedor traseiro. Perde-se conforto, mas ganha-se um comportamento mais desportivo. Ainda assim, mesmo sem o fazer, estão garantidos ritmos muito interessantes. A travagem é potente mas muito doseável pelo que o ABS raramente dá sinais de vida.
Segurança
Em termos de segurança, a Tiger 1050 Sport oferece-nos as ferramentas necessárias para que a possamos garantir. A travagem é esmerada, a suspensão é de muito bom nível, a posição de condução elevada permite-nos controlar o fluxo do trânsito, os espelhos garantem uma boa visibilidade para trás, os farois são potentes e espalham convenientemente a luz.
Depois, o desafio é controlar os nossos impulsos e ter consciência de que não há nada que evite que a roda traseira derrape. Mas a entrega de potência linear proporciona um bom "feeling" e uma
confiança acrescida devida à consistência da resposta ao punho
direito em qualquer regime. Resumindo, sabemos sempre com o que podemos
contar. Na realidade, não é a mesma coisa que um controlo de tracção, mas por outro lado garante maiores níveis de adrenalina.
Ergonomia
A posição de condução também foi melhorada e é ligeiramente mais desportiva. Um novo guiador, colocado mais baixo e mais perto do condutor, e as peseiras (cheias de estilo) mais elevadas, garantem uma atitude mais proactiva.
Apenas o ecrã se incompatibilizou com o meu capacete que registou níveis de ruído elevados e pouco comuns. Seguramente um ecrã ligeiramente mais alto resolve o assunto. Por seu lado o passageiro sai beneficiado, ficando mais envolvido e protegido aerodinamicamente. O seu acesso também ficou mais facilitado.
Quotidiano
A Tiger 1050 Sport foi redesenhada com o propósito de ser uma moto polivalente. Capaz de uma utilização diária e urbana, mas igualmente competente em viagem. Seja a solo ou com passageiro. A gama de acessórios de fábrica permite uma personalização específica para cada tipo de utilização.
Pena que, de série, não esteja equipada com proteções de punhos nem com descanso central. Mas pelo menos vem equipada com um dispositivo anti-roubo sob a forma de chave codificada electronicamente.
A brecagem não é referencial mas ainda assim é bastante generosa e compensada por uma altura livre ao solo que permite verdadeiros actos de "hooliganismo" no que diz respeito ao "fugir" ao trânsito, e uma grande agilidade a enfrentar "maus caminhos".
Também a autonomia é bastante elevada pois o depósito de 20 litros, combinado com o consumo comedido, garante intervalos superiores a 300km entre reabastecimentos, mesmo sem muitas preocupações com o ambiente.
Final
De resto, a Triumph continua fiel ao seu software de comando do painel de instrumentos seguramente apenas para me fazer infeliz. A sorte é que esta Tiger não tem muito por onde navegar já que tudo se resume, como foi dito, ao ABS e ao computador de bordo. Mas, para apenas isso, há vários botões espalhados um pouco por todo o lado, que acedem a intermináveis menus, à semelhança do que acontece noutros modelos da marca. Sem dúvida um ponto a rever.
O que é um facto incontestado é que a Tiger 1050 já era uma moto muito interessante de conduzir, e agora, com este "remake" esta Sport ficou ainda melhor.
Para ficar a saber todos os pormenores sobre a Tiger 1050 Sport, consulte o nosso catálogo (clique aqui).
Caso esteja tentado a experimentá-la, então não hesite e dirija-se a um concessionário da marca. Clique aqui para ver qual está mais perto de si.
Para ver uma opinião de uma fã incondicional da marca britânica, siga para a página seguinte.
2ª parte - Gosto muito da minha mota, mas, trocava por outra... igual!
Foi uma oportunidade fantástica esta de experimentar a nova Tiger 1050. Foi de tirar a respiração poder ver e sentir as diferenças! Pequenas alterações tornaram-na mais agressiva e mais atraente ao meu olhar! Sem dúvida o roncar original (sem um escape de rendimento como o meu) ficou mais agradável ao ouvido e o próprio trabalhar do motor ficou mais sonante, mas isso até talvez tenha a ver com os mais 10 cavalos que o motor agora debita.
Adorei a posição de condução que, por ter os poisa pés mais elevados e um assento diferente da minha, fica mais “Racing”. E depois o guiador… Ui... o guiador... é mais baixo e mais largo, não sei! Acho que nos diverte ainda mais! A nova posição de condução oferece-nos a possibilidade de nos “agarrarmos” mais a ela e irmos curtir umas curvas de montanha a velocidades menos próprias.
Deita-se com enorme facilidade e se necessitarmos de fazer uma correcção em curva, ela levanta-se melhor ainda! Está muito manobrável e cavalos (para mim) tem quanto baste! Eu costumo definir a minha como sendo uma verdadeira “bicicleta” no trânsito, uma estradista para longos quilómetros de passeio e uma rebelde com alma mais do que suficiente para uns arranques ou grandes velocidades... Esta em nada é diferente!
Por outro lado, qualquer coisa pode ser feita em sexta velocidade, muito
elástica, mas com os cavalos todos lá, quando se enrola o punho! Não
tosse nem se engasga, e atinge de forma eficaz as velocidades proibidas.
Das motas que já experimentei na gama das 1000cc, sempre achei que a
Tiger 1050 era mesmo das mais rápidas a atingir altas velocidades.
Muito
sinceramente, a minha (que é um modelo de 2009) também faz tudo isso!
Mas cada vez que olho para aquela nova jante traseira, montada em
monobraço, é que me roo todinha... faz toda a diferença ter aquela roda
toda à vista!
E tem mais umas diferenças interessantes como as
entradas de ar nas carenagens frontais, que provavelmente fazem alguma
diferença no arrefecimento do motor, o banco, que ficou giríssimo e que
me fez andar feita barata tonta á procura do encaixe da chave para o
abrir, os magníficos poisa pés, o guiador e as jantes de cor preta e, no
meio disto tudo, só mudava uma coisa: aqueles piscas enormes e que não
são em LED! Está mal...
Só me pergunto: Com todos estes
atributos, porque não andam mais Tigers a circular por aí!? - Pois é
meus caros, não sabem o que perdem!
Cátia Xavier
andardemoto.pt @ 21-6-2015 21:45:00
Clique aqui para ver mais sobre: Triumph - Notícias